Troikas e Baldrocas no café “Toma lá Crise” promete fazer rir muitos “clientes”

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O Grupo de Teatro ChamaRir está de regresso aos palcos com mais uma comédia. “Troikas e Baldrocas” sobe ao palco sábado, dia 10 de Março, pelas 21h30, na Casa do Espírito Santo, na freguesia de Pedro Miguel.

Esta é a nona peça do grupo, que existe desde 2004, e tem como pano de fundo, como não podia deixar de ser, a Crise.

A nova comédia do Grupo de Teatro ChamaRir intitulada “Troikas e baldrocas” retracta um tema bastante actual e polémico: a crise. Passa-se no café “Toma lá crise”, que é explorado por Celestino, seu proprietário, com a ajuda da sua empregada Gabriela Carla.

Celestino recebe a notícia de que os seus primos da América estão a chegar para o conhecer. Então pede ao seu amigo Ramiro que fique a tomar conta do café enquanto vai à loja comprar um fato e uma gravata nova para receber com boa aparência os seus familiares.

Ramiro e sua esposa Laurinda, que vivem com dificuldades financeiras, engendram logo um plano para se fazerem passar por Celestino e sua mulher, para extorquir dinheiro aos americanos… E para saber o resto da história, o melhor mesmo é assistir.

Este grupo de teatro amador já habituou o público a bons espectáculos e muitas risadas. Esta é já a nona peça encenada desde que o grupo se estreou, em 2004. Presentemente conta com uma equipa de seis actores, a que se juntam os autores e encenadores das peças, Rui Silva e Ludgero Pinheiro.

Tribuna das Ilhas foi ao encontro do grupo em vésperas da estreia, e conversou com Rui Silva, que nos deu a conhecer um pouco da história do ChamaRir e da sua nova peça.

O ChamaRir surgiu, segundo explicou à nossa reportagem, na sequência de um convite da Junta de Freguesia de Pedro Miguel, que desafiou o Grupo Folclórico e Etnográfico da freguesia a formar um grupo de teatro para integrar o Projecto de Animação Desportiva e Cultural (PADC): “o Ludgero Pinheiro propôs que aceitássemos o desafio e sugeriu que fizéssemos esta parceria, que tem resultado até agora”, explica o porta-voz do grupo.

Assim, o grupo de teatro surgiu integrado no Grupo Folclórico e Etnográfico de Pedro Miguel (GFEPM), do qual fazem parte todos os elementos do ChamaRir. Por isso, e como explicou Rui, as estreias do ChamaRir são normalmente por esta altura, “época baixa” em termos de actuações do GFEPM. “Normalmente começamos a escrever as peças nos meses de Setembro ou Outubro. Geralmente no Verão dedicamo-nos ao Grupo Folclórico, que nessa altura tem mais actuações, e depois, no Inverno, retomamos a actividade do Grupo de Teatro”, refere.

No entender de Rui Silva, até agora tem sido fácil conciliar os ensaios do ChamaRir com as actividades do Grupo Folclórico: “ainda não temos tido actuações do Grupo Folclórico, pois estas surgem mais no Verão. Neste momento, coordenamos os ensaios do Grupo de Teatro com os do Grupo Folclórico. O que acontece é que temos todos os dias preenchidos mas nós estamos nisto por gosto e, como diz o povo, o que é por gosto não cansa”.

Fazer rir é mesmo o motivo que move este grupo, por isso opta pelas comédias. Para Rui Silva, um dos autores do texto, “fazer rir é muito difícil. Nós, quando escrevermos a peça e fazemos uma piada, pensamos que vai resultar. Também o actor que está habituado a fazer rir, e julga que vai fazer rir, fica com frio na espinha se a piada não resulta” explica.

É a fazer comédia que o ChamaRir se sente à vontade, no entanto Rui reconhece que “o drama seria um desafio, mas não sei se o nosso público iria reagir bem”. “O público, quando pensa no ChamaRir, já vai com aquele intuito de rir”, diz, acrescentando que a comédia continua também a ser um desafio: “a comédia, quanto a nós, é muito difícil de escrever, e é cada vez mais difícil fazer rir”.

É também um pouco por este motivo que há cerca de dois anos o grupo mantém sempre o mesmo elenco. Na opinião de Rui, isto torna mais fácil escrever as peças: “felizmente temos este grupo que é coeso e para nós, que escrevemos, é mais fácil porque já conhecemos os actores e conseguimos pensar melhor qual o actor mais adequado à personagem e quais as piadas indicadas para ele“, refere.

“Nas nossas peças existe muito improviso. Se nós vemos que numa apresentação um improviso resultou mantemos. Caso contrário, se vemos que o improviso ou uma determinada piada não resultaram fazemos alterações, porque o objectivo é fazer rir” salienta Rui. “Troikas e Baldrocas”, refere, não foge à regra e abre espaços ao improviso dos actores.

“Troikas e Baldrocas”, à semelhança das peças anteriores, aborda um tema da actualidade: “normalmente pegamos sempre em assuntos actuais mais polémicos”, diz Rui, acrescentando que este ano, “num cenário de crise, a história tem a ver com a crise, como não podia deixar de ser”.

No que diz respeito a actuações agendadas para este ano, Rui Silva revela que, para já, o grupo vai marcar presença nos Cedros, no dia 17 de Março, e nas Angústias, no dia 30, esta última no âmbito do PADC daquela freguesia.

O grupo tem noção de que 2012 não será um ano fácil no que aos espectáculos diz respeito: “este ano é um ano de crise as Juntas de Freguesia estão com dificuldades de orçamento logo, para percorremos as freguesias à semelhança dos anos anteriores, temos de ver qual é a disponibilidade existente”, explica.

O grupo já actuou em todas as freguesias da ilha, normalmente no âmbito do PADC. Já foi ao Pico três vezes, onde actuou nas Bandeiras e na Candelária. Este ano tem por objectivo ir à ilha Graciosa, um projecto que estava na agenda no ano passado mas não se concretizou e que este ano o Grupo vai tentar concretizar.

Actualmente, o único apoio com que o grupo conta vem da Câmara Municipal da Horta, através de um protocolo entre esta e o GFEPM que contempla também a actividade do grupo de teatro.

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