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Volta TAP... estás perdoada TI
09
fevereiro

Volta TAP... estás perdoada

Escrito por  João Paulo Pereira
Publicado em EDITORIAL

No momento em que se viu David Neeleman, acionista de referência da TAP, subir as escadarias do Palácio de Sant`Ana para uma apresentação de cumprimentos ao Presidente do Governo Regional dos Açores, os olhos dos faialenses voltaram a brilhar.
A visita podia ser de mera cortesia, mas o facto de uns dias antes Vasco Cordeiro ter anunciado a intenção do Governo Regional em alienar 49% da Azores Airlines (Ex SATA Internacional), faz-nos acreditar que a TAP estará interessada em entrar no capital social da empresa.
O sonho dos faialenses em voltar a ter a TAP a aterrar no seu aeroporto parece, por isso, muito mais próximo. Quando se pensava que a TAP nunca mais voltaria ao Faial, eis que essa possibilidade surge agora no horizonte mais real que nunca.
A constante intransigência demonstrada pelo Governo Regional ao longo dos anos em admitir, sequer, a possibilidade de alienar parcialmente o capital da Azores Airlines, tinha tornado esse sonho impossível de concretizar. Na verdade, quando as diversas forças políticas com assento na Assembleia Regional, os empresários açorianos e as forças vivas da sociedade açoriana, mostravam que o único caminho para a salvação da empresa era a venda de parte do seu capital social, o Governo Regional reagia contra.
E manteve essa posição até ao momento em que se apercebeu que é necessário reforçar o capital da empresa e que tal só é possível através de um investidor privado. Parecia que não queria aperceber-se do óbvio.
Os anos consecutivos de gestão da empresa ligada, possivelmente, mais a interesses políticos do que a critérios de interesse público, os constantes prejuízos financeiros, a alteração do “naming” da empresa imposta por um governante que, ao contrário do que provavelmente pretendia, apagou uma marca que já tinha conquistado clientela e prestigio ao longo de dezenas de anos, os percalços evidentes na operação diária de voo, fizeram da Azores Airlines a má amada do Grupo SATA e colocaram-na no topo da pirâmide para alienação.
Pensou-se que com a abertura do espaço aéreo açoriano e a saída da TAP da ilha do Faial, os montantes que a Azores Airlines iria receber ao abrigo das obrigações de serviço público chegariam para suportar a empresa. Hoje o volte-face que se protagoniza mostra que aquele pensamento não estava correto.
A necessidade politica de alienar 49% do capital social da empresa – prevista já para este mês de fevereiro – levanta, no entanto, uma séria dúvida. Que empresa privada concorrerá ao concurso público para adquirir uma percentagem do capital social, continuando a mesma pública, se não assumir a sua gestão?
Sabe-se, voltando a David Neeleman, que a TAP sob a sua administração (privada) teve no ano passado novamente lucros, a sua dívida substancialmente reduzida e o número de passageiros aumentado. É a maximização do lucro a funcionar. E particularmente aqui na área da aviação civil em que a concorrência das “low cost” afeta de sobremaneira o lucro que se possa ter.
Acredita-se, pois, que a TAP concorrerá a essa privatização parcial, mas numa ótica de assunção da gestão da empresa de forma privada, sem interferência governativa. O “know how” da SATA e a posição geoestratégica dos Açores, em particular da ilha de São Miguel, contribuirão para essa decisão.
A base operacional da SATA no meio do Atlântico, a meio caminho entre a Europa e os Estados Unidos da América, permitirá à TAP criar nos Açores um “hub”, uma plataforma rotativa para os voos transatlânticos, com novas rotas, reduzindo custos operacionais e de frota e explorando um potencial mercado de milhões de consumidores que a SATA não soube cativar.
Daí que a privatização da Azores Airlines coloque como real a possibilidade de vermos em breve a TAP a cruzar os nossos céus e aterrar novamente no aeroporto da Horta.
E, se e quando tal suceder, nesse dia, muitos, alegremente, dirão “Volta TAP…estás perdoada”.

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