Opinando em Tópicos

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PISTA – só por segurança !

É esta a opinião do 1º. Ministro de Portugal, Passos Coelho, tornada pública em Conferência de Imprensa no salão nobre da Câmara Municipal da Horta, respondendo a Leonardo Silva, Presidente do Município faialense, se bem que mais preciso, uma vez que em Ponta Delgada dissera não haver razão para tal.

Isto aconteceu na recente visita “à la minute” a quatro ilhas açorianas: São Miguel, Faiai, Pico e Terceira, sempre acompanhado pelo líder regional, Vasco Cordeiro, embora democraticamente divergente em alguns assuntos.

Aliás, divergentes serão também os faialenses no que respeita ao Aeroporto, sem misturar alhos com bugalhos.

É que o Faial sempre tem recebido com cortesia seus hóspedes, razão pois das palmas tributadas na Cidade, sede da Assembleia Legislativa dos Açores, como já sucedera a 4 de Setembro de 1976 aquando da inauguração oficial pelo Presidente Ramalho Eanes no “Amor da Pátria” que foi provisoriamente a primeira Casa da Autonomia, designação que até se tornou assaz popular na Cidade e na Ilha,

Oportuno também recordar que então os jornalistas continentais, que vieram fazer a cobertura do grande evento nacional, estranharam o facto de Mário Soares ter recebido mais palmas do que Sá Carneiro, o que não nos surpreendeu, já que o socialista era 1º. Ministro , enquanto o social-democrata era apenas líder de Partido, embora o mais votado nos Açores.

E, voltando ao presente, resta-nos fazer votos de que a PISTA do Aeroporto não venha a ser aumentada à custa de mortos, lembrando o saudoso padre Américo que repetia, vezes sem conto, só querer dinheiro dos vivos …

Elevador da Glória com 129 anos

Em 24 de Outubro passado, o Elevador da Glória completou 129 anos, disputando na década de 30 do século XX a primazia com o de Santa Justa, ambos na baixa lisboeta.

Ir então à Capital e nos dois não entrar era como ir a Roma e não ver o Papa.

Qual deles tinha mais movimento nunca me interessou, mas foi o primeiro que mais me serviu pois dava acesso à rua que passava pela Faculdade de Ciências, onde estudei durante um ano e cuja frequência positiva pelo menos deu-me direito a ingressar no Curso de Oficiais Milicianos de Artilharia, já que a “bitola não era pelo físico, como então acontecia nos Açores, em que tiveram de fazer fardamento especial, incluído botas, para recruta do Pico.

E a dita Faculdade deu-me ainda a oportunidade de participar numa manifestação de universitários contra o aumento, nada meigo, das propinas, aumentando para nem sei quantos valores o direito de dispensa quando antes eram apenas dez, lembrando como argumento serem os conseguidos pelo Doutor Ega Moniz, Prémio Nobel de Medicina.

Como curiosidade, na manifestação atrás referida, veio uma delegação de Coimbra chefiada pelo terceirense Ramiro Valadão, que anos depois viria a ser preso pelos revolucionários de Abril culpado por dezenas de “crimes”, entre eles um maço de cigarros, incluido numa lista de refeição em serviço do SNI.

Aliás, as facilidades para viajar até ao Brasil dizem tudo…

E ainda sobre o Elevador de Santa Justa, foi preocupação do meu saudoso irmão Constantino de o utilizarmos na descida do Carmo para a Rua do Ouro, que também para ele era primeira vez, após seis anos vivendo em Lisboa!.

Fábrica com luz no túnel

NO FAIAL Em cortesia da “Foto Jovial”, ilustramos o respectivo tópico com a traineira “Garça”

Os anos passam depressa e já vão décadas que apareceu inesperadamente no porto da Horta a traineira “Garça”, pioneira na pesca da albacora, pelo menos no Triângulo, uma prometedora iniciativa do comerciante João Inácio da Silva, a que se juntou Henrique da Silva, com Ourivesaria ao lado da Casa das Casimiras de seu tio.

Num ápice o mais abrigado porto açoriano encheu-se de variadas embarcações, adaptadas ao novo ouro negro que foi a albacora, prima-irmã do atum.

Algumas até muito conhecidas, como o iate Ribeirense do famoso “lobo do mar”, mestre João, a lancha de Ilídio Lemos e tantas outras.

E por sugestão do doutor Costa Garcia, sempre interessado pela sua ilha, um empresário algarvio veio ao Faial adquirindo no Pasteleiro um edifício, onde a sua firma instalou a primeira fábrica afim.

Com o tempo, tudo mudou, menos a passagem anual do atum pelo nosso mar, surgindo, porém, uma nova frota: mais reduzida com embarcações modernas e melhor apetrechadas como convinha.

Entretanto, a fábrica do Pasteleiro fechou: e muitas empregadas são “obrigadas” a atravessar o Canal diariamente para trabalharem na “Cofaco”, da Areia Larga.

Mas a vida continuou, pois os faialense já se habituaram a viver com altos e baixos, quiçá por acreditarem na providência divina.

Eis que surge agora uma luz no túnel mas nanja no fundo, com a oportuna iniciativa, com pés para andar, de Rufino Brasll, continental, há anos radicado no Faial e que se vem dedicando, como empresário, à indústria da pesca.

Trata-se da construção duma fábrica na zona industrial para transformação e respectiva exportação: um empreendimento de três milhões de euros, devendo criar quatro dezenas de empregos.

E terminamos com provérbio que vem mesmo a propósito: “Deus ajuda a quem se ajuda”.

Jogos Florais na Horta

Folheando jornais de ontem, com vista a achar tema para tópico, dei com este “SE…?(no Correio da Horta), publicado em 12 de Janeiro de 1974, meses antes de Abril.

Sugeria então a organização com regularidade de Jogos Florais na Horta, argumentando com o êxito que “O Telegrafo” alcançara entre os estudantes com tão interessante iniciativa.

Recordo que, pelo menos dois, já haviam sido organizados, ambos pelo Fayal Sport (1943 e 53), o segundo pela CARPE.

E agora aproveito para insistir no assunto, uma vez que existem na Capital da Autonomia bom campo e boa semente para o evento cultural em apreço

 

O autor não escreve de acordo com o novo acordo ortográfico 

 

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