A “Laranja” quase destruiu o “Bouquet de Rosas”

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A sondagem e a noticia
A dois dias das eleições legislativas nos Açores surgir uma sondagem da Universidade Católica que dava a maioria absoluta ao Partido Socialista é, no mínimo, suspeito. Suspeito porque, incompreensivelmente, não tinha sido realizada até aquela data qualquer sondagem; suspeito, também, porque a amostra se limitou a eleitores de São Miguel e Terceira.
Seria importante saber se a mesma foi realizada por iniciativa da Universidade Católica ou se foi encomendada. E, neste caso, por quem e com que objetivo? Na verdade, este ato duvidoso coloca em causa o regime democrático existente, da mesma forma que a noticia de capa publicada no jornal Público a dois dias do encerramento da campanha eleitoral, a propósito da alienação da Azores Parque, deu claramente a perceção que a mesma foi ali “plantada”.
Para o Estado de Direito não sair beliscado com estas dúbias situações, era importante que o Ministério Público e a Entidade Reguladora da Comunicação Social (ERC) investigassem a fundo estes dois atos.
Rescaldo das eleições legislativas
Olhando friamente para os resultados eleitorais de domingo passado ao nível regional, vemos que o Partido Socialista (PS) ganhou as eleições, pois teve mais votos e conseguiu eleger mais deputados regionais – 25. Em segundo lugar ficou o Partido Social Democrata (PSD) que elegeu 21 deputados e a terceira força política mais votada foi o CDS/PP com 3 deputados, logo seguida do estreante CHEGA (2 deputados), do Bloco de Esquerda (BE) – 2 deputados, do PPM (1) e PPM/CDS (1), do Iniciativa Liberal (IL) – 1 deputado e do PAN (1).
Na ilha do Faial, o grande vencedor da noite foi Carlos Ferreira, do PSD, derrotando, mais uma vez, a ainda Presidente da Assembleia Legislativa Regional, Ana Luís. Aumentou a sua votação e conseguiu que mais 200 eleitores o escolhessem para defender os interesses do Faial no hemiciclo açoriano.
Aliás, no mapa regional, foi o único candidato social democrata a vencer numa das nove ilhas dos Açores, o que o coloca como uma das figuras centrais da máquina laranja nos Açores e como o principal candidato a assumir a Presidência da Assembleia Legislativa.
Também nestes resultados não podemos deixar de destacar a excelente prestação de Paula Decq Mota, que duplicou a sua votação e que, face ao catastrófico resultado eleitoral da CDU, poderá aspirar, a breve trecho, assumir o cargo de Coordenador Regional do Partido Comunista Português.
Cenários para uma governabilidade açoriana
Atrevo-me a dizer que nos dias que se seguiram às eleições já se falou e escreveu tanto acerca de cenários pós-eleitorais que pouco sobrou para a constituição de hipotéticos governos. A minha perceção é que tudo se passará exatamente da mesma forma que em 2015 no continente português, mas ao contrário.
O Partido Socialista formará governo, um governo minoritário apenas apoiado pelo BE e pelo PAN e submeterá à Assembleia Legislativa o seu programa que será chumbado pela oposição de direita, levando a que o PSD seja convidado a formar governo.
Não acredito que Bolieiro dê a mão a Vasco Cordeiro para o manter no poder, pois ele já percebeu que arriscar quatro anos na oposição, permitindo que o PS se reagrupe, defina novas estratégias, atraia mais clientelas, mantenha os seus “boys” e a sua máquina no poder, poderá significar a sua derrota em futuras eleições, antecipadas ou não.
Bolieiro é pessoa sensata, correta e humilde, mas também é político, portanto, sabendo que está a “centímetros” de ser Presidente do Governo Regional não deixará de agarrar essa oportunidade, mesmo que tal signifique fazer cedências parlamentares ao CHEGA e ao IL.
E Bolieiro também não se esqueceu de que haverá eleições autárquicas daqui a um ano e o PSD aspira a ganhar mais municípios. E quer se queira quer não, é mais fácil essa vitória sendo poder do que estando na oposição.
O próximo mês será decisivo para se saber se a “rosa” murchou ou a “laranja” ganhou mais cor.
Aguardemos.

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