Tribuna das Ilhas

O Azores Trail Run® (ATR®) é uma prova de Trail Running organizada pelo Clube Independente de Atletismo Ilha Azul, que se realiza no Faial desde 2014.
Com apenas quatro anos, o ATR® apresenta-se já como o evento de desporto de natureza mais expressivo da Região, que traz à ilha do Faial centenas de atletas vindos dos quatro cantos do mundo.
Desde a sua primeira edição que o número de inscritos mais do que triplicou, aumentando também o número de nacionalidades presentes, o que mostra a forte internacionalização que a prova tem atingido, já tendo passado pelo evento mais de 40 nacionalidades de atletas.
Considerado já uma das provas mais importantes do calendário nacional de trail running, o ATR® conseguiu também colocar os Açores no mapa mundial do trail running, sendo bastante referenciado internacionalmente.
O Parque Natural do Faial volta a receber amanhã mais uma edição deste evento, desta vez com cerca de 700 atletas esperados nas linhas de partida das várias provas, vindos de 23 países diferentes. 
Em vésperas do arranque da prova, Tribuna das Ilhas esteve à conversa com Mário Leal, coordenador do evento e diretor das provas que o compõem e um dos impulsionadores da modalidade no Faial 
e no arquipélago, sendo considerado  como o “pai do Trail”. 

Tribuna das Ilhas - Como nasceu e porque decidiram criar o Azores Trail Run®?

Mário Leal - O ATR® começa efetivamente sem se chamar Azores Trail Run®, em 2011, quando começo a falar de trail no Jardim Botânico do Faial, com o João Melo e com outros funcionários. Começo a falar da corrida em trilhos e a mostrar imagens e videos de paisagens de pessoas a correr. Lembro-me de dizer que tínhamos paisagens até melhores do que aquelas, e que podía-mos estar perante uma atividade interessante. No início de 2012, com a comemoração dos 40 anos da reserva natural da Caldeira e da Montanha do Pico, o Parque Natural do Faial (PNF) faz uma corrida no Trilho dos 10 Vulcões, recentemente criado, já com a designação de trail, com poucos participantes em que se faz a corrida entre a Caldeira e o Vulcão dos Capelinhos, que hoje em dia tem um traçado diferente. 

Em 2013 voltou-se a organizar o evento, ainda com poucos participantes e a partir daí começa-se a ver também mais pessoas a usar os trilhos para correr. Em 2014, também em conversas informais, pensa-se em fazer algo com uma dimensão maior para atrair pessoas do exterior. Pensámos organizar algo quase como uma aventura, uma expedição. Eu tinha pessoas conhecidas que corriam e começámos a apercebermo-nos que o ideal seria promover uma prova de maior dimensão e para um público alvo exterior à ilha, um evento maior. Come-çámos a trabalhar no final de 2013, início de 2014 e rapidamente tínhamos todos os ingredientes. Registámos a marca Azores Trail Run®, pedimos apoio ao Turismo e decidimos fazer uma apresentação pública do evento no mês de fevereiro. Já tínhamos algumas pessoas com interesse em vir co-nhecer os Açores mas não estávamos à espera de ter muitos inscritos até porque as viagens eram caras e as organização desconhecida. Nessa primeira edição o evento, era composto por duas provas, o Trilho dos 10 Vulcões com 22km e o Faial Costa a Costa de 48km. Conseguimos reunir 200 participantes de 14 nacionalidades. Foi um sucesso. 

Dá-se então um forte impulso à atividade e começamos logo a pensar em repetir e em fazer melhorias nos trilhos e no próprio evento, e conseguimos alargá-lo ao Triângulo.

No entanto, o conjugar destes fatores que permitiram que este evento existisse começou muitos anos antes com cami-nhadas e descidas à Caldeira que eu fazia com o João Melo e  outros amigos. Por outro lado, penso que a minha formação base em geografia e ambiente ajuda muito a que se consiga ter os todos os ingre-dientes que as pessoas procuram quando cá vêm às provas e mesmo fora delas. 

TI -O ATR® começou no Faial mas já se estendeu ao Pico, São Jorge e Santa Maria. O que motivou a organização a levar o evento a ou-tras ilhas dos Açores?

ML - O evento do Triângulo, que é feito em outubro, fez-nos perceber que há espaço para haver mais provas, sobretudo em época baixa. Este evento surge no conceito dos eventos por etapas: vários dias a correr. São eventos muito procurados. 

Para termos ideia, existem eventos de 8 e mais dias, a nossa prova é de 3 dias. Este é um evento delineado para menos parti-cipantes por questões logísticas e de segurança, que traz uma promoção das ilhas durante mais dias, em que temos as bases (os trilhos), e o apoio da comunidade onde estão inseridos. 

Quando registámos a marca já era com ideia de sermos o “chapéu de chuva” de atividades em trilhos pedestres que sejam homologadas pela Região. Depois, o alargar a Santa Maria vem no mesmo sentido: aproveitar as potencialidades das ilhas mais periféricas em época muito baixa (fevereiro), aliando o facto de ter tri-lhos pedestres homologados à nossa convição de que, dentro do turismo de natureza, o trail tem um papel fundamental na divulgação e promoção ambiental e cultural da nossa Região. 

TI -Neste momento, o ATR® tenciona chegar a outras ilhas?

ML - É possível chegar a outras ilhas, mas neste momento estamos mais focados numa maior internacionalização; numa maior consolidação das provas que já existem e também em desenvolver outras valências no que diz respeito à fruição da natureza de forma ativa, nomeadamente os Centros de Trail, ou seja, criarmos marcações definitivas de trail nos trilhos que já são utilizados e em novos trilhos, criarmos infraestruturas para quem já faz trail poder deixar por exemplo, as chaves do carro, tomar duche, ter informação sobre o que pode fazer, criar marcações no terreno, criar sites, Apps e  até termos um controle do número de pessoas que estão a usar os trilhos e onde se posicionam.

