EDITORIAL

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DR/TI
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A recente revelação do Secretário de Estado Adjunto e das Comunicações de que o parecer do Laboratório Nacional de Engenharia Civil e da Autoridade Nacional de Aviação Civil, relativamente aos custos reais do projeto de ampliação da pista do aeroporto da Horta, elaborado pela Câmara Municipal, estavam “muito subavaliados e que a obra custará muito mais do que a estimativa inicial de 35 a 40 milhões de euros”, constitui – à primeira vista – um significativo revés. É verdade que todos sabemos os jogos de interesses que estão por detrás das declarações e dos estudos: quem a quer, arranja forma de apresentar um custo aceitável; quem não a quer assusta com preços calculados para levar à desistência. É muito natural que seja também um pouco isso que está em jogo, neste xadrez político em que depois de outubro mudou a cor partidária do jogador dos Açores. Não há outra explicação para que só agora, volvidos quatro anos, alguém da República venha dizer alguma coisa sobre um estudo que está nas suas mãos desde 2017.
A inclusão da ampliação da pista do Aeroporto da Horta nos manifestos eleitorais das mais diversas forças políticas que, em cada ciclo eleitoral, foram concorrendo às várias eleições (autárquicas; legislativas regionais ou legislativas nacionais) remonta há cerca de vinte anos. Desde então, a maioria dos partidos tem defendido a realização da obra, não fosse também ela uma sensível arma eleitoral, como todos já perceberam!
Desde governos da república que literalmente rejeitaram a prioridade da obra, refugiando-se na difícil crise financeira que o país atravessava, a outros, que com ela se têm procurado comprometer, nos últimos tempos, de forma mais “habilidosa e equívoca” (leia-se o atual artigo 89º do Orçamento Geral do Estado), o facto é que até ao momento nada mais existe do que palavras e intenções.
Ao nível da postura dos governos regionais, passámos da posição de assunção da obra caso a ANA e o governo da República não a fizessem (governos de Carlos César) à inflexão verificada nos governos de Vasco Cordeiro que, embora defendendo a importância do investimento, rejeitaram nela investir um euro. O atual governo regional, através de José Manuel Bolieiro, assumiu uma postura diferente, aceitando ser parte da solução e defendendo uma parceria que o pode levar a dotar verbas no orçamento da região, para complementar as da República e de eventuais apoios comunitários.
A verdade, porém, é que o tempo começa a faltar para se encontrar, rapidamente e sem mentiras, a arquitetura financeira para a solução da ampliação da pista do aeroporto da Horta: a ANA comprometeu-se perante a Agência Europeia para a Segurança da Aviação a implementar as Runway End Safety Areas (RESA´s) até 2024! E não temos dúvida de que, por razões operacionais e logísticas, os dois objetivos (RESA’s e ampliação da pista) deveriam acontecer em simultâneo.
Com este prazo a aproximar-se vertiginosamente, impõe-se que quem tem responsabilidades governativas (na região e no país) assuma com urgência e com verdade uma solução de cooperação que viabilize a ampliação da pista do aeroporto da Horta. De uma vez por todas, exigimos que todos se deixem de jogos e de palavras e se empenhem na concretização deste tão aguardado como necessário investimento!

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