Tribuna das Ilhas

sexta, 31 março 2017 15:46

“Precisamos de uma nova visão governativa para os Açores”

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Como decidiu enveredar pela vida política?
Acho que não é algo que se decida ou que se escolha, é muito mais complexo e intricado do que isso. Sempre fui muito ativa e muito dinâmica desde que me lembro de ser “gente”, fosse por ter uma espécie de “bichinho carpinteiro” ou fosse por, simplesmente, querer participar nas coisas, coisas essas que variaram desde o atletismo, ao Clube Anti-sida, ao Clube Europeu, à Filarmónica (que rapidamente descobri que não era a minha “praia”), entre outras.
Essa vontade de participar, de ter voz audível, de ter uma opinião, mesmo sem associação ideológica a um movimento partidário, são manifestamente uma forma de atuação política, embora a um nível completamente diferente do que agora tenho. Por outras palavras, já estava na política mesmo sem ser política, portanto julgo que é a partir daí que as coisas se desencadeiam e desenvolvem naturalmente, sem grandes planos ou projetos prévios.

Quais são os objetivos que traçou para esta legislatura?
Acima de tudo pretendo estar ao nível das expetativas que o povo açoriano, com o seu voto, depositou na minha pessoa. Trabalhar, trabalhar, trabalhar e dar o máximo de mim mesmo na mais pequena coisa que faça, porque tudo conta e tudo importa.
Fazer oposição não é fácil, requer de-dicação, perseverança, consistência e muito empenho e é tudo isso que tenho em mente para esta legislatura. Estamos aqui para fiscalizar a ação governativa, denunciado quaisquer irregularidades e apresentando alternativas viáveis, úteis e desejáveis e não me demito de qualquer uma dessas responsabilidades.

Que análise faz aos Açores?
Considero-me uma felizarda por ter nascido e por viver nesta linda Terra e não me imagino em qualquer outro lugar. Aliás, foi esse sentimento de pertença que me impediu de procurar melhores condições fora da Região e do País nos últimos quatro anos.
Temos um potencial enorme, pessoas afáveis e trabalhadoras, paisagens apaixonantes, consideráveis recursos naturais e condições para alcançar um mais elevado patamar de desenvolvimento que teima e se manter inalcançável. Isso é, a meu ver, deveras preocupante.
Continuamos com maus resultados na educação, aquele que é o pilar de desenvolvimento de uma qualquer sociedade, os indicadores da Saúde também deixam a desejar e a agricultura e as pescas atravessam momentos muito difíceis.
Esta realidade impõe uma nova visão e um modelo de atuação governativa diferente do que temos atualmente. Acima de tudo, é preciso fomentar o desenvolvimento económico e social de cada uma das nove parcelas de território que compõem a Região, para que finalmente consigamos atingir o desejável e almejado patamar de desenvolvimento que está uns bons degraus acima daquele em que nos encontramos.

As sessões plenárias são o auge de todo um trabalho diário desenvolvido ao longo do mês. Como as encara?
Encaro-as como sendo parte integrante do trabalho e desempenho-o com a mesma responsabilidade e dedicação que desempenho todo o trabalho restante.
As sessões plenárias podem eventualmente constituir a parte mais visível do trabalho dos deputados, mas não são, de todo, o auge, nem o culminar desse trabalho.
Trabalhamos diariamente e muito do trabalho que fazemos fora do plenário, para não dizer todo, acaba por não ser visível. Esta realidade faz com que grande parte da população tenha uma desconsideração pelos deputados, achando que não trabalham e que não “merecem o que ganham”. É por esta razão que julgo que a par de uma revisão do Regimento, por forma a tornar mais proveitoso e ajustado à realidade atual o trabalho nas sessões plenárias, seria importante revelar ou desmistificar o trabalho de um deputado fora dessas sessões.

O que gostava de ver acontecer nestes quatro anos?
Gostava de ver uma verdadeira aposta na economia dos Açores para que ela se fortaleça, para que tenhamos empresas sólidas, para que tenhamos mais e melhor emprego e para que as famílias açorianas possam ter me-lhores condições de vida.
Gostava, ainda, que se desse um salto quântico na educação e que os resultados nos seus diversos indicadores passassem a ser consideravelmente melhores do que são atualmente, criando condições para uma sociedade desenvolvida, forte, “saudável” e livre de dependências.
Gostaria certamente de muitas outras coisas, mas seriam estes dois os principais desejos para esta Terra nos próximos quatro anos, desejos esses que acredito piamente serem passíveis de concretização e alcance.
MJS

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