
Passados 10 anos sobre a sua fundação a Unisénior da ilha do Faial tem como objectivo principal a sua autonomização. No entanto, os seus responsáveis reclamam mais apoios das entidades competentes
A direção da Associação dos Antigos Alunos do Liceu da Horta (AAALH), após 10 anos de actividade da sua Universidade Sénior, aponta o caminho da autonomização para conseguir assegurar a sua sobrevivência.
È essa a principal conclusão que se retira de um documento interno da referida Associação a que o Tribuna das Ilhas teve acesso. Ali é dito abertamente que “a autonomização plena da Universidade Sénior do Faial é um dos objectivos próximos da direcção da AAALH”, considerando esta que “a experiência dos 10 anos deste projecto permitirá a avaliação do seu histórico, agora em fim de ciclo, e a sistematização dos factores determinantes da passagem de ‘projecto’ a ‘entidade autónoma’.
No entanto, a direcção da AAALH salienta que não possui todos os requisitos para garantir a evolução da projecção da Universidade Sénior em termos qualitativos e quantitativos e também para garantir a necessária readaptação da sua existência à dimensão real da influência na sociedade faialense dos paradigmas fundadores da UniSénior.
Acrescenta, ainda, a AAALH que, na sequência da “experiência sistemática de ensaios de autonomia” avança para esta medida de autonomização, para a escolha do modelo de personalidade jurídica e dos procedimentos de transferência de património porque viu “gorada grande parte das diligências recentes de procura de parcerias”.
INTERRUPÇÃO DA UNISÉNIOR NO HORIZONTE
Nesse mesmo documento, a Associação dos Antigos Alunos do Liceu da Horta entende que “se, entretanto, não forem reunidas as condições suficientes para o funcionamento “à altura” da designada “Universidade Sénior do Faial”, irá proceder à sua interrupção “até à conclusão do processo de autonomização”.
Adianta ainda a Associação que apesar dos esforços e apelos que ao longos dos anos tem feito, sobretudo junto da Câmara Municipal da Horta, que tem assegurado o funcionamento da Unisénior apenas 3 dias por semana, entre as 14.00h e as 18.00h, avançarão para um projeto de “envelhecimento activo/UniSénior” na dimensão possível, adaptada às circunstâncias, ou seja, “a existência ou não de pessoas para a gestão, leque de oferta lectiva condicionada a acordos entre grupos de interessados/Professores”.
NOMEAÇÃO DE UM NOVO CONSELHO DE GESTÃO
Apesar das dificuldades, surgiu no passado mês um grupo de pessoas dispostas a gerir mais um ano da Unisénior do Faial, pelo que, segundo refere o documento, a AAALH irá garantir “as condições para a tomada de posse”, adiantando que “não existirá qualquer reserva na aceitação das pessoas que vierem a integrar esta nova solução, aguardando-se apenas a oportunidade (urgente) para a conversa natural e desejável sobre o que cada uma das partes tiver a dizer e a propor à outra”.
Entende a AAALH que deverá caminhar nesta solução pois ”não se pode desresponsabilizar do acompanhamento deste projecto que está sob a sua tutela institucional garantida pelo seu estatuto jurídico, suporte de compromissos com terceiros e obrigando ao cumprimento de regras de ‘prestação de contas’ à sua própria hierarquia (Conselho Fiscal e Assembleia Geral).
PROBLEMAS DA UNISÉNIOR PERSISTEM HÁ VÁRIOS ANOS
Precisamente há um ano atrás, em carta aberta à “comunidade sénior” a Associação dos Antigos Alunos do Liceu da Horta (AAALH) alertava para o facto de a Unisénior estar a viver um momento de grande dificuldade, “estando em risco a continuidade desse projecto, iniciado há 10 anos”.
Segundo o conteúdo da missiva dada a conhecer na altura a esta redacção o problema existia há muito tempo, pois “o problema maior da Universidade Sénior do Faial é a dificuldade de ser assegurada a continuidade da gestão pelos próprios alunos”.
Já então, apesar de reconhecer o esforço, dedicação e contributo de todos, a direcção da AAALH entendia ser necessário pensar o modelo e os intervenientes na gestão da universidade. “O alvo deste problema é, na primeira linha, a própria AAALH, que acreditou num modelo centrado no regime de liberdade de acção e de confiança na experiência de vida dos séniores. A AAALH devia ter aprofundado, logo de início, as razões porque, em geral, nas outras Universidades Séniores não é seguida essa via de confiança nas pessoas, concedendo-lhes a gestão da Universidade”.
De acordo com o referido documento, para a AAALH tornava-se muito difícil continuar a resistir, depois de 10 anos, quando era “evidente a necessidade urgente de uma alternativa que garanta o acesso a outro modelo na fluidez da gestão”.
Entendia a AAALH que as soluções não passavam apenas por ela, “é necessário a abertura e o apoio a qualquer movimento da própria sociedade faialense, interessado em introduzir uma nova orientação na Universidade Sénior ou, simplesmente, organizá-la de modo diferente (constituição de cooperativa, fundação, associação, IPSS, sociedade… destinada a esse fim)”.
“A responsabilidade da criação da Universidade Sénior, a participação activa em todo o seu percurso e o compromisso assumido com a sociedade faialense em 13/9/2008, “obriga” a AAALH a estar empenhada na difícil situação actual, tentando garantir a sobrevivência deste projecto”, concluía a referida missiva.
A FALTA DE APOIOS E DE PARCEIROS
No ano transacto, a AAALH fez várias tentativas de aproximação às entidades que “apadrinharam” a fundação da Universidade, como a Câmara Municipal da Horta, com o intuito de “ser evitada uma situação de ruptura”.
No entanto, apesar da expectativa de um acordo com o Municipio, a Associação dos Antigos Alunos do Liceu da Horta não conseguiu trabalhar conjuntamente com aquela entidade para construir uma solução que conciliasse a experiência da AAALH e os condicionamentos da Câmara Municipal.
Neste sentido, as perspectivas que existiam não se conseguiram atingir, pois o Municipio apoiou apenas com a dispensa de um funcionário durante 3 três dias por semana, das 14.00h às 18.00h e com a cedência do Teatro Faialense.
Apesar da falta de resposta positiva nas diligências para encontrar parcerias de apoio logístico, em particular a dificuldade da CMH para corresponder à expectativa criada de uma progressiva responsabilidade do funcionamento da UniSénior, associada à falta de disponibilidade dos séniores para contribuírem para a coordenação das actividades da UniSénior; a Unisénior do Faial parece, no entanto, ver uma luz para assegurar a sua subsistência e que passará, sobretudo, pela sua “autonomização”.
A Universidade Sénior do Faial, elemento importante para o equilíbrio da nossa sociedade, é um projecto criado pela AAALH há 10 anos, e que há dois anos foi frequentado por 124 séniores, em 25 áreas, leccionadas por 28 docentes, em regime de voluntariado.














