Parlamento dos jovens

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Várias escolas dos Açores estão a participar na iniciativa Parlamento dos Jovens, que decorre em todo o país. O Parlamento dos Jovens é um projeto da Assembleia da República que já decorre há vários anos, tendo como objetivo familiarizar os estudantes com a atividade parlamentar e motivá-los para a participação cívica, como cidadãos ativos.  

Os temas a discutir este ano, definido pelos próprios alunos, debruçam-se sobre Drogas – evitar e enfrentar as dependências, a ser discutido no ensino básico, e Crise demográfica (emigração, natalidade, envelhecimento), para o nível do ensino secundário. Na sessão regional, no edifício da Assembleia Legislativa Regional, os deputados do Parlamento dos Jovens escolhem os seus representantes para uma última sessão, de âmbito nacional, a decorrer em Lisboa na Assembleia da República. 

Para além dos objetivos gerais definidos para esta iniciativa, a nível regional convém salientar outras vantagens que devem ser aproveitadas. Refiro-me à possibilidade de os nossos jovens se encontrarem, se conhecerem de forma mais profunda, dando continuidade àquilo a que em termos históricos se chamou de confraternização insular.

Esta confraternização insular iniciou-se nos finais do século XIX, por ocasião do despertar do movimento autonomista. Essa prática continuou através de excursões que acompanhavam eventos desportivos, filarmónicas, grupos de teatro e de folclore ou as viagens de estudantes finalistas. A importância destas iniciativas refletiu-se no reforço do espírito regional, que lentamente foi sendo construído.

 O encontro destes jovens para a discussão de determinados temas, leva-os a valorizar os princípios democráticos, a respeitar as opiniões de outros, mas também a sentirem-se parte de um todo. No momento que passa, com uma crise que avassala o nosso dia-a-dia, é importante o reforço deste sentir coletivo, como forma de a ultrapassarmos mais facilmente.

Para além do trabalho a ser feito pelos próprios professores nas escolas, a sociedade em geral tem uma obrigação para com os nossos jovens. Com escreveu o primeiro presidente do governo dos Açores, Mota Amaral, há que estender o debate dos grandes temas aos próprios estabelecimentos de ensino, como forma de motivar a juventude para o ideal da autonomia. “Manter este ideal sempre vivo é, sem dúvida, a melhor forma de homenagear todos quantos, em gerações sucessivas, lutaram pela afirmação das históricas aspirações autonomistas do Povo Açoriano”.

Mas a autonomia também tem que ser defendida também perante o exterior, ou seja, enfrentando os que têm um espírito mais centralista. Por isso, recorro às palavras de outro presidente do Governo Regional, Carlos César, para realçar esta importância: “devemos dizer aos nossos jovens que a Autonomia não nos foi oferecida. (…) Lembremos, também insistentemente, aos nossos jovens que a Autonomia foi reclamada para obviar à exclusão imposta à nossa condição cívica; que eclodiu há três décadas como o ar que se recupera após a respiração oprimida; e que tem sido edificada, laboriosamente, sempre pela força e pela vontade da cidadania açoriana”. 

O que os deputados do Parlamento dos Jovens estão fazendo é precisamente uma afirmação da cidadania. A nível regional, inscreveram-se 20 escolas que mobilizaram muitas dezenas de alunos, como aconteceu nos anos anteriores. Como se pode constatar, os jovens não estão alheados dos problemas que os e nos afetam. Que o exemplo frutifique e se alargue, são esses os meus votos.

 

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