A função diplomática dos Cônsul Dabney no contexto da Batalha do “General Armstrong”

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Decorria o ano de 1806 quando chega à ilha do Faial, para se fixar, proveniente do Estado de Massachusetts, a família Dabney, na sequência da nomeação de John Bass Dabney para o exercício do cargo de Cônsul Geral dos Estados Unidos da América para os Açores. Em paralelo ao exercício da função diplomática e em boa medida favorecida por esta, a família acabou por exercer uma muito relevante atividade empresarial e social, absolutamente marcante do ponto de vista da análise local e, inclusive, regional.

Tinham decorrido sensivelmente 8 anos desde a sua chegada quando, a 26 e 27 de setembro de 1814, acontece, na baía da Horta, a mítica batalha naval que opôs o pequeno e mal armado brigue norte-americano “General Armstrong”, capitaneado por Samuel C. Reid, a uma frota de três navios da armada Inglesa, liderada pelo Capitão Robert Lloyd, melhor armada e que, no seu conjunto, detinha uma tripulação em número bastante superior.

Apesar da batalha ter terminado com a derrota da tripulação americana e consequente afundamento do seu navio, a contenda impôs, entre feridos e mortos, cerca de 200 baixas aos ingleses, tendo inclusive, pelo atraso gerado na chegada da frota aos EUA, tido um impacto significativo no desfecho da guerra iniciada em 1812.

No contexto do litigio ocorrido na calma baía da ilha, ganha importância o desempenho diplomático de John Dabney que, no sentido de evitar a batalha, ainda na noite de 26 de setembro, apenas uma hora passada da primeira escaramuça entre o General Armstrong e um conjunto de escaleres ingleses que se aproximaram deste, envia uma carta ao Governador do Faial, apelando ao papel de neutralidade de Portugal no conflito e solicitando que a adoção de medidas diplomáticas ou de “força”, que impedissem novos atos de violência.

Apesar dos esforços diplomáticos então encetados por Elias José de Ribeiro no sentido de fazer respeitar a neutralidade do porto, os argumentos não foram acolhidos pelo Capitão Robert Lloyd, não tendo, portanto, surtido o efeito pretendido. Por outro lado, a “força militar” portuguesa instalada na ilha também não tinha robustez que permitisse impor a neutralidade, pelo que, a batalha acabou por acontecer. 

J. Dabney, ainda neste contexto, no dia da batalha e imediatamente seguintes, desenvolveu intensa atividade, participando no registo dos acontecimentos, apoiando os tripulantes americanos, articulando com as autoridades locais, mediando o contato com a força opositora e reportando, diretamente ao competente secretário de estado americano, os factos ocorridos.

Quase quarenta anos depois, ainda no rescaldo dos acontecimento e no âmbito da arbitragem para aferição da responsabilidade pela deflagração da batalha, destaca-se pelo seu esforçado desempenho, desta feita, Charles Dabney (filho de John Dabney), que havia assumido as funções institucionais do progenitor, que tenta demonstrar pelo relato dos acontecimentos e sua análise, a injusta arbitragem realizada por Napoleão III e que dava razão aos ingleses.

Refira-se, finalmente, que os Dabney permaneceram na ilha do Faial até 1891, acumulando sempre as funções diplomáticas e empresariais.

 

 

 

 

                    

 

 

 

 

 

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