Abstrações Deambulatórias: Marina nossa

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andre costa opiniao

André Costa

Acabei de almoçar. Com o sussurro da Antena 1 Açores como pano de fundo, celeremente lavo a loiça da refeição. Depois, ainda com a moleza pós-prandial, pego nas chaves do carro e dirijo até à cidade, estacionando algures. Lentamente, desfrutando do toque gentil do sol na minha pele pálida de mais altas latitudes, caminho, imerso nos sons da Horta: o mar pela infinitésima vez tentando derrubar o paredão, clientes conversando nos cafés, a calma brisa acariciando a folhagem das árvores. Chego à marina. Imediatamente, o caleidoscópio idílico de cores traz-me à boca um sorriso. Respiro fundo e a minha mente espreguiça-se. Estou no sítio mais bonito do mundo.

A cena que acabei de descrever é nada mais do que uma ficção, invenção da minha mente desejosa de voltar à terra-mãe. Ainda assim, aquece-me o coração imaginar poder levar a cabo esta ficção, poder deambular entres os milhares de pinturas deixadas por milhares de velejadores temporariamente abrigados na nossa aprazível baía. Divertir-me, como por vezes me divirto, a tentar encontrar a mais antiga pintura.

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