Primeiro do que fazer outras provas, e uma vez que existem agências especia-lizadas em trail que começam a procurar os Açores e os nossos trilhos todo o ano, é preciso prepararmo-nos para este fenómeno. Sabemos que existem organizações interessadas em trazer grupos de 20, 30, 40 pessoas para correr no Faial, daí a importância de termos trilhos sinalizados e as infraestruturas preparadas, fora das  provas, para que possam essas mesmas organizações criar o seu próprio evento. 

Tenho conhecimento, por exemplo, de atletas húngaros, de elite, que já estiveram a treinar nos Açores este ano, bem como atletas do Japão e da Itália.  

TI - Apesar de não ter sinalética própria para trail Running os tri-lhos estão identificados e é muito fácil percorrê-los…

ML - Atualmente já temos um trilho sinalizado para trail. A rede de trilhos dos Açores está devidamente marcada para pedestrianismo, com sinalética própria que nem sempre é a ideal para corrida, porque se a pessoa não tiver a sinalética específica pode perder-se, daí a necessidade de criar centros com tri-lhos devidamente marcados. 

TI - Edição após edição o ATR® tem apresentado novas provas. Será que há a necessidade de alargar a oferta?

ML -A necessidade passa por atrair um leque mais abrangente de pessoas, sejam pessoas que vêm do exterior, sejam os próprios locais. Também a nível de horários de partidas e chegadas há várias condições a ter em conta, como seja o facto de haver pessoas que só conseguem chegar ao Faial na quinta-feira e outras que só conseguem chegar no sábado e assim conseguem todas participar no ATR®.

Ao nível das distâncias, e dos graus de dificuldade, importa perceber que existem pessoas que são capazes de correr uma Ultra Maratona mas que em maio, não querem correr uma prova tão longa. Assim podem cá vir e correr 40kms, 20 ou 25kms ou acompanham mesmo o amigo que vai correr os 120kms. 

No caso concreto deste ano, o facto de termos uma prova longa surge da necessidade de conseguir integrar o ca-lendário das provas longas mundiais. Está demons-trado que as pessoas deslocam-se para participar em corridas mais longe, quanto maior é a distância a correr, ou seja, a pessoa é capaz de vir da Austrália aos Açores correr 120kms, mas se for para correr 40kms já não vem… 

TI - Este ano o ATR® aposta numa prova de 126kms. A que se deve a sua criação e quais são as expetativas da organização?

ML -Nós fomos crescendo gradualmente. Queremos ter provas com qualidade e que atraiam as pessoas. A distância pode ser algo interessante mas não é primordial, tanto é que existem provas curtas que atraem milhares de pessoas. 

Criar uma prova longa numa ilha com a dimensão do Faial parecia-nos uma tarefa difícil, à primeira vista, e nós não queríamos criar uma prova longa só por criar. Podíamos fazer como no Havai, onde existe uma das provas mais famosas de trail do mundo, a HURT, com 162kms, em que as pessoas passam quatro vezes no mesmo local. Podíamos fazer algo deste género aqui, e conseguíamos, mas um trabalho de pesquisa, com muitos contatos com a população e amigos que gostam da modadildade, levou a perceber que temos trilhos capazes de criar uma prova com um traçado coerente, com mais de 100kms e que essa prova conseguia ter uma base sociocultural, histórica e ambiental, assim surge a Rota dos Baleeiros. 

No Faial existe um Roteiro Cultural do Património, dedicado à tradição baleeira, feito pela Direção Regional da Cultura e conseguimos ligar os pontos de interesse cultural desta rota através de trilhos. Já o fazíamos anteriormente, mas agora vamos torná-la mais completa. Nesta prova temos abastecimentos em impérios do Espírito Santo, o que acho interessante porque faz com que tenhamos as forças vivas das freguesias empenhadas em ajudar quer nas marcações dos trilhos, quer nos abastecimentos, quer no apoio aos atletas. 

TI - O ATR® tem tido uma preocupação em ligar o desporto à cultura e envolver a comunidade… Porquê?

ML - É essencial para o sucesso. Nós trabalhamos com um público que procura neste tipo de eventos uma grande va-riedade de emoções. 

Para atrairmos visitantes o percurso tem que lhes dizer alguma coisa. Temos as nossas paisagens mas isso só não chega. A parte sociocultural está sempre presente na filosofia de um desporto ativo de natureza, em que há uma forte relação entre o atleta, o turista e o espaço que ele está a visitar. 

TI –É isso que marca a diferença das provas realizadas pelo ATR®?

ML –Sim, o facto de ligarmos as questões culturais, históricas, sociais e ambientais ao desporto. É termos o cuidado das provas percorrerem trilhos pedestres homologados. Viemos, de uma forma única e pioneira, incorporar uma forte mais valia económica aos trilhos pedestres. As pessoas vêm propositadamente utilizar os trilhos para esta atividade quando, na maior parte das vezes, estes são uma oferta complementar turística. Neste caso, o turista vem devido aos trilhos pedestres e as outras atividades que são complementares.

TI -O que podem esperar os atletas que marcam presença neste evento?

ML- Podem esperar o que já vem sendo oferecido ao longo dos últimos anos. Temos atividades culturais, educacionais, palestras, informação aos atletas, relacionada com comportamentos despor-tivos... Temos o Trails in Motion, que é um festival de cinema internacional. Damos a cada um dos atletas um saco com produtos regionais que é muito atrativo mas que é para nós uma dificuldade, uma vez que não temos tecido empresarial que permita termos muitos apoios neste sentido.

