“A Ver Navios”

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As trapalhadas para a construção de um “ferry” para 650 passageiros e 150 viaturas continuam sem fim à vista.

Em março deste ano o governo regional anunciava que dos cinco candidatos que se apresentaram a concurso “apenas três reúnem os requisitos de capacidade técnica e financeira exigidos” no programa do concurso, cuja primeira fase terminou. Adiantava ainda que os candidatos qualificados teriam a partir de então 60 dias para apresentar a sua proposta técnica e comercial.
No passado mês de outubro foi notícia a exclusão das três propostas apresentadas ao concurso para a construção do novo navio, que terminou sem adjudicação, e que o Governo Regional vai proceder ao lançamento de um novo concurso público para a conceção e construção do navio, voltando assim à estaca zero todo este processo.
Esta notícia apanhou-nos a todos de surpresa na medida em que na semana antes de ser conhecida e divulgada a decisão do júri que determinou a exclusão das propostas, a Secretária Regional dos Transportes tinha dito no parlamento que o processo estava bem encaminhado deduzindo-se, assim, que desta vez é que ia ser.
Mais uma ilusão, alimentada pela governação socialista da região, neste processo que se arrasta numa sequência de trapalhadas e de peripécias ao longo de mais de uma década, com enormes prejuízos e elevados custos para todos os açorianos.
Remonta ao ano de 2006 a adjudicação, por parte do Governo Regional dos Açores aos Estaleiros Navais de Viana do Castelo, da construção de dois navios, o Atlântida e o Anticiclone. Sobre este lastimoso e nefasto processo nada mais acrescento porque “a novela de má memória” é grande, não é fácil de esquecer, mas já é passado.
No final de 2013, o Governo dos Açores anunciou que iria encomendar a construção de dois novos barcos para transporte de passageiros e viaturas. Mas, em 2014, acabou por anular esse concurso internacional!
No ano de 2015 o presidente da Atlânticoline, João Ponte, anunciava mais um concurso por forma a que os novos navios começassem a operar – veja-se bem – em 2018.
Chegados a outubro de 2017, o executivo açoriano autorizou o lançamento do concurso para a conceção e construção de um ferry com capacidade para 650 passageiros, 150 viaturas e carga rodada, cujas três propostas aceites, como já referimos, foram agora excluídas.
Quando desta última autorização governamental o Secretário Regional Adjunto da Presidência para os Assuntos Parlamentares, Berto Messias, em nome do governo declarou: “Esta decisão visa consolidar a modelo do transporte marítimo de passageiros, viaturas e carga rodada, culminando e dando seguimento à estratégia que tem vindo a ser implementada nas últimas décadas para a política de transportes na região”.
É caso para dizer: Isto é que tem sido a consolidação de um grande modelo e de uma grande estratégia implementada nas últimas décadas pela governação socialista! Passados todos estes anos não temos nenhum modelo nem estratégia e muito menos navios!
Em nossa opinião o modelo do transporte marítimo de passageiros, viaturas e carga – com exceção da tipologia dos navios mandados construir para operar regularmente nas ilhas do Triângulo – tem-se revelado um assombroso desastre, senão um dos maiores fracassos dos governos socialistas das últimas décadas.
Em finais de 2018, usando a conhecida expressão popular, é bem verdade que por aqui ficamos “A ver navios”!

09.11.2018

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