160 anos – Sinto orgulho em fazer parte da Casa de Infância de Santo António

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Paula Campos há 23 anos que trabalha na Casa de Infância de Santo António (CISA) como Ajudante de Educação, mas foi apenas com três anos que entrou pela primeira vez nesta instituição que vê como a sua “segunda casa”.
A funcionária numa entrevista ao Tribuna das Ilhas no âmbito das comemorações dos 160 anos da instituição, fala com “orgulho e gratidão” das quase três décadas que lá tem passado.

Paula Campos ao longo de mais de duas décadas tem acompanhado muitas crianças que pela primeira vez vão para a creche ou Jardim de Infância, exercendo o papel de uma segunda “mãe”, dando-lhes colinho, limpando as lágrimas, ajudando a adormecer, a comer, em muitos casos, a mudar as fraldas, oferecendo-lhes o carinho, os abraços e os beijinhos que eles tanto precisam nesta fase da sua vida.
Mas nem sempre foi assim. Também Paula necessitou desses cuidados quando aos três anos entrou pela primeira vez no Colégio.
Pertencente a uma família numerosa, de quatro irmãos, a ex-aluna frequentou a instituição até aos nove anos, ou seja, “toda a infantil e Escola Primária”, afirma.
Segundo Paula, o colégio “sempre foi e é uma instituição privilegiada” que “garantia e garante cuidados e segurança, ajudando os pais que trabalham, pelo facto de poderem deixar os filhos todo o dia na instituição, tornando-se menos uma preocupação”, revela.
Tal como hoje, a CISA permitia a Paula e aos seus irmãos almoçar e lanchar no colégio. “Oferecia transporte todos os dias e permitia que tivéssemos outras aulas como piano, lavores, etc”.
Segundo a ex-aluna o objetivo dos pais sempre foi investir na sua “educação e formação” e dos seus irmãos.
Dos anos que passou no colégio Paula destaca as “brincadeiras no recreio, o jogo da casola, o escorrega muito alto, um carrocel, as corridas até debaixo das arcadas, o elástico, o ringue, o jogo da cabra-cega”.
Lembra ainda uma quinta velha que diziam estar assombrada e pela qual tinham “muito respeito”, conta com saudade.
A ex-aluna recorda ainda “as saídas ao jardim do Relógio em que delirávamos apanhar umas bolinhas que caiam das árvores e ainda enchíamos as algibeiras delas”. “Também havia uma mata perto do colégio, que íamos muitas vezes para lá brincar. Foram belos tempos…”, sustenta com nostalgia.
“De manhã todos os dias vinha uma irmã à sala para rezarmos de pé”, lembra-se como se fosse hoje.
No que se refere às memórias pedagógicas, a Ajudante de Educação revive as aulas de ginástica, o equipamento, composto por uma saia calça branca, blusa branca e sapatilhas de que era “super fã”, lamentando que tenha sido utilizado só até à 2.ª classe, altura em que foi substituído “pelo fato de treino que se reserva até aos dias de hoje”, demonstrando que o seu gosto pela moda vem desde pequena.
Paula realça “com muita saudade, orgulho e satisfação” a sua educadora de infância e também a professora da 1.ª classe a irmã Maria Arminda “que era muito exigente connosco, mas muito humana e amiga de todas nós”.
Do 1.º ciclo, a ex-aluna preserva na sua memória o entusiasmo com que receberam na 2.ª classe a nova professora. “A professora Fernanda que na altura tinha apenas 20 anos (1978) foi uma imensa alegria para nós e que chegou em boa altura pois tínhamos acabado de perder uma grande educadora e professora”, revela.
Para Paula “a professora Fernanda era e continua a ser uma doçura de pessoa. Nos três anos seguintes acompanhou sempre o nosso grupo que era muito amigo e unido e deu-nos boas bases para hoje sermos o que somos a nível académico e muitos terem chegado onde chegaram. Um muito obrigado”, frisa.
A ex-aluna adianta que foi na CISA que aprendeu a bordar a cozer e a fazer ponto cruz, nas aulas de lavores, que na altura era considerada uma ferramenta fundamental na vida de uma mulher.
Quanto aos constrangimentos sentidos pela sua geração, Paula avança que “na altura poucos eram os pais que tinham viatura própria. Lembra-se que ela e os seus irmãos tinham de se levantar muito cedo para apanhar o autocarro “que passava ainda um pouco distante de nossa casa para irmos até ao colégio e que igualmente nos trazia de regresso ao final do dia”.
Recorda também a hora das refeições. “Nesse tempo não havia cozinha na instituição pelo que trazíamos a lancheira de casa com almoço e lanche todos os dias que muitas vezes nem era aquecido”.
Segundo Paula “esses pequenos constrangimentos fizeram com que nos apercebêssemos que a vida é mesmo assim, não é fácil para ninguém, tem de se lutar muito”, comenta.
Apesar das condições do Colégio no seu tempo não serem as mesmas de hoje, Paula considera-se uma felizarda por ter frequentado a instituição que vê como um “um lugar privilegiado de formação integral e humana.
A ex-aluna refere que o Colégio lhe deu “formação académica (ensino), formação religiosa (catequese) e formação social, convivência entre os professores, alunos e internos”.
No que diz respeito aos valores e princípios adquiridos na instituição, a Ajudante de Educação, ressalva a “amizade, solidariedade, espírito de grupo, partilha de trabalho, respeito pelos outros”, evidenciando o orgulho que sente em “ter feito e continuar a fazer parte dos 160 anos desta instituição que é a nossa Casa de Infância de Santo António, quer como aluna, quer como funcionária”.
Para Paula falar da CISA é “sinónimo de gratidão, compreensão, amizade, disponibilidade”, que considera como “a melhor instituição de sempre com pessoas muito humanas e trabalhadoras”.
A Ajudante de Educação elogia ainda as diferentes direções “que ao longo destes anos têm passado pela CISA, dando muito do seu tempo sem nada pedir em troca fazendo com que esta instituição siga em frente. Um muito obrigado a todos por me darem a oportunidade de fazer parte desta casa”, conclui.

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