Este ano temos uma parceria muito importante com a ANA, Aeropor-tos/Vinci, em que os atletas quando chegarem à ilha já estão no Trail. É o exemplo de uma empresa que percebeu as vantagens do trail e se associou a nós. 

TI - Que análise faz ao crescimento da prática deste desporto no Faial e mesmo nos Açores?

ML - Isto acompanha o crescimento do turismo. O trabalho que tem sido feito na divulgação da Região acompanha a          consciencialização cada vez maior por parte da sociedade para a saúde, bem estar físico e questões do ambiente. As pessoas cada vez mais querem conhecer o ambiente para o proteger, para um desenvolvimento sustentável, e isso é um fenómeno que, nas sociedades desenvolvidas, está em forte crescimento. Os Açores são mais um exemplo disso. Temos os ingredientes todos para uma atividade que é atual e contemporânea: a saúde, o bem estar pessoal e social e a qualidade ambiental, são potenciadas através do desporto de natureza.

TI -Tem consciência do impacto económico e financeiro que este evento traz à economia do Faial? A organização do ATR® faz algum tipo de inquérito aos concorrentes?

Nós não temos dados concretos. Temos feito inquéritos mas é fácil percepcionar que temos aviões completamente cheios, assim como a hotelaria. Há pessoas que vem de muito longe, de outros continentes, e que chegam pela ilha São Jorge, de barco, às 23:00 de sexta-feira, ou seja, com muita vontade de cá chegar. 

Procuramos adquirir tudo o que necessitamos para o evento no mercado local. Ao longo de todo o ano as pessoas que vivem cá, treinam cá, as pessoas que vêm cá em trabalho e treinam na ilha, as pessoas que vêm cá de férias e usam os nossos trilhos, dinamizam a nossa economia.

O fator promocional e o impacto que tem, é muito difícil de quantificar. O Faial tem uma projeção enorme. O ATR® tem a página Facebook com grande visibilidade a nível regional, temos a maior página de seguidores de trail do país... Isso colocou o Faial no mundo e tem um impacto muito grande. 

Os atletas ficam aqui em média de 3 a 5 dias. Há uma forte vontade por parte das pessoas de cá voltar e conhecer a ilha. Naqueles dias vamos aos cafés e estão cheios, os restaurantes estão igualmente cheios. As ruas estão cheias de atletas e acompanhantes, os alojamentos locais não tem mãos a medir, ou seja, é um impacto muito significativo. Se tivermos em linha de conta que mais de 500 atletas são de fora dos Açores o impacto é enorme. Há atletas que chegam uma semana antes.

TI - Em apenas quatro edições o ATR® já conseguiu o reconhecimento nacional ao integrar os circuitos oficiais da Associação de Trail Running de Portugal. Que mais espera ainda conseguir? É possível aspirar à integração nos circuitos mundiais?

É muito importante ter provas nos circuitos mundiais, importa ter provas em que a procura por lugares na linha de partida excede fortemente a oferta. É assim que se mede o sucesso das provas de trail. Ter uma procura maior que a oferta de lugares disponíveis. Queremos integrar as nossas provas em circuitos mundiais de renome e é para isso que estamos a traba-lhar. 

Já temos as nossas provas a pontuar para o UTMB (Ultra Trail du Mont-Blanc), somos associados da Associação Interna-cional de Trail Run (ITRA), neste momento acabei de ser eleito representante dos organizadores a nível nacional junto da ITRA, e inclusive já vamos ter uma prova a pertencer ao circuito mundial de Skyrunning.

Para integrar qualquer circuito mundial é necessário pagar taxas elevadas e para isso temos de fazer crescer bastante o nosso orçamento, e consequentemente os nossos apoios. 

TI - Falando um pouco de logística, como se de pé uma prova com esta dimensão?

ML - É algo gigantesco… Muitas vezes é difícil de transmitir. São dezenas de pessoas envolvidas. O trabalho que é feito em silêncio o ano todo, os milhares e milhares de kms que são feitos a pé e de carro para que tudo seja montado, o trabalho que é feito por todos os trabalhadores e operários de juntas de freguesia, Parque Natural, entre outros serviços governamentais para que tudo esteja conforme, é incrível.

No dia da prova é fácil perceber que temos marcados mais de 135 kms de tri-lhos, com fitas e refletores visíveis de uns para outros.

Para adquirir alguns dos produtos para os abastecimentos não há capacidade na ilha. Se tentarmos comprar tês mil bananas no Faial para o dia do Trail não conseguimos. São consumidas muitas toneladas de água, muitos quilos de favas fritas, batatas fritas, amendoins, coca cola, tomates, laranjas, bolos de fruta... Só para pôr isso tudo a mexer e estar tudo sincronizado do primeiro ao último atleta, temos que ter uma rede enorme de pessoas e trabalho. São milhares de mails, telefonemas, comunicações…

TI -Em relação à capacidade hoteleira da ilha, considera que há resposta às solicitações que surgem nesta altura?

ML - Com a tendência de crescimento do turismo que se tem vindo a verificar e com o aumento do numero de participantes no evento, temos algumas dificuldades a este nível. As marcações para o trail têm que ser feitas com cada vez maior antecedência. Agora, com o surgimento de muitos alojamentos locais, começa a verificar-se uma ajuda neste sentido mas o nosso problema principal são os transportes aéreos.

