Tribuna das Ilhas

sexta, 23 outubro 2015 10:39

Entendam-se, o país está primeiro!

Quando quase uma semana depois das eleições legislativas não temos um Primeiro-Ministro indigitado para formar Governo, num país frágil, muito frágil, vulnerável, muito vulnerável, é impossível que me proponha refletir publicamente sobre qualquer outro tema que não o do rescaldo das eleições.

Quando os acontecimentos políticos se sucedem em catadupa, com múltiplos atores e emitindo sinais contrários, qualquer reflexão sobre o momento presente é rapidamente ultrapassada por nova bizarrice e torna-se desatualizada da manhã para a tarde.
Mas, todavia, há factos que perduram e há gestos que marcam…
A voracidade de interpretações criativas, ditadas por uma militância cega e inconsequente, não apaga a realidade dos factos: a coligação PSD/CDS ganhou as eleições legislativas e em 40 anos de democracia portuguesa, como aliás em qualquer país democrático, quem ganha as eleições é responsável pela iniciativa de formar governo. É incompreensível, além de incoerente e contraditório, que quem perdeu as eleições se coloque agora “em bicos de pés” para chegar ao poder, maquinando estratagemas que rotulam de democráticos para estropiar o voto livre dos portugueses.
O Presidente Cavaco Silva ainda não indigitou o líder da coligação vencedora a formar Governo (apesar da nossa esquerda, e até comentadores supostamente informados e sérios, o criticarem despudoradamente por o ter feito). E podia tê-lo feito. Era, aliás, o que esperava a maioria das pessoas que se mantêm racionais e objetivas, na alucinação retórica que tomou conta do nosso país. Porém, o Presidente voltou a surpreender, pela positiva (a história não deixará de lhe fazer justiça!), tal como já antes o tinha feito, pressionando os partidos políticos para um amplo consenso nacional de governo. É coerente e coloca o país acima de todos os interesses partidários, o que parece incomodar muita gente. Qual será a resposta dos partidos…?
E a resposta esboça-se sob a forma de gestos que vão assinalando um caminho e que não se apagam. Quem esqueceu, por exemplo, o gesto de desencadear uma luta fratricida pelo poder socialista com o pretenso argumento de que a vitória do então líder era “poucochinha”, ou o de agora de, perante uma derrota estrondosa, não se demitir? É este líder, enfraquecido pela derrota e descredibilizado pela incoerência das atitudes, que traça gestos no presente em nome de um partido que se reivindica de charneira mas que está a reboque de um mau perdedor. E ele multiplica gestos que colocam em causa a herança do partido socialista de que (apesar de efemeramente) deveria ser fiel guardião mas que ameaça comprometer.

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O CDS-PP Açores reuniu, na noite da passada terça-feira, em Ponta Delgada, o seu Conselho Económico e Social para começar a delinear propostas para a discussão do Plano e Orçamento regional para 2016, apontando a agricultura, as pescas, a saúde, a educação e o turismo como prioridades.

“As áreas que são tidas como prioritárias são sempre as que possam promover desenvolvimento económico para os Açores”, afirmou aos jornalistas o líder do CDS-PP Açores, Artur Lima, no âmbito do encontro.

O Presidente dos populares açorianos mostrou-se preocupado com o crescimento “assimétrico” do turismo no arquipélago, que, no seu entender, deve ser uma preocupação do Governo Regional socialista: “Estamos a falar, por exemplo, em ilhas que crescem e ilhas que não crescem. Temos de perceber porque é que isso acontece […]. Se numa ilha grande um impacto de dez milhões é bom, numa ilha pequenina como o Corvo um impacto de meio milhão é bom. Agora, tem de ter pelo menos esse meio milhão”, explicou.

Por isso, sublinhou, é necessário definir estratégias que “sirvam os Açores como um todo, respeitando as dimensões de cada um”.

Por outro lado, segundo Artur Lima, a aposta dos executivos regionais socialistas ao nível do transporte de mercadorias “foi um falhanço”, pelo que o CDS considera ser preciso melhorar este serviço, para escoar rapidamente os produtos de valor acrescentado, e vai continuar a apresentar propostas neste domínio e, também, ao nível do transporte de passageiros e viaturas.

O Líder dos democratas-cristãos disse ainda que a prioridade da estrutura partidária nesta fase é ter as suas próprias propostas sobre os investimentos da Região, para preparar a discussão do Plano e Orçamento, pelo que não quis adiantar uma análise à anteproposta do Plano de Investimentos já apresentada pelo Governo Regional.

Recorde-se que o Conselho Económico e Social do CDS-PP Açores é composto por Graça Silveira (Presidente – professora da Universidade dos Açores); Nuno Barata (Vice-presidente – administrador de empresas); Lídia Silveira (Secretária – professora do ensino básico) e por nomes da sociedade civil, como Pedro Hintze Ribeiro (engenheiro zootécnico e empresário agrícola); Miguel Alvernaz (responsável por uma empresa de logística e transporte de cargas e mercadorias); João Monjardino (arquitecto); Rodrigo Rodrigues (empresário turístico); Manuel Campos (professor do ensino secundário); Rui Martins (técnico de farmácia) e Pedro Fins (enfermeiro).

“Ao contrário do sentimento negativo que se generalizou na nossa sociedade eu continuo a acreditar que a política é uma das atividades mais nobres, desde que cumpra com a sua missão, que é a de resolver os problemas dos cidadãos. Mas para sermos capazes disso temos que identificar quais são os verdadeiros problemas e depois apresentar soluções concretas, credíveis e concretizáveis. E esta é a função deste conselho que pode agora contar com os contributos, com a experiência e com o conhecimento de profissionais competentes, na sua grande maioria independentes, e que poderão fazer com que este órgão possa apresentar propostas que sejam levadas a cabo como iniciativas políticas do CDS. Tenho a certeza que o trabalho deste órgão irá contribuir para que as propostas políticas do CDS vão, de facto, ao encontro dos reais problemas dos Açorianos”, declarou Graça Silveira a Presidente do Conselho Económico e Social do CDS-PP Açores.      

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