Tribuna das Ilhas

A dupla da equipa Play/Auto Açoreana Racing constituída por Ruben Rodrigues e Estevão Rodrigues marcou presença na XXVII edição do Rali Ilha Azul – Além Mar que decorreu no

passado fim de semana no Faial.

 

Aos comandos do Citroen DS3 R5 EVO, preparado pela Sports and You a equipa estreou-se no Azores Airlines Rallye e pretende disputar os campeonatos regionais de Ralis de 2017, 2018 e 2019.

Os jovens açorianos têm-se destacado no desporto motorizado da Região, pelo que foram escolhidos para

integrar o projeto da Fábrica de Tabaco Micaelense (FTM) e da Auto Açoreana que tem por objetivo trazer mais competitividade aos campeonatos regionais assim como promover as duas empresas.

Em vésperas de rali, Tribuna das Ilhas esteve à conversa com Gonçalo Mota, responsável pela equipa e Diretor de Produção, Marketing e Vendas da FTM, que nos falou do projeto.

A Fábrica de Tabaco Micaelense, é a unidade mais antiga dos Açores neste setor e há décadas que está envolvida no desporto motorizado. “Foi talvez o grande patrocinador do desporto automóvel na Região desde os anos 60”, revelou à nossa reportagem Gonçalo Mota.

Imposições legais, relacionadas com diretivas comunitárias que proíbem o patrocínio por parte da indústria tabaqueira ao desporto ou a qualquer outro tipo de evento fez com que a empresa deixasse de apoiar a modalidade.

No entanto a FTM manteve sempre o gosto por este desporto e nos finais do ano passado entendeu que “era o momento” para voltar e numa parceria com Auto Açoreana decidiu criar uma equipa de ralis.

“Desta parceria nasceu a equipa Play/Auto Açoreana Racing que reúne as duas designações com o objetivo de publicitar, a marca Play, que é uma marca de cigarros da FTM, e a Auto Açoreana como instituição”, revelou o director de Produção, Marketing e Vendas .

“Isoladamente não teríamos regressado aos ralis, só regressamos em função desta parceria com a Auto Açoreana, que é concessionário para a ilha de São Miguel de oito marcas de automóveis”, explicou.

De acordo com Mota, a criação desta equipa teve como base duas razões: por um lado “razões históricas”, nomeadamente “o facto de termos um historial muito longo no automobilismo” e por outro o facto da Auto Açoreana ser uma empresa ligada ao setor automóvel e por conseguinte ao automobilismo. “Este é o único veículo que temos para promover as nossas marcas, porque nenhuma outra publicidade é permitida”, salienta.

Para o diretor esta parceria tem permitido a ambas as empresas ganharem notoriedade no mercado. “

O responsável pela equipa adiantou ainda à nossa reportagem que a ideia  partiu das duas empresas “no sentido de dar maior competitividade ao Campeonato Regional de ralis” que passa agora contar com três viaturas de última geração os R5. “Havia pouca competitividade e portanto menos interesse por parte do público e nós como tivemos relacionados com o automobilismo durante muitos anos sentíamos esta vontade de ajudar a desenvolver a modalidade e a gerar maior interesse maior entusiasmo”, afirmou.

Desporto motorizado

importante para a economia da Região

Sobre a importância da modalidade para o desenvolvimento da Região, o diretor de Produção da FTM, não hesita em afirmar que “esta modalidade tem um peso muito grande na economia dos Açores”.

Para Gonçalo Mota o automobilismo tem muitos adeptos, traz muita gente e promove a Região.

Referindo-se ao Azores Airlines Rallye, o responsável Play/Auto Açoreana  afirma que este evento “atrai muitíssima gente do exterior e permite a divulgação dos Açores em toda a Europa através da Eurosport”. Por outro lado, entende que “também os ralis que ocorrem nas outras ilhas têm impacto não só nas infraestruturas turísticas, como os hotéis, restaurantes locais, assim como dão notoriedade às próprias ilhas”, disse.

“Estes ralis são conhecidos e publicitados no continente o que faz com que se dê notoriedade às próprias ilhas e faz sem dúvida mexer a economia em muitos aspetos, pelo que deveria ser mais acarinhado e incentivado por quem de direto”, entende.

Gonçalo Mota lembra que na Região já existem três viaturas de última geração o que demonstra o interesse pela modalidade. “Nós temos num território tão pequeno três carros de última geração enquanto no continente não existem muitos mais portanto estamos muito bem equipados para a nossa dimensão e realidade comparativamente com outras regiões do país”, neste sentido considera que “não se perdia nada em fazer um esforço maior de divulgação destas provas a nível nacional”.