Os horários e o número de voos para estes dias têm que ser reforçados. Temos capacidade para alojar mais pessoas. Ao contrário do que se verifica em outras provas de trail, as pessoas ficam todas alojadas em hotéis ou alojamentos devidamente certificados. Não temos tido pessoas a dormir em pavilhões, juntas de freguesia ou algo deste género. As pessoas que cá vêm, vêm como turistas. Se ponderarmos pôr essas pessoas em Centros de Estágio ou algo do género, poderíamos ainda receber mais pessoas. 

TI - Em termos de acessibilidades e tendo em conta que nesta prova participam atletas vindos dos quatro cantos do mundo, como é fazer chegar os atletas ao Faial?

ML - Fazer chegar os atletas ao Faial de países europeus ou de outro local à excepção de Lisboa é muito difícil. Os atletas que vêm da Europa têm de obrigatoriamente de pernoitar uma noite em Lisboa ou em Ponta Delgada na vinda e no regresso. Muitos destes atletas não são profissionais, têm os seus empregos e deste modo perdem dias de trabalho. Para alguns atletas nacionais a situação é a mesma, por exemplo se vierem do Porto ou do Funchal.É difícil cá chegar. Além da dificuldade, os lugares nos voos esgotam. E muitas vezes temos cancelamentos devido a esse facto.

TI - Acha que essas situações desmotivam um pouco?

ML - Sim, completamente. A razão para virem à prova tem de ser muito forte. Aliás, nós temos um trabalho muito bem feito de divulgação e promoção para termos o número de atletas que temos . 

Temos um atleta do Japão. Numa simulação num motor de busca normal da internet, de Tóquio para o Faial a viagem custa 4400 euros. Uma viagem da Suíça para o Faial marcada numa agência de viagens custa 2700 euros. Tivemos viagens Lisboa/Horta a mais de 600 euros. É muito difícil, as pessoas estão a pagar um preço muito elevado e a perderem muito tempo na viagem, mas mesmo assim vêm. 

Nós estamos numa ilha dos Açores que, embora tenha voos diretos, é uma ilha periférica. Conseguimos ter pessoas que vêm nos voos inter-ilhas, através do Pico. A gateway do Pico é importante para trazer pessoas. Em relação aos voos inter-ilhas, encontram-se muito cheios com o tráfego local. Temos pessoas neste momento em lista de espera que fazem Porto/Terceira e não tem voo Terceira/Horta. O grosso das pessoas quer chegar cá na sexta e ir embora no domingo; a partida do voo de domingo também não é nada interessante para a economia local, pois  sai de manhã e as pessoas perdem o domingo, que poderia ser aproveitado para dar um passeio pela ilha . Portanto, se tivessemos um voo mais tardio  seria essencial para atletas e acompa-nhantes desfrutarem da ilha e deixarem dinheiro na economia local. 

TI -Acha que a SATA nessas alturas deveria reforçar os voos?

ML - Sim, acho que deveria reforçar os voos, e haver uma oferta da disponibilidade mais cedo. Estamos sempre em conversações com a SATA, que nos tem apoiado essencialmente no transporte de alguma carga, e esperamos que em 2018 exista mais articulação entre os voos e a procura que existe nesta altura. 

TI - O ATR®  também se faz um pouco através dos voluntários. Relativamente a esse assunto, como tudo se processa?

ML - Os voluntários são essenciais. Queremos ter cada vez mais voluntários. Ser voluntário não é só fazer parte da lista; ser voluntário é ser organização. Os voluntários não são só aqueles que estão no dia da prova pelos trilhos; são os que ajudam à divulgação, que dão informações, que no dia da prova são simpáticos com os atletas... Trata-se da ilha sentir isto como um evento seu e importante. 

Adoro ver os miúdos que vão para a escola com as nossas camisolas vestidas; as pessoas que vão de férias e estão a divulgar o trail e a ilha, ou seja, o voluntário é todo aquele que ajuda e divulga de uma forma ou outra esta prova.

Gostávamos de ter mais gente nos tri-lhos, a apoiar os atletas. Este é um evento que merece que se pare tudo neste dia e que tudo seja feito em prol e em direção ao evento. 

TI - A modalidade do Trail Run tem vindo a crescer na ilha. Considera que este crescimento se deve às provas do ATR®?

ML - Este crescimento deve-se essencialmente ao ATR® e ao facto das pessoas cada vez mais se preocuparem com a sua saúde e perceberem que através das atividades físicas podem melhorar bastante a sua qualidade de vida e autoestima. A corrida tem uma forte componente física e mental e sentimo-nos quando vamos fazer uma atividade na natureza. As pessoas percebem que isto é uma grande mais valia para o seu dia a dia. Hoje em dia as pessoas vão fazer uma prova ou treino de trail running à chuva, chegam a casa cheias de lama, mas chegam contentes e satisfeitas. 

Temos feito uma grande campanha na componente de saúde. As pessoas estão mais saudáveis. Algumas deixaram de fumar, passaram a dormir mais horas, entre outros aspetos… as pessoas são mais felizes. 

TI - O ATR® já se tornou num evento de referência. Esta prova desde o seu início injetou na economia faialense muitos milhares de euros, com restaurantes e hotéis lotados nestes dias. Sente que os faialenses reconhecem o este trabalho e dedicação?

ML - Penso que os faialenses se orgulham deste evento até porque têm quase todos, dentro da sua casa, alguém que corre ou que é voluntário ou está de algum modo ligado ao evento. 

Acho que o que ainda falta é manifestarmos este reconhecimento de forma ativa, saindo à rua, participando, oferecendo ajuda porque a organização precisa de ajuda de todos os tipos. Precisa que nos sejam feitas críticas, negativas e positivas, para que possamos refletir e perceber o que podemos fazer para melhorar .

