P´rá frente é que é … …Gastar, Gastar!!!

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Enquanto por todo o mundo os respetivos governos se confrontam com enormes dificuldades económicas e financeiras em resultado da pandemia Covid-19, como evidenciam as brutais quedas do Produto Interno Bruto (PIB) desses países no segundo trimestre, pelos Açores distribui-se dinheiro a rodos.
Aqui tudo se desenrola como se os nossos responsáveis políticos não conseguissem ver claramente e escutar atentamente os sinais preocupantes que ecoam do mundo exterior à Região.
Não conseguem ver uma queda do PIB português no segundo trimestre do ano de 16,5%, uma estimativa de queda anual do PIB regional entre 15% a 25%, uma queda das exportações em 30,6%, uma perda estimada de 2,4 milhões de dormidas nos Açores, uma queda no turismo regional, cujo impacto na economia será na ordem dos 500 milhões de euros ou um pedido de auxílio de 163 milhões de euros por parte da SATA.
Enfim, um número infindável de indicadores económicos que evidenciam uma provável depauperação da situação financeira da Região. Somente, e por muito estranho e duvidoso que possa parecer, o desemprego é o único setor da economia regional a diminuir!!
Contudo, perante este cenário quantos milhões foram prometidos por parte do Governo Regional nos últimos dois meses? A resposta é “Muitos”.
Vejamos. A empreitada do empreendimento Foros de Solmar, estimada em 1,4 milhões de euros, a obra de proteção do terrapleno do Porto das Lajes das Flores, num investimento de cerca de 22 milhões de euros, o investimento em caminhos agrícolas na ilha de São Miguel em cerca de 6 milhões de euros, a obra de melhoramento do Núcleo de Pescas da Madalena, na ilha do Pico, no valor de 1,2 milhões de euros, o investimento de 14 milhões de euros no Porto das Pipas e de 26 milhões de euros na estrada Furnas-Povoação, a intervenção no Museu Carlos Machado, em Ponta Delgada, no valor de 4 milhões de euros ou a construção da Variante à Estrada Regional n.º 1-1.ª, em São Roque, num investimento que ascende a cerca de 900 mil euros, são alguns dos exemplos de despesismo em tempo de crise.
Parece vislumbrar-se no horizonte uma única razão para este absoluto descontrolo: as eleições que se aproximam e a ânsia da manutenção do poder, custe o que custar ao contribuinte açoriano.
Somos uma das regiões mais pobres da Europa, completamente dependente de subsídios europeus e com a maior taxa de beneficiários de Rendimento Social de Inserção, mas estamos a mostrar precisamente o contrário.
Damos a entender, pela ordem de grandeza da despesa assumida nos últimos tempos, que o dinheiro não é problema.
Há que pôr travão a esta onda de despesismo, sem paralelo em nenhum outro país civilizado, porque nos Açores não pode vigorar nestes períodos o já famoso ditado “quem vier atrás que feche a porta” e pague as contas.
Podemos e devemos andar para a frente, no entanto, esse caminho terá que ser realizado, sempre, sem comprometer o futuro da Região e dos açorianos. O qual, neste momento, estará em causa com tanto p´rá frente é que gastar.

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