Tribuna das Ilhas

O Presidente do Grupo Parlamentar do CDS-PP Açores, Artur Lima, questionou, esta segunda-feira, o Governo Regional sobre eventuais conversações que a companhia aérea de baixo custo Ryanair diz estar a manter com a Região no sentido de vir a abrir novas rotas no arquipélago.

Num requerimento entregue no Parlamento dos Açores, Artur Lima lembra declarações públicas e recentes do Diretor de Operações da companhia aérea de baixo custo Ryanair, proferidas, no âmbito de uma conferência de imprensa, em Ponta Delgada, para apresentar a operação do próximo Inverno daquela companhia nas ligações que efetua de e para os Açores, onde aquele responsável pela companhia afirmou que “existem conversações com o Governo dos Açores para criar novas rotas no arquipélago”.

Ora, vindo esta afirmação de um diretor de uma empresa de aviação concorrente com do Grupo SATA, do qual a Região é acionista maioritária, o Líder Parlamentar popular entende que é fundamental “perceber que intenções tem o Governo Regional relativamente à abertura de novas rotas por parte de uma companhia privada estrangeira”.

Assim, Artur Lima questiona o executivo socialista sobre “que conversações tem mantido o Governo Regional com a companhia aérea de baixo custo Ryanair?” e que “novas rotas está o Governo Regional interessado que aquela empresa possa vir a realizar no futuro e para que ilhas?”.

Por outro lado, pergunta o Presidente democrata-cristão “que contrapartidas está o Governo Regional disposto a conceder à companhia aérea de baixo custo Ryanair para que possam ser abertas estas novas rotas?” e “porque motivo está o Governo Regional a negociar com uma companhia privada e estrangeira a abertura de novas rotas para os Açores, quando é acionista maioritário do Grupo SATA?”.

Por fim, Artur Lima quer saber se “vão estas novas rotas que se perspetivam abrir concorrer diretamente com rotas já operadas pelo Grupo SATA?” e se, “para além das conversações existentes com a Ryanair, está o Governo Regional a manter conversações semelhantes com outras companhias aéreas de baixo custo tendo em vista o mesmo fim?”.

Numa nota enviada às redações, o PSD/Faial criticou as declarações do dirigente e vice-presidente do Grupo Parlamentar do PS/Açores, Francisco César, no programa “Açores 24” do dia 9 de dezembro, quando em relação ao serviço prestado pela SATA Internacional, afirmou que o “Faial não tem razão”.

Segundo o Partido Social Democrata do Faial, “Francisco César não dá razão a todos aqueles que viram as suas vidas alteradas devido a tantos cancelamentos e a tantas divergências de voos”. A este respeito reforça que para o deputado do PS, “não têm razão todos os que foram maltratados nos aeroportos como consequência desse mau serviço”. “E não têm razão todos os que se manifestaram exigindo melhores acessibilidades ao Faial e um melhor serviço da SATA Internacional na rota Horta-Lisboa”, salienta o partido.

No entender da Comissão Política de Ilha, presidida por Eduardo Pereira, “o Faial e os Faialenses merecem mais respeito do PS/Açores”, considerando que “as nossas reivindicações podem não ser atendidas, mas devem, pelo menos, ser respeitadas”.

O PSD/Faial “condena e repudia” as declarações, e no documento, desafia o Secretariado local do PS a dizer “se se revê nas afirmações daquele seu dirigente regional ou se, pelo contrário, entendem que os Faialenses têm razão quando se queixam e exigem um melhor serviço da SATA Internacional na rota Horta-Lisboa”.

Para a Comissão Política do Faial, “a defesa do Faial exige posições claras, coerentes e consequentes dos agentes políticos”, neste sentido observam que “como tal, é essa clarificação que se exige ao PS do Faial, pois, como mais uma vez se comprova, não se pode estar, ao mesmo tempo, com o Faial e com o PS/Açores”, dizem os social democratas.

“As declarações de Francisco César constituem mais um exemplo da má vontade do PS/Açores em relação às reivindicações de melhoria das acessibilidades aéreas para o Faial”, acrescentam.

“E não são exemplo único. As declarações infelizes e insidiosas do Presidente do Conselho de Administração do Grupo SATA a respeito da nossa reivindicação de aumento das ligações diretas entre a Horta e Lisboa também fazem parte da mesma estratégia de estrangular e obstaculizar o desenvolvimento do Faial”, refere ainda o PSD/Faial no documento.

 

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É já a partir de 25 de outubro que entra em vigor o horário de inverno da SATA Air Açores.

Apesar de tudo indicar que as ligações para o Faial aumentariam ao fim-de-semana, tal não acontece.

Na sexta-feira  a companhia apresentou os horários e contemplava  um voo aos sábados de manhã e dois voos ao domingo: um de manhã e outro ao final da tarde.

Entretanto, na segunda-feira, dia 12, a SATA apresentou uma nova alteração no seu horário de fim-de-semana para o Faial: o voo da manhã de domingo desapareceu e resta outra vez um só voo, agora ao final do dia no Dash 400.

Voltámos, portanto, a ter para o Faial um voo ao sábado de manhã e outro ao domingo, agora ao fim do dia, quando antes tínhamos 3 ligações em cada um dos dias ao fim de semana.

Recorde-se que na Assembleia Municipal de 28 de setembro os deputados foram unanimes em mostrar a sua indignação perante este horário e os deputados eleitos pelo PSD/CDS-PP/PPM apresentaram um voto de recomendação contra os horários, alegando que estes penalizavam, “de forma inaceitável” o Faial, “constituindo um retrocesso de muitos anos nas ligações interilhas”.

Já a 18 de setembro o Tribuna das Ilhas dava conta da posição dos empresários e da Câmara do Comércio e Indústria da Horta sobre as novas Obrigações de Serviço Público anunciadas.

Os empresários chamaram a atenção para o facto dos horários e equipamentos que a SATA disponibiliza, sobretudo ao fim-de-semana, “não servirem as necessidades locais”, “estrangulando as acessibilidades com as outras ilhas e as ligações à América do Norte”.