TI - E o Governo Regional?

ML –Sim, o Governo dos Açores tem desde a primeira hora apoiado o evento com grande empenho e percebendo claramente que isto potencia aquilo que melhor temos, que é a nossa natureza, que deve ser vivida de uma forma ativa.

TI - Este evento tem sido apoiado pelas entidades locais e governamentais?

ML - O evento tem sido apoiado pela Câmara Municipal da Horta, pelo Governo Regional, que é o principal patrocinador, e tem sido apoiado, dentro das limitações da economia local, por algumas empresas locais. Tem condições para ser ainda mais apoiado, ou seja, a nível financeiro não temos tido grandes apoios além dos das entidades públicas. Mas, mais do que esses apoios, precisamos de apoio logístico, inteletual, com ideias, contributos. Dando um exemplo para me fazer explicar, quando temos uma gralha no nosso site é importante que nos digam. A organização é feita por voluntários, há muita coisa, muitos pormenores a pensar e todas as ajudas são bem vindas. É disto que precisamos. Se queremos ter as nossas provas nos circuitos mundiais e conhecidas mundialmente, precisamos de bastante mais apoio e permanente.

TI - Considera que existem condições e apoios para manter esta prova na ilha do Faial?

ML - Sim, a prova é no Faial. Nós temos um evento no Faial e dentro do evento temos provas e  estas provas só podem ser feitas no Faial. O Costa a Costa é na ilha do Faial, só podemos fazer a Rota dos Baleeiros no Faial, pois é aqui que temos este trilho. Mas podemos fazer outras provas em outras ilhas,  como é exemplo o Quilómetro Vertical na Ilha do Pico.

TI - Motiva-o as diversas solicitações que tem para organizar eventos semelhantes ao ATR na ilha de São Miguel?

ML - Sim, desde que cumpram determinados requisitos os eventos são semelhantes ao ATR®; são  eventos de desporto e natureza, nomeadamente trail ou outras atividades que permitem desfrutar da natureza. 

Com a chancela ATR® conseguimos ter uma oferta diversificada ao longo do ano: esta prova em maio, no Faial e com o Km vertical na ilha do Pico; a Triangle Adventure em outubro, nas ilhas do Pico, São Jorge e Faial; e o Columbus Trail, em fevereiro, em Santa Maria. São eventos ATR®, criados por nós. 

Existe muito potencial, mas devido à forte concorrência de eventos deste tipo em regiões também muito atrativas do ponto de vista do Turismo de Natureza, na minha opinião não faz sentido existirem eventos com o mesmo formato, com identidade semelhantes, inclusive com nomes muito semelhantes em datas muito próximas. Após o ATR®, têm aparecido eventos com distâncias iguais, com nomes semelhantes, praticamente nos mesmos dias. Penso que deve haver uma concertação entre diversas organizações e acho que é importante termos o Governo Regional mediar, nomeadamente ao nível da distribuição dos apoios, os diferentes eventos que existem nas diferentes ilhas. Não só o Governo Regional, também ao nível nacional a própria Associação Portuguesa de Trail Running deverá ter em atenção os calendários de forma a não conflituar umas provas com as outras.

A nível da região penso que se deve levar este tipo de eventos as ilhas mais periféricas e que têm maior dificuldade de acesso. Por exemplo, quando fizemos o evento em Santa Maria, foi possível criar uma dinâmica muito interessante na época baixado turismo. 

A nível mundial, com a multiplicidade de provas que existem considero que somos verdadeiros vencedores por termos tanto sucesso nesta prova, que decorre 15 dias depois da Transvulcânia, umas das maiores provas de trail nas Canárias, com milhares de participantes, com muita divulgação, patrocinada pela Salomon. No fim de semana da nossa prova decorre a principal prova mundial com uma distância de 42 Km. A prova tem mais de 8 mil candidatos a participar e só 500 conseguem dorsal. Nós conseguimos sobreviver a tudo isso, tendo atletas de renome na nossa prova. 

TI - Quer deixar alguma mensagem aos Faialenses?

ML - Apoiem a prova, promovam-na, partilhem informação e fotos dos eventos nas redes sociais, valorizem este evento é nosso, da nossa ilha e da nossa Região. Temos de nos orgulhar do que é nosso.              A chave do sucesso para termos evento com mais qualidade é sentirmos isto como algo muito importante, senão a prova acaba.

Os Açores são o ponto de encontro de espécies de fauna e flora únicos, provenientes dos continentes e ilhas que os rodeiam, que contam uma história natural de viagens transatlânticas, colonização e sobrevivência. O clima temperado oceânico aqui preserva espécies com milhões de anos e já extintas nos seus locais de origem, ao mesmo tempo que molda a evolução para a criação de novas espécies. Estas ilhas enquadram-se num contexto geodinâmico único, o que lhes confere uma atividade sísmica e vulcânica relevante originando paisagens sublimes e muito recentes.
Para preservar este valioso património criou-se o Parque Natural do Faial, cuja missão é garantir que os valores biológicos e geológicos sejam mantidos para que se perpetuem em gerações futuras, e proporcionem riqueza e desenvolvimento sustentável para esta ilha. O Parque Natural foi considerado, em 2011, pela Comissão Europeia “Destino Europeu de Exce-lência” e em 2016, arrecadou o prémio “Experiência da Natureza” com a descida acompanhada à Reserva Natural da Caldeira.
Atualmente, o Parque Natural do Faial tem sob sua gestão 13 áreas protegidas, que incluem as paisagens mais emblemáticas da ilha como a Caldeira, o Vulcão dos Capelinhos ou a praia de Porto Pim, quatro Centros Ambientais, três casas de apoio, dez trilhos pedestres, um circuito interpretativo e vários miradouros para contemplação.
As atividades lúdicas associadas ao segmento turístico de natureza, nomeadamente aquelas que são desenvolvidas e potenciadas pela qualidade ambiental, a beleza das paisagens, a biodiversidade, a geodiversidade e o património construído, constituem atualmente na ilha do Faial um importante recurso na oferta e na complementaridade das atividades turísticas.
 