A finalizar o porta voz chama a atenção para importância das estruturas e dos equipamentos no desenvolvimento da modalidade na Região.

“O desporto automóvel como qualquer outro desporto, tem regras e as regras são fundamentais e devem ser transparentes, claras e iguais para todos”, neste contexto considera que “devem haver equipamentos, estruturas e meios que permitam que as regras se cumpram de forma isenta para que não haja nenhuma dúvida quanto à justiça das vitórias ou das derrotas”. 

“Penso que os Açores deviam estar equipados por exemplo com uma máquina que permite medir uma válvula dos turbos no caso dos R5 que têm de ter uma determinada pressão. Essa máquina verifica se de facto estão a ser cumpridas as regras e neste momento não temos esse equipamento nos Açores”, conclui. 

Estão abertas até sexta-feira, dia 9, as inscrições para o XXVIII Rali Ilha Azul – Além Mar, prova que vai decorrer entre os dias 16 e 17 de Junho nas estradas do Faial.

O Rali Ilha Azul 2017, organizado pelo CAF – Clube Automóvel do Faial, é a segunda prova do Campeonato de Ralis dos Açores, que irá trazer ao Faial os principais pilotos regionais da modalidade.

Além do Campeonato de Ralis dos Açores, a prova, que este ano apresenta um figurino diferente do habitual, conta também para o Troféu de Ralis do Canal e para o Troféu de Ralis do Faial.

O XXVIII Rali Ilha Azul - Além Mar arranca sexta-feira, dia 16 de junho, pelas 19H30, com a super-especial da Praia do Almoxarife, que habitualmente junta muito público para apreciar os pilotos e as viaturas.

A prova prossegue na manhã de sábado, dia 17 de junho, com duas passagens pelos troços Caldeira/Canada Larga (um troço novo introduzido este ano no Ilha Azul) e Caminho do Goulart/Trupes (que será percorrido em sentido inverso ao habitual).

À tarde, serão realizadas mais duas passagens pelos troços, entre Jaime de Melo e Ribeira do Cabo e entre o Vulcão dos Capelinhos e o Varadouro, este último, considerado um dos mais belos troços de ralis dos Açores.

Antes das viaturas se fazerem à estrada, nos dias da prova, será realizada uma apresentação pública das equipas concorrentes, na quinta-feira, dia 14, a partir das 20 horas, no Largo do Infante, onde será instalado o pódio.

Além do habitual patrocínio da Fábrica de Tabaco Estrela, o XXVIII Rali Ilha Azul – Além Mar, conta também com o apoio do Governo dos Açores, da Câmara Municipal da Horta e de dezenas de empresas regionais e locais.

O Azores Trail Run® (ATR®) é uma prova de Trail Running organizada pelo Clube Independente de Atletismo Ilha Azul, que se realiza no Faial desde 2014.
Com apenas quatro anos, o ATR® apresenta-se já como o evento de desporto de natureza mais expressivo da Região, que traz à ilha do Faial centenas de atletas vindos dos quatro cantos do mundo.
Desde a sua primeira edição que o número de inscritos mais do que triplicou, aumentando também o número de nacionalidades presentes, o que mostra a forte internacionalização que a prova tem atingido, já tendo passado pelo evento mais de 40 nacionalidades de atletas.
Considerado já uma das provas mais importantes do calendário nacional de trail running, o ATR® conseguiu também colocar os Açores no mapa mundial do trail running, sendo bastante referenciado internacionalmente.
O Parque Natural do Faial volta a receber amanhã mais uma edição deste evento, desta vez com cerca de 700 atletas esperados nas linhas de partida das várias provas, vindos de 23 países diferentes. 
Em vésperas do arranque da prova, Tribuna das Ilhas esteve à conversa com Mário Leal, coordenador do evento e diretor das provas que o compõem e um dos impulsionadores da modalidade no Faial 
e no arquipélago, sendo considerado  como o “pai do Trail”. 

Tribuna das Ilhas - Como nasceu e porque decidiram criar o Azores Trail Run®?

Mário Leal - O ATR® começa efetivamente sem se chamar Azores Trail Run®, em 2011, quando começo a falar de trail no Jardim Botânico do Faial, com o João Melo e com outros funcionários. Começo a falar da corrida em trilhos e a mostrar imagens e videos de paisagens de pessoas a correr. Lembro-me de dizer que tínhamos paisagens até melhores do que aquelas, e que podía-mos estar perante uma atividade interessante. No início de 2012, com a comemoração dos 40 anos da reserva natural da Caldeira e da Montanha do Pico, o Parque Natural do Faial (PNF) faz uma corrida no Trilho dos 10 Vulcões, recentemente criado, já com a designação de trail, com poucos participantes em que se faz a corrida entre a Caldeira e o Vulcão dos Capelinhos, que hoje em dia tem um traçado diferente. 

