Quem perde?

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QUEM PERDE? O FAIAL.
Depois de uma certa acalmia, a SATA Internacional voltou, nos últimos dias, ao descontrolo nas ligações com o Faial, com cancelamentos atrás de cancelamentos prejudicando pessoas e lesando gravemente o nosso destino turístico. Perante o incompreensível silêncio das autoridades desta ilha, reproduzo, com a devida vénia, o que escreveu Diogo Duarte no Grupo do Aeroporto da Horta, no passado dia 1 de setembro, e que expressa bem o fundo deste problema, sob o título “Tudo na mesma”:
“Há precisamente 1 ano e 1 mês, em plena época alta para o Faial, em pleno verão, podíamos ler as seguintes declarações do Sr. Presidente da Câmara: “A Câmara Municipal da Horta exige um reforço imediato das ligações inter-ilhas e mais garantias nas ligações da Horta com o Continente Português para dar resposta ao aumento da procura de turistas pela ilha. Na sequência dos cancelamentos verificados este fim-de-semana, nas ligações com Lisboa, José Leonardo Silva fez chegar à companhia aérea a reivindicação dos faialenses face às dificuldades que se vêm fazendo sentir.”
De acordo com o Presidente da Câmara, “não é possível continuar assim”, até porque os constrangimentos são vários e afetam as ligações inter-ilhas e ao Continente Português.”
Pois é, “não é possível continuar assim”, mas passados 13 meses destas declarações tudo continua na mesma.
Infelizmente como este ano não temos eleições, os faialenses não tiveram direito a uma defesa dos seus interesses no que toca às acessibilidades aéreas.
Já em março deste ano o PS Faial publicou um comunicado onde destaco o seguinte parágrafo:
“Tiago Branco considerou ainda ser importante garantir resposta em caso de aumento da procura: “Questionamos o Sr. Presidente da SATA sobre a atuação da companhia no caso de se verificar, como aconteceu o ano passado, picos de procura de lugares para o Faial. Para nós é fundamental que seja dada uma resposta por parte da SATA a esse aumento de procura, nomeadamente no inter-ilhas”, afirmou o socialista, referindo ter recebido uma resposta positiva nesse sentido.
Os “picos de procura de lugares” já aconteceram. Alguns até trouxeram rebuçado: deixaram passageiros sem bagagem ou até mesmo sem voo, como aconteceu ontem. Da parte do PS Faial também nada se tem ouvido.
O Partido Socialista do Faial é aquele que detém maior responsabilidade na defesa dos interesses da nossa ilha. Responsabilidade esta que foi delegada pelos faialenses em atos eleitorais: Autárquicas (presidência da CMH) e Legislativas (dois deputados da maioria socialista na ALRA que suportam o Governo Regional). Exige-se, portanto, muito mais que isto!
Este assunto tem sido muitas vezes tratado com uma cobardia vergonhosa. Colocar a culpa somente na SATA é pôr no mesmo saco os seus trabalhadores que estão nas suas funções a dar o melhor pela sua companhia. Os membros eleitos do PS Faial são políticos profissionais e como tal têm de ter a coragem de reconhecer e afirmar publicamente que o problema das acessibilidades aéreas ao Faial tem o seu início num patamar superior: o Governo Regional. Este tem sido o grande cancro da SATA.
Enquanto o PS de Vasco Cordeiro tiver no Faial camaradas mansos e obedientes o resultado será sempre este: eles enviam uns comunicados, os anos passam, e continua tudo na mesma.
Quem perde? O Faial.

QUEM PERDE? AS CRIANÇAS.
No passado mês de julho a freguesia das Cinco Ribeiras, na ilha Terceira, viveu um sobressalto que já tantas outras nos Açores viveram: a iminência do encerramento da sua escola do 1º Ciclo! Razão? A mesma de sempre: poucos alunos (pouco mais de 20 na totalidade). Neste caso, o Governo Regional aceitou a vontade dos pais e lá autorizou a que a escola se mantivesse aberta para já. Muitas outras no passado, não tiveram essa sorte!
A questão do encerramento de escolas nos Açores e em Portugal tem estado associada a uma orientação educativa ultrapassada e a princípios de natureza pedagógica discutíveis.
Muitas escolas fecharam nos Açores e em Portugal Continental para se cumprir uma orientação da política educativa: encerrar as escolas das freguesias e concentrar os alunos em escolas de maior dimensão nos centros urbanos ou nos seus subúrbios, justificando-se, assim, a aposta governativa na construção dessas grandes escolas (que albergam, em média, o dobro dos alunos em relação ao que é recomendado nos estudos de referência internacionais). À boa maneira portuguesa, para justificar um erro, agravou-se o problema, transformando essas escolas, à viva força, em verdadeiros silos de estudantes, sob o pretexto da “melhoria da qualidade das condições pedagógicas”.
Eis-nos, pois, chegados às questões pedagógicas, essa variável tão subjetiva, que serve, em última instância, para justificar tudo o que se quiser. Lembro-me, como se fosse hoje, a elasticidade e a variabilidade dos argumentos “pedagógicos” utilizados para justificar o encerramento da Escola do Salão, em 2011. É que são sempre os mesmos e nenhum deles, até hoje, fez prova suficiente de que é melhor para os alunos, quando comparado com a sua alternativa, que é manter as crianças próximas dos pais, da família e da sua residência!
Quem perde? As crianças.

03.09.2018