O Parque Natural e o Azores Trail Run®
Este evento decorre em trilhos homologados e devidamente sinalizados. Este ano introduziram-se duas novas provas, o trail das Baias (25 Km) e a Grande Rota dos Baleeiros (126 Km), acrescentando ao Azores Trail Run® uma componente cultural muito interessante. Quem participar nesta aventura percorrerá o vastíssimo património baleeiro da ilha do Faial, onde tem destaque, os portos varadouros do Salão, dos Cedros, do Porto Comprido, do Varadouro, o complexo baleeiro das Angustias (com duas fábricas), porto da Boca da Ribeira (Ribeirinha) e sem esquecer as várias vigias da baleia. A meta, a mais bonita do mundo, localiza-se no Vulcão dos Capelinhos onde poderá descobrir o Complexo Baleeiro do Porto Comprido, a maior estação baleeira dos Açores, até setembro 1957, altura em que se iniciou a erupção do vulcão dos Capelinhos e foi desativado. Aqui entre maio e setembro, concentravam-senesta autêntica aldeia baleeira sazonal, de onde vinham gentes das ilhas do Pico, São Jorge e Graciosa, mais de 400 pessoas, entre os quais baleeiros e respetivas famílias que os acompanhavam, e cerca de 17 botes baleeiros e 7 barcos a motor. Com o vulcão dos Capelinhos esta aldeia ficou totalmente soterrada, sendo que recentemente momento, devido à erosão e à remoção das cinzas pelo vento e pela chuva, começam a surgir os primeiros telhados. 
Por todas estas razões aventurem-se neste desafio e apaixonem-se pelo Faial, uma ilha fantástica.
João Melo
Diretor do PNF

A ilha do Faial vai receber no próximo fim de semana uma grande prova do desporto de natureza chamada “Azores Trail Run®”. Será um evento que trará à nossa ilha mais de 700 pessoas, repartidas entre atletas e acompanhantes, lotando quase por completo os nossos estabelecimentos hote-leiros, as nossas casas de alojamento local e os voos com destino ao Faial.

É, sem dúvida,  um dos grandes momentos do ano para o empresário faialense, pois permite a este mostrar, publicitar e vender os seus produtos a quem participa na prova, a quem nos visita, contribuindo, dessa forma, para o aumento da riqueza, do progresso e desenvolvimento económico da ilha e consolidando o “destino Faial” como um dos grandes e melhores locais para a prática do “TrailRun”.

Este e já um dos maiores eventos dos Açores e que liga perfeitamente a nossa Matriz que pretendemos para o desenvolvimento turístico destas Ilhas.

A Câmara do Comércio e Indústria da Horta e todos os seus associados apoiam esta iniciativa desde o primeiro momento e tudo farão para que a mesma se continue a realizar na ilha durante muitos mais anos. 

Mas o trabalho desenvolvido não pode parar, e a luta por melhores acessibilidades aéreas e marítimas tem que continuar, pois só assim o empresário local, conjuntamente com as forças vivas desta terra, pode continuar a inovar, a reinventar-se e a criar novos eventos que consigam cativar mais turistas.    

Ao CIAIA e ao Azores Trail Run® os nossos parabéns por mais esta grande iniciativa.

 Carlos Morais

Presidente da Câmara do Comércio e  Indústria da Horta

sexta, 26 maio 2017 11:21

AZORES TRAIL RUN®

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Caros participantes e membros da organização, 
O Azores Trail Run é já uma presença obrigatória, de dimensão nacional e internacional, no calendário de eventos e nas visitas à ilha do Faial e aos Açores, revelando-se um veículo privilegiado de divulgação e promoção turística do nosso arquipélago.
A sua organização é reveladora da dinâmica que é possível impor numa prova desportiva e da capacidade de conciliar o desporto com outras realidades, como a cultura, o turismo ou a economia.
Desde que este desafio se iniciou, pela mão do Clube Independente de Atletismo Ilha Azul e com a colaboração de incontáveis colaboradores, temos  registado uma alteração de hábitos e comportamentos, no campo da saúde, mais concretamente, no aumento da prática de exercício físico.
Hoje, parece existir um maior contacto dos próprios faialenses com a realidade do seu Parque Natural de Ilha, influenciado, também, pela prática de trail running, e que os leva a realizar um verdadeiro percurso ambiental, histórico e cultural, um pouco por todo o conce-lho.
Por outro lado, é de registar, como um ponto positivo, a forma como o evento tem procurado afirmar-se e reinventar-se a cada nova edição, incluindo novas provas, novos percursos pedestres, novas pontes entre ilhas e concelhos, permitindo-nos divulgar, junto dos atletas de mais de 20 países em tudo o mundo que nos visitam, o nome do Faial, da cidade da Horta e de Uma das Mais Belas Baías do Mundo.
Esta envolvência e a forma articulada com que os vários eventos têm decorrido em períodos tradicionalmente de época baixa, contribuem sobremaneira para um maior dinamismo dos vários agentes económicos da ilha do Faial e na Região.
Por essa razão, acreditamos que o Azores Trail Run® é sem dúvida uma “marca” de sucesso, que conta com o apoio da Câmara Municipal da Horta, que se associa e incentiva a realização de parcerias, como esta, que tragam estes resultados e esta projeção. 
Seis provas, duas ilhas, vulcões, baía, fauna e flora, paisagens verdejantes e mar pela proa são os condimentos de sucesso do Azores Trail Run®, desejamos, por isso, votos dos maiores sucessos aos seus organizadores, bem como aos inúmeros faialenses que acreditam neste projeto e fazem dele um pacote turístico digno de registo.
Aos participantes, boa estadia e sejam bem-vindos a Uma das Mais Belas Baías do Mundo. 
O Presidente da CMH
José Leonardo Goulart da Silva
 

Hoje, pelas 20h30, numa organização do Azores Trail Run® vai decorrer no auditório pequeno do Teatro Faialense,  uma tertúlia de antevisão do maior evento de desportos de natureza nos Açores.

