Projeto de Recuperação da enguia europeia – ANGUILLA ANGUILLA (LINNAEUS, 1758) da EDA Renováveis

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Por: EDA

Desde 2012 que a EDA Renováveis abraça o Projeto de Recuperação da População de Enguia Europeia, na Ribeira Quente, ilha de São Miguel, com o objetivo de capturar e relocalizar enguias juvenis, que se encontram em processo de migração e de modo a evitar dispêndios elevados de energia física necessária para ultrapassar as barreiras naturais e artificiais dos circuitos hidráulicos das quatro centrais míni hídricas aí instaladas.

Esta espécie enigmática e esquiva teve um brusco declínio na Europa e Norte de África, na
década de 80, por isso faz parte da lista de espécies em declínio, inscritas no anexo II da
Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies da Fauna e da Flora Selvagem
Ameaçadas de Extinção.

Ao longo de 2023, foram capturadas nos sistemas de captura instalados na Ribeira Quente pela EDA Renováveis e relocalizadas a montante das centrais um total de 110 enguias juvenis. As armadilhas constam de rampas metálicas planeadas e construídas localmente e instaladas na margem da ribeira, com uma inclinação de cerca de 45º, à saída das águas turbinadas, pelas quais os indivíduos sobem e, no final, caem numa caixa onde corre constantemente um fio de água. Ao longo destes 12 anos do projeto foram capturados um total de 7.134 espécimenes, o que nos permite afirmar que a EDA Renováveis está a dar um grande contributo para a preservação dessa espécie. As capturas de 2023 foram reduzidas quando comparadas com anos anteriores e impactadas pelos movimentos de vertente verificados nessa ribeira aquando da passagem da Depressão Óscar sobre a ilha de São Miguel no mês de junho de 2023. Também neste ano de 2023 a EDA Renováveis apoiou o estudo da enguia europeia na Ribeira Grande na ilha das Flores, levado a cabo por uma equipa internacional para melhor entendermos a complexidade do seu ciclo de vida.

O ciclo de vida da enguia europeia é complexo e começa no mar, onde os ovos são largados e nascem as larvas. Estudos recentes (EELIAD e LifeWatch) revelam que a eclosão dos ovos ocorre no Mar dos Sargaços, sendo depois transportados pelas correntes oceânicas até às ribeiras em todo o Arquipélago dos Açores. Estima-se que esse transporte possa levar entre um e dois anos. Não se percebeu ainda se os Açores funcionam como escala da viagem dessa espécie desde o Mar dos Sargaços até ao Mar Báltico, Mar do Norte, Golfo da Biscaia e costa oeste do Mediterrâneo. Ainda há muito para investigar e o esforço de recuperação da espécie deverá ser mantido.

O misterioso comportamento da enguia remonta à antiguidade clássica, pois Aristóteles
quando o observou postulou que esses animais emergiam milagrosamente da lama e da água da chuva. Estava errado, mas os dados não lhe permitiam outra conclusão. De facto, é intrigante vê-las sair das águas da ribeira e atravessar em terra pequenos troços para de
seguida mergulhar de novo nas águas da mesma ribeira mais acima, ultrapassando obstáculos naturais ou artificiais que à partida se julgavam inultrapassáveis. Algumas são ingeridas por outros animais de água doce pelo que a EDA Renováveis as tenta colocar em locais onde não haja predação. A relocalização das enguias é efetuada alternadamente na ribeira proveniente da Serra do Trigo, na ribeira Amarela e Ribeira da Gloria Patri, na zona das Furnas, garantindo uma repartição temporal igualitária.

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