Coleção filatélica de Ricardo Madruga da Costa doada ao Museu da Horta num impasse

0
22

Ricardo Madruga da Costa, natural do Faial, é doutor em História pela Universidade dos Açores. De técnico superior na companhia aérea regional SATA, a político, exercendo o cargo de Diretor Regional de Turismo no III Governo Regional dos Açores, destacou-se como historiador, sendo autor de diversos trabalhos publicados. Foi ainda colecionador de selos. O seu gosto pela filatelia começou cedo ainda nos tempos do Liceu da Horta, mas só se materializou após a sua admissão na SATA em novembro de 1969. Este seu hobby levou à realização de uma vasta coleção de selos sobre a História da Aviação Civil que acabou por doar ao Museu da Horta (MH) em 2019. A ideia era que fosse incluída no reordenamento do MH, num espaço dedicado ao Porto da Horta, nomeadamente, na história da aviação transatlântica. No entanto, passado todo este tempo e com a mudança de governo e de diretores a coleção encontra-se sem fim definido. Ao Tribuna das Ilhas, o colecionador deu a conhecer a sua coleção, quais os seus objetivos e lamentou a indefinição existente em relação à instalação da coleção.

Tribuna das Ilhas – O Doutor Ricardo Madruga da Costa doou em 2019 ao MH uma valiosa coleção de selos sobre a História da Aviação Civil. Em concreto e de forma mais discriminada em que consiste essa coleção?

Ricardo Madruga da Costa – Não é fácil resumir o objetivo a que nos propusemos nesta coleção iniciada em 1982. Para compreender a dificuldade basta uma breve observação do plano geral que precede a colecção. Poderemos referir o propósito de traçar, filatelicamente, recorrendo a selos e peças filatélicas, o percurso histórico da aviação civil à escala mundial. As balizas temporais deste ambicioso projeto situam-se entre as imagens da mitologia representada pelas asas de Ícaro, passando pela antevisão inspirada em representações da autoria de Leonardo da Vinci e toda a evolução representada pela ousadia das ascensões em balão e dirigível, até se chegar ao mais pesado que o ar com os planadores precedendo o voo do mais pesado que o ar accionado pela força de um motor. A coleção preenche de forma mais detalhada o espaço de tempo que é habitualmente assinalado pelo ano de 1903 com o voo dos irmãos Wright. Após um longo período pioneiro, filatelicamente preenchido de forma muito variada, assinala-se o transporte aéreo e o surgimento das companhias de aviação, sem perder de vista o extraordinário contributo do porto da Horta para o desenvolvimento da aviação comercial. Nos capítulos seguintes a coleção dedica atenção ao evoluir das aeronaves, em particular na era do jato, do voo supersónico, e da variedade de utilizações em diversas áreas sociais e económicas, entrando mesmo nas perspectivas do transporte espacial e do turismo espacial, este último entretanto já concretizado. A coleção desenvolveu-se em duas fases. No que respeita à primeira fase a SATA Air Açores editou em 2013 um álbum com 190 páginas no qual está reproduzida a totalidade da coleção até à referida data e que se encontra à venda na sua rede de lojas. A propósito deste livro, seja-me permitido referir que em 2014, no âmbito do prémio anual “Selos de Ouro”, instituído pelo Clube Filatélico de Portugal, foi-me atribuído o prémio da classe “Literatura-Melhor Livro”. Entretanto prosseguimos a aquisição de material filatélico temático até 2019 e os volumes doados ao MH totalizam 238 folhas do modelo adoptado para as exposições em certames de filatelia.

Este conteúdo é Exclusivo para Assinantes

Por favor Entre para Desbloquear os conteúdos Premium ou Faça a Sua Assinatura

O MEU COMENTÁRIO SOBRE ESTE ARTIGO