O evento é integrado na quarta edição do Azores Trail Run® e tem como oradores o Diretor de prova, Mário Leal, o fisioterapeuta Carlos Garcia a Clik Saúde e Bem Estar que vai abordar o tema, “Treinar também é prevenir” e o atleta do CIAIA que irá falar sua participação em provas de longa distância.

O Azores Trail Run®, organizado pelo Clube Independente de Atletismo Ilha Azul, é um evento desportivo de trail running, que vai percorrer os trilhos da ilha do Faial nos próximos dias 26 e 27 de maio, composto por cinco provas: Family Trail (10Km), Trail dos 10 Vulcões (22Km), Trail das Baías (25Km), Trail Faial Costa a Costa (48Km), Trail Ilha Azul (70Km).

A quarta edição desta prova, conta com a presença de mais de 700 atletas, representando mais de 20 nacionalidades e cuja grande novidade é a Grande Rota dos Baleeiros, com 126Km. 

sexta, 19 maio 2017 09:59

ESMA comemora Dia da Escola Destaque

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A Escola Secundária Manuel de Arriaga assinalou, segunda-feira, o seu dia da escola. 

Manda a tradição que neste dia sejam homenageados os alunos “Melhor Companheiro” - um galardão do Rotary da Horta . Foram distinguidos os alunos João Soares, Diana Medeiros, Miguel Bettani, Beatriz Correia, Beatriz Coelho e Érica Marques.

A Escola Secundária Manuel de Arriaga (ESMA) comemorou, a 15 de maio, segunda-feira, o seu Dia da Escola, dia em que marca a institucionalização oficial deste estabelecimento de ensino.
As comemorações tiveram início com a eucaristia solene, seguida do içar das bandeiras, este ano com uma novidade, foi içada pela primeira vez a bandeira oficial da ESMA, que foi apresentada no mesmo dia do ano anterior.
As atividades comemorativas prolongaram-se durante todo o dia, onde os alunos organizaram e participaram nas mais diversas atividades, desde torneios de desporto, exposições, apresentações de projetos e momentos culturais, destaque para os habituais “Óscares Malukissímos”, organizados pela Associação de Estudantes, que todos os anos distinguem vários alunos e professores em diversas categorias.
A noite foi dedicada à Sessão Solene comemorativa, aberta pelopresidente do Conselho Executivo da Escola, Eugénio Leal, o último discurso enquanto órgão diretivo da escola, uma vez que o mesmo se encontra a cessar funções, e não pode candidatar-se novamente por ter atingido o número máximo de mandatos, quatro mandatos de três anos.
Eugénio Leal começou por referir que ao contrário dos anos anteriores, em que aproveitava o momento para fazer um balanço sobre o conjunto de projetos e atividades desenvolvidas no qual a escola participava e dos resultados apresentados pela escola ao longo do ano, iria falar sobre os doze anos de trabalho em que constituiu uma equipa com as suas colegas, Maria Miguel Marques e Gracinda Andrade, revelando que passados estes anos se sentem “ muito melhores, muito satisfeitos e muito realizados”.
Apesar de satisfeito com o trabalho realizado pelo órgão diretivo da escola, Eugénio Leal frisou que “de tudo o que fizemos, temos consciência de algumas não terem sido bem-feitas. Seria anormal se tal tivesse acontecido, ou seja, as decisões que tomámos as iniciativas que tivemos, todas elas tivessem resultado em beleza.”
Passados doze anos, e a escassos dois meses de cessar o mandato, o presidente do Conselho Executivo da Escolafalou do intenso trabalho e dedicação e que a sua equipa sai com a sensação de “dever cumprido”. Sublinhou que todas as decisões e deliberações que foram tomadas tiveram sempre em mente o que era melhor para os alunos, e que a linha de trabalho da sua equipa, para alcançar o sucesso, e para o bem da escola e da comunidade escolar, se baseou no respeito e disciplina com e para os alunos, professores e funcionários, pensando sempre no melhor para a comunidade escolar.

Leia a notícia completa na edição impressa

http://www.tribunadasilhas.pt/index.php

sexta, 19 maio 2017 09:27

Descontaminação

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O PS e o seu Governo, no processo de descontaminação dos solos e aquíferos da ilha Terceira, evoluíram da fase da negação dos factos, para a aceitação das evidências. Não me vou deter em estudos; vou deter-me em conclusões técnicas sobre poluição e contaminação que estão bem plasmadas nos relatórios dos norte-americanos e do LNEC.

