Artigo 77.º, Artigo 90.º e Artigo 67.º – Aeroporto da Horta

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Três artigos. Três Orçamentos de Estado (2019, 2020 e 2021). O mesmo denominador comum: a sua redação.
“O Governo promove os procedimentos necessários para a viabilização da antecipação da ampliação da pista do aeroporto da Horta, de modo a garantir a sua certificação enquanto aeroporto internacional, de acordo com as normas da Agência Europeia para a Segurança da Aviação”.
Obras é que nem vê-las. Quer sejam as de construção das famosas RESA (zonas de segurança da pista), quer as da ampliação da pista propriamente dita.
Veio o orçamento para o ano de 2019. E aí os faialenses acreditaram cegamente na sua concretização, na medida em que nunca nenhum Governo português havia formalizado num Orçamento do Estado a intenção de ampliar a pista do Aeroporto da Horta. Dizia-se à boca cheia “agora é que é”. Mas nada aconteceu.
Depois surgiu no calendário o ano de 2020. Houve algum ceticismo junto dos faialenses, mas estes mantiveram a sua crença de que a obra aconteceria, tais eram as constantes promessas dos políticos. Infelizmente, as obras não surgiram. Pode-se aceitar como desculpa o aparecimento da pandemia da COVID-19 e que houve a necessidade de repensar e redirecionar os investimentos a efetuar.
Mas, hoje, mesmo sabendo-se que enfrentamos uma das maiores crises financeiras em Portugal e que a mesma irá continuar, quiçá agravar-se, no próximo ano, que em anos anteriores com melhores condições financeiras se fez letra morta da disposição do diploma orçamental, o Governo português insiste em colocar no orçamento para 2021 a ampliação da pista do Aeroporto da Horta.
Por tudo isso, aos faialenses é acometida a devida legitimidade para questionar a relevância dessa sucessiva inserção. Efetivamente, quais os benefícios que daí decorreram para a ilha do Faial? A resposta até agora é só uma: nenhum.
Esta situação equipara-se aquela vivida há muitos anos atrás em que Carlos César, em campanha eleitoral, assumiu um compromisso junto dos faialenses, dizendo que “caso a ANA – SA e o Governo da Republica não se disponham a avançar com a obra de ampliação da pista do Aeroporto da Horta, o Governo Regional a eles se substituirá e fará essa obra”.
Merecemos respeito. A ilha do Faial merece respeito.
Não atirem mais areia para os olhos de quem anseia há muitos anos por esta obra estruturante para o desenvolvimento económico da ilha. Na verdade, se é só para constar não interessa. Os faialenses preferem que nada se escreva e a obra se concretize.
Não basta chegar à entrada do aeroporto da Horta e dizer com a firme certeza que a ANA /VINCI vai investir nas zonas de segurança da pista, criando, desse modo, expetativas nos habitantes da ilha, as quais, passados dois anos, se frustraram por completo.
Quem afirmou isto, com pompa e circunstância, já explicou ou pediu desculpa aos faialenses pelo sucessivo adiamento das obras?
Na política como na vida não vale tudo. Os políticos, sobretudo esses, têm que mostrar, cada vez mais, que se encontram ao serviço e na defesa das populações que os elegem e não de meros interesses partidários.
Apesar da insatisfação e indignação perante os constantes atrasos nestas obras, acredito que os faialenses, pelas manifestações que promoveram no passado e que, certamente, não hesitarão em voltar a realizar, continuarão a reivindicar melhores acessibilidades, pois, parafraseando Mário Soares “só aqueles que desistem de lutar são derrotados”.
Mas Deus queira que os políticos não se lembrem, como propõem agora para a Saúde, de nos prometer um “Aeroporto Digital”.

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