Dr. Jorge Monjardino Ilustre terceirense e saudoso amigo

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Terá sido aquando da vinda para Angra do Heroísmo em Outubro de 1939 a fim de continuar meus estudos por ainda não haver o 7º. ano no Liceu da Horta que tive conhecimento da veneranda Família Monjardino.

Soube também que a senhora Dona Alice, distinta filha do Coronel Silva Leal, era casada com o Comendador José Monjardino, figura grande na Ilha da Terceira.
Anos depois, o filho Dr. Álvaro Monjardino passou a ser político muito falado no Faiai, já que foi o primeiro Presidente da Assembleia Legislativa dos Açores, tendo-se interessado deveras pela construção do edifício da Casa da Autonomia.
Foi, porém, na redacção do Correio da Horta que, do seu Director Dr. Raposo de Oliveira, ouvi elogiosas referências ao então ainda jovem advogado, com quem se defrontara em difícil caso no Tribunal da Graciosa.
Se bem que foi num Curso de Cristandade que fizemos amizade, a que não terão sido alheias as nossas esposas, já amigas na Acção Católica.
Quanto ao Doutor Jorge Monjardino a nossa amizade começa na sede do CDS sempre que vínhamos a Terceira.
Mas passaram a ser frequentes quando nos radicámos em Angra, pois como militantes centristas responsáveis participávamos nas reuniões semanais na rua de São João, viradas sobretudo para assuntos políticos e partidários e em que tive a oportunidade de melhor conhecer os dons com que Deus o dotou, entre eles, a humildade, aceitando, no Partido, qualquer cargo, e, nas listas eleitorais, nunca punha em questão ser o primeiro ou o último que, no CDS, por principio era destinado a candidatos mais respeitáveisl.
E as ditas reuniões eram também, por vezes, ocasião para agradáveis convívios que muito contribuíam para o fortalecimento de boas amizades.
Jamais esquecerei que em casos assaz importantes, nunca deixava de lembrar: Ainda não foi ouvida a opinião do senhor Armando, a consciência do Partido, frisava, o que me sensibilizava por não habituado a tamanha deferência.
Isto numa altura em que o Centro Democrático Social era, e é, por direito próprio, a 3ª. força partidária nos Açores.
Mas passemos à sua profícua vida profissional como cirurgião abalizado que foi, e deveras humanitário, aliás, qualidades que pude constatar: a cirurgia por ele feita ao tirar-me uma veia, da coxa ao pé, por numa perna se ter formado uma variz do tamanho dum punho, e nos três dias em que estiva no hospital, sempre tive a sua habitual visita (disseram-me) depois do jantar, não se ficando apenas em ver os seus operados, mas tendo igualmente uma palavra de apoio para os restantes que muito a apreciavam, na verdade, uma atitude deveras cristã.
Como era sabido, não tinha consultório próprio, antes dava consultas no Centro de Oncologia.
Quiçá a suavisar o cansaço proveniente do seu múnus, exercído com responsabilidade e competência, eram os banhos de mar na Silveira, e na companhia de dezenas de citadinos de que muito gostava já por ser pessoa assaz comunicativa.
E aos domingos veranis cruzávamo-nos na recta da Achada: eu e a Maria João no nosso carro, vindos do almoço no Golfe, ele e o cónego Gil em marcha de cruzeiro, trocando naturalmente francos acenos.
Tive ainda a grata oportunidade de contactar com ele na sua senhoril casa ao lado do Santuário da Conceição, recebendo sempre o melhor acolhimento da Exmª. Esposa Dona Helena Monjardino, distinta professora do Ensino Secundário.
Uma houve, porém, algo especial: Como era muito interessado pela Academia Musical da Terceira, de que foi mesmo Presidente. resolvi em gesto de gratidão pela cirurgia atrás referida e também pela amizade que nos dispensava (à Maria João e a mim) resolvemos ofertar-lhe exemplar duma sugestiva edição sobre os famosos clássicos que sabia muito ser apreciador e tanto lhe agradou que logo chamou a esposa para lhe mostrar o volumoso livro. Foi, de facto, um dos bons momentos da minha vida que vai em 95 anos, graças a Deus.
Como acredito que tudo acontece no tempo certo, estas linhas não são de ontem nem de amanhã, mas de hoje, a lembrar o dia 21 de Março, em que, há 80 anos, nasceu o Dr. Jorge Monjardino, ilustre Terceirense e saudoso Amigo