Em 2013 voltou-se a organizar o evento, ainda com poucos participantes e a partir daí começa-se a ver também mais pessoas a usar os trilhos para correr. Em 2014, também em conversas informais, pensa-se em fazer algo com uma dimensão maior para atrair pessoas do exterior. Pensámos organizar algo quase como uma aventura, uma expedição. Eu tinha pessoas conhecidas que corriam e começámos a apercebermo-nos que o ideal seria promover uma prova de maior dimensão e para um público alvo exterior à ilha, um evento maior. Come-çámos a trabalhar no final de 2013, início de 2014 e rapidamente tínhamos todos os ingredientes. Registámos a marca Azores Trail Run®, pedimos apoio ao Turismo e decidimos fazer uma apresentação pública do evento no mês de fevereiro. Já tínhamos algumas pessoas com interesse em vir co-nhecer os Açores mas não estávamos à espera de ter muitos inscritos até porque as viagens eram caras e as organização desconhecida. Nessa primeira edição o evento, era composto por duas provas, o Trilho dos 10 Vulcões com 22km e o Faial Costa a Costa de 48km. Conseguimos reunir 200 participantes de 14 nacionalidades. Foi um sucesso. 

Dá-se então um forte impulso à atividade e começamos logo a pensar em repetir e em fazer melhorias nos trilhos e no próprio evento, e conseguimos alargá-lo ao Triângulo.

No entanto, o conjugar destes fatores que permitiram que este evento existisse começou muitos anos antes com cami-nhadas e descidas à Caldeira que eu fazia com o João Melo e  outros amigos. Por outro lado, penso que a minha formação base em geografia e ambiente ajuda muito a que se consiga ter os todos os ingre-dientes que as pessoas procuram quando cá vêm às provas e mesmo fora delas. 

TI -O ATR® começou no Faial mas já se estendeu ao Pico, São Jorge e Santa Maria. O que motivou a organização a levar o evento a ou-tras ilhas dos Açores?

ML - O evento do Triângulo, que é feito em outubro, fez-nos perceber que há espaço para haver mais provas, sobretudo em época baixa. Este evento surge no conceito dos eventos por etapas: vários dias a correr. São eventos muito procurados. 

Para termos ideia, existem eventos de 8 e mais dias, a nossa prova é de 3 dias. Este é um evento delineado para menos parti-cipantes por questões logísticas e de segurança, que traz uma promoção das ilhas durante mais dias, em que temos as bases (os trilhos), e o apoio da comunidade onde estão inseridos. 

Quando registámos a marca já era com ideia de sermos o “chapéu de chuva” de atividades em trilhos pedestres que sejam homologadas pela Região. Depois, o alargar a Santa Maria vem no mesmo sentido: aproveitar as potencialidades das ilhas mais periféricas em época muito baixa (fevereiro), aliando o facto de ter tri-lhos pedestres homologados à nossa convição de que, dentro do turismo de natureza, o trail tem um papel fundamental na divulgação e promoção ambiental e cultural da nossa Região. 

TI -Neste momento, o ATR® tenciona chegar a outras ilhas?

ML - É possível chegar a outras ilhas, mas neste momento estamos mais focados numa maior internacionalização; numa maior consolidação das provas que já existem e também em desenvolver outras valências no que diz respeito à fruição da natureza de forma ativa, nomeadamente os Centros de Trail, ou seja, criarmos marcações definitivas de trail nos trilhos que já são utilizados e em novos trilhos, criarmos infraestruturas para quem já faz trail poder deixar por exemplo, as chaves do carro, tomar duche, ter informação sobre o que pode fazer, criar marcações no terreno, criar sites, Apps e  até termos um controle do número de pessoas que estão a usar os trilhos e onde se posicionam.

Primeiro do que fazer outras provas, e uma vez que existem agências especia-lizadas em trail que começam a procurar os Açores e os nossos trilhos todo o ano, é preciso prepararmo-nos para este fenómeno. Sabemos que existem organizações interessadas em trazer grupos de 20, 30, 40 pessoas para correr no Faial, daí a importância de termos trilhos sinalizados e as infraestruturas preparadas, fora das  provas, para que possam essas mesmas organizações criar o seu próprio evento. 

Tenho conhecimento, por exemplo, de atletas húngaros, de elite, que já estiveram a treinar nos Açores este ano, bem como atletas do Japão e da Itália.  

