Os números são como o algodão, não enganam

0
8
TI

Os números das dormidas na ilha do Faial durante o mês de setembro, saídos na passada semana, passaram completamente despercebidos aos olhos dos empresários e dos nossos responsáveis políticos. Não houve ninguém na ilha que se tenha manifestado acerca dos inquietantes valores que o Serviço de Estatística dos Açores (SREA) lançou para o turismo faialense.
Se olharmos para os dados do mês de setembro, por comparação com o mesmo mês do ano anterior, vemos que o Faial teve um aumento nas dormidas de 0,3%, apenas superior em percentagem ao Corvo e às Flores, enquanto as restantes ilhas, com exceção do Pico (8,8%), cresceram acima de dois dígitos.
Recuando ao mês de agosto, constatamos que crescemos 3%, acima apenas da ilha Graciosa. E se transpusermos estes resultados para os proveitos por quarto, acumulados nos primeiros 9 meses do ano, o aumento registado é o segundo pior de todas as ilhas do Arquipélago. Estes indicadores evidenciam um cenário preocupante que assola aqueles que têm no turismo e nas atividades relacionadas com o mesmo, a sua principal fonte de rendimentos.
O aumento insignificante do turismo na ilha, registado na chamada época alta, pode prenunciar que o Faial está a deixar de ser atrativo para os turistas, o que acarreta, naturalmente, menos dinheiro a entrar na economia faialense, e a retracção de quem pretenda investir nesta área de negócio.
A este propósito não se ouviu uma única palavra do novo Presidente da Direção da Câmara do Comércio (CCIH). Este deveria ter sido o primeiro a insurgir-se de viva voz contra estes números alarmantes, dando conta nos lugares devidos, das preocupações dos seus associados.
O líder dos empresários faialenses, o Presidente do Município e as diversas forças políticas, têm que tomar consciência deste potencial problema e, numa comunhão de esforços, sentar-se à mesa, debater propostas e definir uma estratégia de curto/médio prazo para as acessibilidades à ilha, quer aéreas, quer marítimas, que ponha termo a esta estagnação turística na ilha.
Aqui, a voz de liderança caberá ao Presidente da CCIH, reivindicando junto da SATA e do Governo Regional, e alertando para o clima de previsível retrocesso económico que poderá ocorrer na ilha.
Por outro lado, é fundamental que se crie um Gabinete Municipal do Turismo, com técnicos habilitados, dedicado exclusivamente a pensar formas, mecanismos e estratégias de promoção da ilha do Faial além-fronteiras. Isto é, olhando para os maiores mercados emissores, marcar presença de forma assídua em feiras, eventos e exposições, nacionais e internacionais, mostrando as potencialidades da ilha, quer em termos de paisagens naturais, de trilhos (tão em voga),quer de mar, entre outras.
Dispensando-se, desta forma, a estreita dependência da promoção realizada pela Associação de Turismo dos Açores (ATA).
Associado a estes indicadores económicos, por si só preocupantes, sobretudo para os empresários locais ligado ao setor do turismo, o novo Presidente da Direção da Câmara do Comércio, nos Paços do Concelho e ladeado pelo Presidente do Municipio, expressou o seu diagnóstico acerca do tecido empresarial do Faial, ao reconhecer que “há falta de dinamismo empresarial no Faial e falta de confiança nas empresas”.
Palavras insensatas, nada abonatórias de quem tem a missão de zelar, em primeira linha, pelos interesses dos empresários da ilha, inclusivedos seus próprios colegas de direção, que não devem ter ficado nada satisfeitos.
Já para não falar no atestado de incompetência que passou a todos os seus associados, que trabalham, dia após dia, para inovar e criar riqueza nas suas empresas. Incrédulo deve ter ficado também José Leonardo ao ouvir estas palavras, as quais põem completamente em causa toda a estratégia gizada pela Câmara Municipal de apoio ao empresariado local.
Tal como os números que não enganam, também as palavras quando as proferimos têm que ser devidamente pensadas.

O MEU COMENTÁRIO SOBRE ESTE ARTIGO