Santa Casa

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É Natal, é nesta época do ano que toda a nossa sociedade se vira para a solidariedade, apoio aos mais necessitados, apoio aos nossos idosos, às nossas crianças, aos nossos animais, só falta à nossa natureza.
As festividades são invadidas por associações de solidariedade, e não só, para captar o apoio necessário para pagar os seus custos e concretizar os seus objetivos e futuros projetos para o primeiro trimestre do próximo ano.
Há quem defenda a economia da solidariedade, dizem que é o futuro. Bem, só espero que estejam errados, pois se não estão, significa que vamos continuar a viver na miséria e cheios de negócios de IPSS para ajudar quando mais precisamos.
Na nossa ilha existem várias Instituições Particulares de Solidarie-dade Social e, pelo que tenho lido, são as IPSS os motores económicos dessa dita economia da solidariedade.
A Santa Casa da Misericórdia da Horta é uma IPSS, fundada entre 1520 e 1522 e hoje a 15 de dezembro vai a eleições. Pelo que fui informado existem duas listas a sufrágio e o burburinho que se gerou nesta nossa ilha, diz que parece vão ser umas eleições renhidas.
Esta instituição tem dado muito de si a esta terra, mas tal como outras instituições de solidariedade tem os seus prós e contras.
Como nos dizem os manuais, “as pessoas idosas têm direito à segurança económica e a condições de habitação e convívio familiar e comunitário que respeitem a sua autonomia pessoal e evitam e superam o isolamento ou a marginalização social.
A política de terceira idade engloba medidas de caráter económico, social e cultural tendentes a proporcionar às pessoas idosas oportunidades de realização pessoal, através de uma participação ativa na vida da comunidade.”
É neste sentido que questiono, porque razão não vemos os nossos idosos a passear pelos nossos jardins? Será uma questão cultural, será por falta de mobilização ou acessibilidades aos mesmos? Será por culpa dos transportes públicos?
Julgo que a política de solidariedade deve ser transversal a toda a nossa sociedade. Quando governamos, ao fazermos um esforço pedonal estamos também a ser solidários para quem tem grandes dificuldades de mobilização.
Mas, e não só. A expressão “mexe-te que te dá vida” é uma realidade. E nós quando fonte de apoio solidário devemos também refletir sobre estas questões. Ajudar de imediato é positivo, mas julgo que a nível social temos que começar a pensar a longo prazo.
É neste sentido que a Santa Casa da Misericórdia, em conjunto com outras IPSS, se deve abrir à sociedade com o fim de “mexer” com os nossos idosos procurando proporcionar-lhes uma vida humanizada e um aumento da sua esperança média de vida.
Uma Santa Casa não pode ser só de sofrimento e tratamento, mas sim um espaço de oportunidades de realização pessoal, através de uma participação ativa na vida da comunidade.
Neste sentido, sem criticar o trabalho anterior ou as pessoas envolvidas neste ato eleitoral, simplesmente peço que reflitam e coloquem a sociedade a refletir sobre o nosso futuro nas vossas mãos.
A todos os leitores desejo um Santo Natal, não cheio de esperança como é habitual pedir nestas alturas do ano, mas sim cheio de reflexão e muita energia para que em 2018 possamos começar a realizar utopias que nos façam ser felizes.

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