TI - Apesar de não ter sinalética própria para trail Running os tri-lhos estão identificados e é muito fácil percorrê-los…

ML - Atualmente já temos um trilho sinalizado para trail. A rede de trilhos dos Açores está devidamente marcada para pedestrianismo, com sinalética própria que nem sempre é a ideal para corrida, porque se a pessoa não tiver a sinalética específica pode perder-se, daí a necessidade de criar centros com tri-lhos devidamente marcados. 

TI - Edição após edição o ATR® tem apresentado novas provas. Será que há a necessidade de alargar a oferta?

ML -A necessidade passa por atrair um leque mais abrangente de pessoas, sejam pessoas que vêm do exterior, sejam os próprios locais. Também a nível de horários de partidas e chegadas há várias condições a ter em conta, como seja o facto de haver pessoas que só conseguem chegar ao Faial na quinta-feira e outras que só conseguem chegar no sábado e assim conseguem todas participar no ATR®.

Ao nível das distâncias, e dos graus de dificuldade, importa perceber que existem pessoas que são capazes de correr uma Ultra Maratona mas que em maio, não querem correr uma prova tão longa. Assim podem cá vir e correr 40kms, 20 ou 25kms ou acompanham mesmo o amigo que vai correr os 120kms. 

No caso concreto deste ano, o facto de termos uma prova longa surge da necessidade de conseguir integrar o ca-lendário das provas longas mundiais. Está demons-trado que as pessoas deslocam-se para participar em corridas mais longe, quanto maior é a distância a correr, ou seja, a pessoa é capaz de vir da Austrália aos Açores correr 120kms, mas se for para correr 40kms já não vem… 

TI - Este ano o ATR® aposta numa prova de 126kms. A que se deve a sua criação e quais são as expetativas da organização?

ML -Nós fomos crescendo gradualmente. Queremos ter provas com qualidade e que atraiam as pessoas. A distância pode ser algo interessante mas não é primordial, tanto é que existem provas curtas que atraem milhares de pessoas. 

Criar uma prova longa numa ilha com a dimensão do Faial parecia-nos uma tarefa difícil, à primeira vista, e nós não queríamos criar uma prova longa só por criar. Podíamos fazer como no Havai, onde existe uma das provas mais famosas de trail do mundo, a HURT, com 162kms, em que as pessoas passam quatro vezes no mesmo local. Podíamos fazer algo deste género aqui, e conseguíamos, mas um trabalho de pesquisa, com muitos contatos com a população e amigos que gostam da modadildade, levou a perceber que temos trilhos capazes de criar uma prova com um traçado coerente, com mais de 100kms e que essa prova conseguia ter uma base sociocultural, histórica e ambiental, assim surge a Rota dos Baleeiros. 

No Faial existe um Roteiro Cultural do Património, dedicado à tradição baleeira, feito pela Direção Regional da Cultura e conseguimos ligar os pontos de interesse cultural desta rota através de trilhos. Já o fazíamos anteriormente, mas agora vamos torná-la mais completa. Nesta prova temos abastecimentos em impérios do Espírito Santo, o que acho interessante porque faz com que tenhamos as forças vivas das freguesias empenhadas em ajudar quer nas marcações dos trilhos, quer nos abastecimentos, quer no apoio aos atletas. 

TI - O ATR® tem tido uma preocupação em ligar o desporto à cultura e envolver a comunidade… Porquê?

ML - É essencial para o sucesso. Nós trabalhamos com um público que procura neste tipo de eventos uma grande va-riedade de emoções. 

Para atrairmos visitantes o percurso tem que lhes dizer alguma coisa. Temos as nossas paisagens mas isso só não chega. A parte sociocultural está sempre presente na filosofia de um desporto ativo de natureza, em que há uma forte relação entre o atleta, o turista e o espaço que ele está a visitar. 

TI –É isso que marca a diferença das provas realizadas pelo ATR®?

ML –Sim, o facto de ligarmos as questões culturais, históricas, sociais e ambientais ao desporto. É termos o cuidado das provas percorrerem trilhos pedestres homologados. Viemos, de uma forma única e pioneira, incorporar uma forte mais valia económica aos trilhos pedestres. As pessoas vêm propositadamente utilizar os trilhos para esta atividade quando, na maior parte das vezes, estes são uma oferta complementar turística. Neste caso, o turista vem devido aos trilhos pedestres e as outras atividades que são complementares.

TI -O que podem esperar os atletas que marcam presença neste evento?

ML- Podem esperar o que já vem sendo oferecido ao longo dos últimos anos. Temos atividades culturais, educacionais, palestras, informação aos atletas, relacionada com comportamentos despor-tivos... Temos o Trails in Motion, que é um festival de cinema internacional. Damos a cada um dos atletas um saco com produtos regionais que é muito atrativo mas que é para nós uma dificuldade, uma vez que não temos tecido empresarial que permita termos muitos apoios neste sentido.

