Governo dos Açores sempre manifestou as suas preocupações com acordo de comércio livre UE – Mercosul

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O Diretor Regional da Agricultura, José Élio Ventura afirmou hoje que o Governo dos Açores tem vindo a acompanhar o desenvolvimento do acordo de comércio livre entre a União Europeia e o Mercado Comum do Sul (Mercosul), que agora se consolidou, tendo sempre alertado o Governo da República das preocupações açorianas quanto aos eventuais impactos, nomeadamente ao nível do setor da carne.

“Trata-se de uma matéria que, obviamente, preocupa o Governo dos Açores e que foi e continua a ser acompanhada com toda a atenção, até porque ainda decorre um longo caminho até à implementação efetiva do acordo, por quanto o mesmo tem que ser retificado por todos os estados membros”, referiu José Élio Ventura, lembrando que as negociações para este acordo decorrem há quase 20 anos.

O Diretor Regional da Agricultura rejeitou as acusações do deputado açoriano do PSD na Assembleia da República, António Ventura, de que o Governo dos Açores tem estado em silêncio e de não pressionar o Governo da República sobre este assunto, alegando que aquilo que tem sido feito na Região é trabalhar pelo aumento do rendimento dos produtores e pelo desenvolvimento da fileira da carne.

José Élio Ventura destacou, por exemplo o trabalho e a estratégia que tem vindo a ser desenvolvida ao nível da modernização, na aposta na genética, no bem-estar animal e na qualificação da carne, aspetos de grande relevo e que muito irão contribuir para enfrentar a eventual concorrência da carne do Mercosul em Portugal.

“Só podemos vencer pela qualidade e pela diferenciação. Esse é o caminho que devemos continuar a trilhar para lidar com a entrada no mercado português de carne do Mercosul, onde a aposta é claramente na quantidade”, sustentou o Diretor Regional da Agricultura, acrescentando que todos os produtos importados do Mercosul terão de respeitar as normas estabelecidas no espaço europeu, relativamente à segurança alimentar e aos aspetos climáticos e ambientais.

Nos termos do acordo agora conseguido com o Mercosul, a União Europeia permitirá que 99 mil toneladas de carne bovina (55% carne bovina fresca e 45% carne bovina congelada) entrem no mercado europeu com uma tarifa reduzida de 7,5%.

Esta quantidade representa 1,2% do consumo total de carne bovina na Europa (8 milhões de toneladas por ano) e o acordo prevê que levará 5 anos até que a quantidade máxima seja atingida.

Portugal não é autossuficiente ao nível da carne de bovino, importando mais de 50% daquilo que é consumido internamente.

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