026 – Preço dos Combustíveis nos Açores

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 No Continente Português o preço dos combustíveis foi liberalizado, havendo concorrência de preços entre distribuidoras.
Nos Açores, o preço é (deveria) ser intervencionado pelo FRT – Fundo Regional de Transportes, uma vez que é (era) politica do Governo (Regional) dos Açores ter um preço mais baixo do que no Continente, e uniformizar o mesmo preço para todas as ilhas.
Esta é a firme convicção de todos os Açorianos, que juram a pés juntos, que, graças a César, podem percorrer mais quilómetros por menos dinheiro.
Não penso assim, porque esta não é a verdadeira realidade.
Já em Fevereiro passado havia ficado com essa sensação, mas faltavam-se os dados concretos, que comprovassem essa falsa propaganda.
Vamos a factos, que poderei comprovar documentalmente.
NO CONTINENTE
No passado dia 27 de Março, atestei uma viatura de gasóleo, numa estação de abastecimento no Continente português, ao preço de 1,044 euros por litro.
Este preço inclui IVA à taxa de 20%, ou seja, o seu preço base por litro foi de 0,870 euros por litro.
Será ainda possível encontrar preços mais baratos, como mais caros, principalmente se optarmos por abastecer nas auto-estradas, onde, a exemplo dos centros comerciais, todos os produtos são mais caros, pois há que “pagar” o preço que as estações de serviço pagam às concessionárias dessas vias.
NOS AÇORES
Nesse mesmo dia, nos Açores, o mesmo gasóleo rodoviário custava 1,010 euros por litro com IVA a 14% incluído, ou seja, ao preço base de 0.886 euros por litro.
Este é um preço único para todas as ilhas dos Açores, não havendo alternativas.
Começam a surgir preços de frota, para empresas que assegurem um consumo mínimo mensal de alguns milhares de litros.
EM ESPANHA
Essa poupança será ainda maior se optasse por abastecer em Espanha, onde os postos fronteiriços fornecem aos condutores portugueses o mesmo combustível, com a mesma qualidade, a preços bem mais convidativos. Esta é uma prática corrente, pelo menos para quem vive a menos de 50 quilómetros da fronteira, que assim opta por “oferecer” a Espanha os nossos impostos.
Nos consumos de electricidade e de gás, há muito que Portugal continua a perder terreno, designadamente nos grandes consumidores da indústria, da hotelaria e demais actividades económicas.
Será caso para dizer ao Ministro das Finanças que, “quem tudo quer, tudo perde” tal é exagero da carga fiscal, em que mais de metade do preço que pagamos por cada litro de combustível, vai para o Estado, sob a forma de impostos.
Na gasolina 62% do preço ao público são impostos, e no gasóleo 50% são impostos, que revertem a favor do estado… isto, já para não referir os impostos que aplicam no sector automóvel.
ALTERNATIVAS
Acresce ainda que nos Açores não temos as alternativas que existem no Continente, seja nos combustíveis alternativos como o GPL, Gás natural ou Biodiesel, seja com a revolução em curso e futura dos híbridos e dos veículos eléctricos.
CONCLUSÃO
Todos nós sabemos que nos Açores existem encargos acrescidos com os transportes marítimos Continente – Açores, e depois na distribuição inter-ilhas, para além do esforço com a uniformidade do preço final ao consumidor, igual em todas as ilhas.
Também sabíamos que o diferencial entre os preços praticados na Região e no Continente já foi maior, embora nos restasse a consolação que, mesmo assim, ainda pagávamos menos qualquer coisita do que os nossos irmãos continentais.
O que não sabíamos é que essa diferença, para além de ter vindo a diminuir, já foi invertida, ou seja, os açorianos já pagam mais pelo litro do combustível do que os continentais.
Este facto é tanto mais grave, quando a informação que passa e é vinculada pelos organismos oficiais é inversa, ou seja, estamos perante uma propaganda politica enganadora e lesiva dos reais interesses dos açorianos.
Mais grave ainda é que, aplicado este raciocínio às empresas regionais, a sua competitividade interna e externa diminui a olhos vistos, numa altura em que se exige mais agressividade às nossas empresas para vencerem esta crise global
Este agravamento do preço talvez passe um pouco ao lado da maioria dos consumidores finais, mas começa a afectar as empresas açorianas que, em vez de se aproximarem da Europa, se vêem progressivamente mais afastadas dos centros europeus, produzindo mais caro, logo, perdendo quota de mercado.
Conclui-se, e assim se prova que, nesta matéria, o Governo dos Açores tem vindo a desleixar a sua intervenção social.

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