Este ano temos uma parceria muito importante com a ANA, Aeropor-tos/Vinci, em que os atletas quando chegarem à ilha já estão no Trail. É o exemplo de uma empresa que percebeu as vantagens do trail e se associou a nós. 

TI - Que análise faz ao crescimento da prática deste desporto no Faial e mesmo nos Açores?

ML - Isto acompanha o crescimento do turismo. O trabalho que tem sido feito na divulgação da Região acompanha a          consciencialização cada vez maior por parte da sociedade para a saúde, bem estar físico e questões do ambiente. As pessoas cada vez mais querem conhecer o ambiente para o proteger, para um desenvolvimento sustentável, e isso é um fenómeno que, nas sociedades desenvolvidas, está em forte crescimento. Os Açores são mais um exemplo disso. Temos os ingredientes todos para uma atividade que é atual e contemporânea: a saúde, o bem estar pessoal e social e a qualidade ambiental, são potenciadas através do desporto de natureza.

TI -Tem consciência do impacto económico e financeiro que este evento traz à economia do Faial? A organização do ATR® faz algum tipo de inquérito aos concorrentes?

Nós não temos dados concretos. Temos feito inquéritos mas é fácil percepcionar que temos aviões completamente cheios, assim como a hotelaria. Há pessoas que vem de muito longe, de outros continentes, e que chegam pela ilha São Jorge, de barco, às 23:00 de sexta-feira, ou seja, com muita vontade de cá chegar. 

Procuramos adquirir tudo o que necessitamos para o evento no mercado local. Ao longo de todo o ano as pessoas que vivem cá, treinam cá, as pessoas que vêm cá em trabalho e treinam na ilha, as pessoas que vêm cá de férias e usam os nossos trilhos, dinamizam a nossa economia.

O fator promocional e o impacto que tem, é muito difícil de quantificar. O Faial tem uma projeção enorme. O ATR® tem a página Facebook com grande visibilidade a nível regional, temos a maior página de seguidores de trail do país... Isso colocou o Faial no mundo e tem um impacto muito grande. 

Os atletas ficam aqui em média de 3 a 5 dias. Há uma forte vontade por parte das pessoas de cá voltar e conhecer a ilha. Naqueles dias vamos aos cafés e estão cheios, os restaurantes estão igualmente cheios. As ruas estão cheias de atletas e acompanhantes, os alojamentos locais não tem mãos a medir, ou seja, é um impacto muito significativo. Se tivermos em linha de conta que mais de 500 atletas são de fora dos Açores o impacto é enorme. Há atletas que chegam uma semana antes.

TI - Em apenas quatro edições o ATR® já conseguiu o reconhecimento nacional ao integrar os circuitos oficiais da Associação de Trail Running de Portugal. Que mais espera ainda conseguir? É possível aspirar à integração nos circuitos mundiais?

É muito importante ter provas nos circuitos mundiais, importa ter provas em que a procura por lugares na linha de partida excede fortemente a oferta. É assim que se mede o sucesso das provas de trail. Ter uma procura maior que a oferta de lugares disponíveis. Queremos integrar as nossas provas em circuitos mundiais de renome e é para isso que estamos a traba-lhar. 

Já temos as nossas provas a pontuar para o UTMB (Ultra Trail du Mont-Blanc), somos associados da Associação Interna-cional de Trail Run (ITRA), neste momento acabei de ser eleito representante dos organizadores a nível nacional junto da ITRA, e inclusive já vamos ter uma prova a pertencer ao circuito mundial de Skyrunning.

Para integrar qualquer circuito mundial é necessário pagar taxas elevadas e para isso temos de fazer crescer bastante o nosso orçamento, e consequentemente os nossos apoios. 

TI - Falando um pouco de logística, como se de pé uma prova com esta dimensão?

ML - É algo gigantesco… Muitas vezes é difícil de transmitir. São dezenas de pessoas envolvidas. O trabalho que é feito em silêncio o ano todo, os milhares e milhares de kms que são feitos a pé e de carro para que tudo seja montado, o trabalho que é feito por todos os trabalhadores e operários de juntas de freguesia, Parque Natural, entre outros serviços governamentais para que tudo esteja conforme, é incrível.

No dia da prova é fácil perceber que temos marcados mais de 135 kms de tri-lhos, com fitas e refletores visíveis de uns para outros.