A primeira negação data de 2008 e surgiu da Força Aérea Portuguesa: “existem identificados na Base das Lajes solos contaminados com hidrocarbonetos, mas superficialmente e pouco preocupantes”.
O Governo Regional, perante os estudos dos próprios americanos (poluidores), mandou fazer outro estudo… Perderam-se 3 anos e meio milhão de euros! Era, na altura, representante dos Açores na Comissão Bilateral Permanente, André Bradford! A posição do Governo de Sócrates, manifestada pelo então Ministro do Ambiente, Nunes Correia, foi: “o problema de gestão de água é matéria do Governo Regional dos Açores, mas estamos disponíveis para apoiar, se necessário, nomeadamente apoio diplomático, visto que se trata da Base das Lajes”. O Governo Regional contentou-se!
Em 2011, a Região, pela voz do então Secretário Regional André Bradford, congratulou-se, ufana, com o anúncio do Cônsul dos EUA de que existiam 145 mil dólares para fazer a limpeza das zonas identificadas pelo LNEC, como as mais preocupantes (apenas 2 das zonas, porque os EUA identificaram nos seus estudos 36 locais contaminados na ilha).
Em 2015, perante a anunciada e efetiva redução da presença militar americana nas Lajes, o Governo Regional sacou da cartola o PREIT – Plano de Revitalização Económica da Ilha Terceira, documento onde, entre outras, exige ao Estado Português e aos EUA volumosas quantias de dinheiro, numa espécie de indemnização à Região pelas perdas resultantes para a economia local e regional da decisão norte-americana. Nesta altura, já na fase da aceitação, os socialistas da Região exigiram ao Governo da República (já não socialista) uma verba anual de 100 milhões de euros para a limpeza da pegada ambiental. Entretanto, volta a mudar o Governo da República. De visita aos Açores e, no âmbito de uma cimeira entre governos, António Costa e Vasco Cordeiro assinam uma declaração conjunta onde, entre outras, decidem: “disponibilizar apoio técnico no domínio da descontaminação de solos e águas subterrâneas, nos casos em que tal se verifique necessário…”. Ou seja, em abril de 2016, esqueceram-se os 100 milhões ao ano; validou-se o “zero” do Ministro Santos Silva e a confirmaram-se as afirmações do Ministro do Ambiente de que, à República, só compete prestar apoio técnico.
Agora, como desde 2005, estamos perante um perigo potencial para a saúde pública. O último relatório do LNEC confirma poluição; confirma contaminação no aquífero basal e confirma até a existência de novos derrames de combustível. E importa reforçar que o potencial perigo para a saúde pública não está só ao nível das águas de abastecimento público; está também nos solos e pode levar à contaminação de toda a cadeia alimentar.
Compete à República resolver este assunto. Compete à Região exigir da República que o resolva e sem paninhos quentes… 

sexta, 19 maio 2017 09:23

Manuel Viana - A Escrita e a memória

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O senhor Manuel Viana,- de seu nome completo Manuel Maria Viana,- nasceu em Abrigada, Alenquer, a 02 de Novembro de 1934. Por ali estudou as primeiras letras e fez escola de música na Sociedade Filarmónica da Abrigada integrando o naipe de clarinetes. 

Alistou-se na Marinha em 1954. Foi radiotelegrafista e técnico de comunicações.
Iniciou os estudos secundários no Liceu de Ponta Delgada e frequentou o curso de Filosofia da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Lecionou as disciplinas de Português, Eletricidade e Eletrónica, na escola de Comunicações da Armada e mais tarde Filosofia e Relações Públicas na Escola Secundária da Horta, em acumulação com as funções de Técnico de Comunicações da Estação Radionaval da mesma cidade.
Quando se aposentou, em Dezembro de 1992, fixou residência em São João do Pico, tendo integrado a filarmónica local como primeiro clarinete, enquanto a saúde lhe permitiu.
Foi nessas andanças pelas festas e atividades culturais da freguesia que conheci o “senhor Viana”, como carinhosamente era tratado. Conversávamos sobre livros, sobre projetos de livros, sobre coisas de livros, sempre. Olhava para mim com humilde reverência, com aquela timidez que lhe era caraterística, um senhor. Eu via-o com a admiração de quem olha para um ser raro. Ainda me acanho de falar dele. Manuel Viana era um grande escritor, digno de maior divulgação. O escritor que habitava o homem, sem que disso desse conta o cidadão comum, sabia e dizia muito mais do que os bancos da escola ensinam. Da vida e das suas mundividências soube colher e espelhar em palavras como poucos saberiam fazer.
Dos livros que editou, com tiragem numerada- editorial Escritor - de cinco me fez oferta autografada. Guardo-os religiosamente. Leio-os e releio-os de vez em quando, deliciando-me com a riqueza linguística da sua prosa, onde, por momentos, lembra Aquilino Ribeiro, deixando-nos depois com um sorriso largo pela ironia contida.
Não raro a poesia percorre trechos da sua obra pontoada de nostálgicas evocações, como esta in: “Da Macaronésia ao Meio Dia”:…”quando a tristeza me assalta, eu remoo sem parança saudades da juventude. (…) de quando bebia a água dos arroios da ribeira no côncavo da mão direita com girinos a boiar. De quando cobria o mundo com o véu da poesia julgando redescobri-lo. De quando, enfim, as mulheres eram, para mim, só helenas, e Tróia o expoente máximo da braveza marcial”…
Manuel Viana foi também um homem de ABRIL, e porque abril foi inda agora e faz seis anos que nos deixou fisicamente, - 25 Maio 2011 -, aqui fica este abraço de memórias, com a saudade que sempre me deixam aqueles de quem gosto e que fazem falta.
Entre outras, é autor das seguintes obras: “A Alma das Coisas”- Romance - 1996;
“Melopeia”- Romance - 1999
“A Lua Alcoviteira”- Contos -2000
“Abalada do PIDJIGUITI”--Romance- 2001-
“Da Macaronésia ao meio dia”-contos-2006 

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