Para adquirir alguns dos produtos para os abastecimentos não há capacidade na ilha. Se tentarmos comprar tês mil bananas no Faial para o dia do Trail não conseguimos. São consumidas muitas toneladas de água, muitos quilos de favas fritas, batatas fritas, amendoins, coca cola, tomates, laranjas, bolos de fruta... Só para pôr isso tudo a mexer e estar tudo sincronizado do primeiro ao último atleta, temos que ter uma rede enorme de pessoas e trabalho. São milhares de mails, telefonemas, comunicações…

TI -Em relação à capacidade hoteleira da ilha, considera que há resposta às solicitações que surgem nesta altura?

ML - Com a tendência de crescimento do turismo que se tem vindo a verificar e com o aumento do numero de participantes no evento, temos algumas dificuldades a este nível. As marcações para o trail têm que ser feitas com cada vez maior antecedência. Agora, com o surgimento de muitos alojamentos locais, começa a verificar-se uma ajuda neste sentido mas o nosso problema principal são os transportes aéreos.

Os horários e o número de voos para estes dias têm que ser reforçados. Temos capacidade para alojar mais pessoas. Ao contrário do que se verifica em outras provas de trail, as pessoas ficam todas alojadas em hotéis ou alojamentos devidamente certificados. Não temos tido pessoas a dormir em pavilhões, juntas de freguesia ou algo deste género. As pessoas que cá vêm, vêm como turistas. Se ponderarmos pôr essas pessoas em Centros de Estágio ou algo do género, poderíamos ainda receber mais pessoas. 

TI - Em termos de acessibilidades e tendo em conta que nesta prova participam atletas vindos dos quatro cantos do mundo, como é fazer chegar os atletas ao Faial?

ML - Fazer chegar os atletas ao Faial de países europeus ou de outro local à excepção de Lisboa é muito difícil. Os atletas que vêm da Europa têm de obrigatoriamente de pernoitar uma noite em Lisboa ou em Ponta Delgada na vinda e no regresso. Muitos destes atletas não são profissionais, têm os seus empregos e deste modo perdem dias de trabalho. Para alguns atletas nacionais a situação é a mesma, por exemplo se vierem do Porto ou do Funchal.É difícil cá chegar. Além da dificuldade, os lugares nos voos esgotam. E muitas vezes temos cancelamentos devido a esse facto.

TI - Acha que essas situações desmotivam um pouco?

ML - Sim, completamente. A razão para virem à prova tem de ser muito forte. Aliás, nós temos um trabalho muito bem feito de divulgação e promoção para termos o número de atletas que temos . 

Temos um atleta do Japão. Numa simulação num motor de busca normal da internet, de Tóquio para o Faial a viagem custa 4400 euros. Uma viagem da Suíça para o Faial marcada numa agência de viagens custa 2700 euros. Tivemos viagens Lisboa/Horta a mais de 600 euros. É muito difícil, as pessoas estão a pagar um preço muito elevado e a perderem muito tempo na viagem, mas mesmo assim vêm. 

Nós estamos numa ilha dos Açores que, embora tenha voos diretos, é uma ilha periférica. Conseguimos ter pessoas que vêm nos voos inter-ilhas, através do Pico. A gateway do Pico é importante para trazer pessoas. Em relação aos voos inter-ilhas, encontram-se muito cheios com o tráfego local. Temos pessoas neste momento em lista de espera que fazem Porto/Terceira e não tem voo Terceira/Horta. O grosso das pessoas quer chegar cá na sexta e ir embora no domingo; a partida do voo de domingo também não é nada interessante para a economia local, pois  sai de manhã e as pessoas perdem o domingo, que poderia ser aproveitado para dar um passeio pela ilha . Portanto, se tivessemos um voo mais tardio  seria essencial para atletas e acompa-nhantes desfrutarem da ilha e deixarem dinheiro na economia local. 

TI -Acha que a SATA nessas alturas deveria reforçar os voos?

ML - Sim, acho que deveria reforçar os voos, e haver uma oferta da disponibilidade mais cedo. Estamos sempre em conversações com a SATA, que nos tem apoiado essencialmente no transporte de alguma carga, e esperamos que em 2018 exista mais articulação entre os voos e a procura que existe nesta altura. 

TI - O ATR®  também se faz um pouco através dos voluntários. Relativamente a esse assunto, como tudo se processa?

ML - Os voluntários são essenciais. Queremos ter cada vez mais voluntários. Ser voluntário não é só fazer parte da lista; ser voluntário é ser organização. Os voluntários não são só aqueles que estão no dia da prova pelos trilhos; são os que ajudam à divulgação, que dão informações, que no dia da prova são simpáticos com os atletas... Trata-se da ilha sentir isto como um evento seu e importante. 

Adoro ver os miúdos que vão para a escola com as nossas camisolas vestidas; as pessoas que vão de férias e estão a divulgar o trail e a ilha, ou seja, o voluntário é todo aquele que ajuda e divulga de uma forma ou outra esta prova.

Gostávamos de ter mais gente nos tri-lhos, a apoiar os atletas. Este é um evento que merece que se pare tudo neste dia e que tudo seja feito em prol e em direção ao evento. 

TI - A modalidade do Trail Run tem vindo a crescer na ilha. Considera que este crescimento se deve às provas do ATR®?

ML - Este crescimento deve-se essencialmente ao ATR® e ao facto das pessoas cada vez mais se preocuparem com a sua saúde e perceberem que através das atividades físicas podem melhorar bastante a sua qualidade de vida e autoestima. A corrida tem uma forte componente física e mental e sentimo-nos quando vamos fazer uma atividade na natureza. As pessoas percebem que isto é uma grande mais valia para o seu dia a dia. Hoje em dia as pessoas vão fazer uma prova ou treino de trail running à chuva, chegam a casa cheias de lama, mas chegam contentes e satisfeitas. 

Temos feito uma grande campanha na componente de saúde. As pessoas estão mais saudáveis. Algumas deixaram de fumar, passaram a dormir mais horas, entre outros aspetos… as pessoas são mais felizes. 

TI - O ATR® já se tornou num evento de referência. Esta prova desde o seu início injetou na economia faialense muitos milhares de euros, com restaurantes e hotéis lotados nestes dias. Sente que os faialenses reconhecem o este trabalho e dedicação?

ML - Penso que os faialenses se orgulham deste evento até porque têm quase todos, dentro da sua casa, alguém que corre ou que é voluntário ou está de algum modo ligado ao evento. 

Acho que o que ainda falta é manifestarmos este reconhecimento de forma ativa, saindo à rua, participando, oferecendo ajuda porque a organização precisa de ajuda de todos os tipos. Precisa que nos sejam feitas críticas, negativas e positivas, para que possamos refletir e perceber o que podemos fazer para melhorar .

TI - E o Governo Regional?

ML –Sim, o Governo dos Açores tem desde a primeira hora apoiado o evento com grande empenho e percebendo claramente que isto potencia aquilo que melhor temos, que é a nossa natureza, que deve ser vivida de uma forma ativa.

TI - Este evento tem sido apoiado pelas entidades locais e governamentais?

ML - O evento tem sido apoiado pela Câmara Municipal da Horta, pelo Governo Regional, que é o principal patrocinador, e tem sido apoiado, dentro das limitações da economia local, por algumas empresas locais. Tem condições para ser ainda mais apoiado, ou seja, a nível financeiro não temos tido grandes apoios além dos das entidades públicas. Mas, mais do que esses apoios, precisamos de apoio logístico, inteletual, com ideias, contributos. Dando um exemplo para me fazer explicar, quando temos uma gralha no nosso site é importante que nos digam. A organização é feita por voluntários, há muita coisa, muitos pormenores a pensar e todas as ajudas são bem vindas. É disto que precisamos. Se queremos ter as nossas provas nos circuitos mundiais e conhecidas mundialmente, precisamos de bastante mais apoio e permanente.

TI - Considera que existem condições e apoios para manter esta prova na ilha do Faial?

ML - Sim, a prova é no Faial. Nós temos um evento no Faial e dentro do evento temos provas e  estas provas só podem ser feitas no Faial. O Costa a Costa é na ilha do Faial, só podemos fazer a Rota dos Baleeiros no Faial, pois é aqui que temos este trilho. Mas podemos fazer outras provas em outras ilhas,  como é exemplo o Quilómetro Vertical na Ilha do Pico.

TI - Motiva-o as diversas solicitações que tem para organizar eventos semelhantes ao ATR na ilha de São Miguel?

ML - Sim, desde que cumpram determinados requisitos os eventos são semelhantes ao ATR®; são  eventos de desporto e natureza, nomeadamente trail ou outras atividades que permitem desfrutar da natureza. 

Com a chancela ATR® conseguimos ter uma oferta diversificada ao longo do ano: esta prova em maio, no Faial e com o Km vertical na ilha do Pico; a Triangle Adventure em outubro, nas ilhas do Pico, São Jorge e Faial; e o Columbus Trail, em fevereiro, em Santa Maria. São eventos ATR®, criados por nós. 

Existe muito potencial, mas devido à forte concorrência de eventos deste tipo em regiões também muito atrativas do ponto de vista do Turismo de Natureza, na minha opinião não faz sentido existirem eventos com o mesmo formato, com identidade semelhantes, inclusive com nomes muito semelhantes em datas muito próximas. Após o ATR®, têm aparecido eventos com distâncias iguais, com nomes semelhantes, praticamente nos mesmos dias. Penso que deve haver uma concertação entre diversas organizações e acho que é importante termos o Governo Regional mediar, nomeadamente ao nível da distribuição dos apoios, os diferentes eventos que existem nas diferentes ilhas. Não só o Governo Regional, também ao nível nacional a própria Associação Portuguesa de Trail Running deverá ter em atenção os calendários de forma a não conflituar umas provas com as outras.

A nível da região penso que se deve levar este tipo de eventos as ilhas mais periféricas e que têm maior dificuldade de acesso. Por exemplo, quando fizemos o evento em Santa Maria, foi possível criar uma dinâmica muito interessante na época baixado turismo. 

A nível mundial, com a multiplicidade de provas que existem considero que somos verdadeiros vencedores por termos tanto sucesso nesta prova, que decorre 15 dias depois da Transvulcânia, umas das maiores provas de trail nas Canárias, com milhares de participantes, com muita divulgação, patrocinada pela Salomon. No fim de semana da nossa prova decorre a principal prova mundial com uma distância de 42 Km. A prova tem mais de 8 mil candidatos a participar e só 500 conseguem dorsal. Nós conseguimos sobreviver a tudo isso, tendo atletas de renome na nossa prova. 

TI - Quer deixar alguma mensagem aos Faialenses?

ML - Apoiem a prova, promovam-na, partilhem informação e fotos dos eventos nas redes sociais, valorizem este evento é nosso, da nossa ilha e da nossa Região. Temos de nos orgulhar do que é nosso.              A chave do sucesso para termos evento com mais qualidade é sentirmos isto como algo muito importante, senão a prova acaba.

Uma dezena de atletas faialenses vão marcar presença na 9.ª edição Madeira Island Ultra Trail (MIUT®) que decorre de 19 a 23 de abril naquele arquipélago e que este ano vai reunir cerca de 2500 trailers.

Motivados pelo gosto pelas corridas e por esta modalidade os atletas de trail faialenses estão distribuídos pelas quatro provas que compõem o evento.

A prova principal, o MIUT (115km/7000D+), tem partida marcada para as 00h00 do dia 22 de abril, no centro da vila do Porto Moniz, percorrendo, numa primeira fase noturna, as veredas e as levadas da costa norte, tendo como referência o planalto do Paúl da Serra, com a meta em Machico, também ponto de chegada das outras três corridas. Esta prova atribui cinco pontos para a participação no Ultra-Trail du Mont-Blanc 2017.

A partida da prova Ultra (85km/4400D+) será dada às 07h00, na zona de São Vicente, em direção à Levada Fajã do Rodrigues, percorrendo o restante itinerário da prova MIUT.

Quanto à partida da prova Marathon (43km/1100D+) será dada às 11h00, próximo ao Centro de Recepção do Parque Ecológico do Funchal, com posterior subida em direção ao Pico do Areeiro. A fase final é percorrida na Levada, terá como pano de fundo o vale de Machico.

Já a partida da Mini (16Km/350D+) será dada às 09h00 de sábado, no centro do Porto da Cruz em direção à vereda do Larano, percorrendo o itinerário das restantes provas.

O MIUT® – Madeira Island Ultra Trail é organizado pelo Clube de Montanha do Funchal e apresenta-se como um dos maiores eventos nacionais de trail running uma vez que se assume como uma prova de referência da modalidade a nível internacional. No ano passado integrou, pela primeira vez, do circuito mundial Ultra Trail World Tour e pontua para o Campeonato Nacional de Trail Ultra Endurance 2017. 

 

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No passado dia 4 de abril jogou-se a 11.ª primeira jornada do Torneio de King 2017, que decorreu na Sociedade Filarmónica União Faialense e que reuniu 15 jogadores.

Em destaque neste encontro esteve Eugénio Botelho. O jogador terminou em primeiro ao atingir os 17,4 pontos no total de mesa. Apesar da vitória, manteve a sua posição na classificação geral não conseguindo ultrapassar Nelson Pimentel que segue na liderança e que nesta jornada terminou em segundo com 17,3, apenas a uma milésima de diferença.

Em terceiro classificou-se Mário Serpa que totalizou 16,3 e em quarto ficou António Sousa com 12,9 pontos. O quinto lugar foi ocupado por Luís Cardoso com 12,9 pontos, que manteve também o quinto lugar da classificação geral.

No que se refere à classificação geral, o pódio mantem-se. Na liderança encontra-se Nelson Pimentel, com 152,8 pontos, seguido de perto por Eugénio Botelho, que soma 147,5 e em terceiro José Leitão que totaliza 142,4 pontos.

Em quarto está Ivan Leitão com 138,0 e Luís Cardoso fecha o top cinco com 130 pontos.

 

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