Açores assumem papel essencial na relação transatlântica entre os EUA e a Europa

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A deputada do Partido Socialista dos Açores à Assembleia da República, Lara Martinho, assinalou a tão “desejada e esperada” reaproximação entre os EUA e a União Europeia, depois de anos de “ceticismo sobre o futuro da relação transatlântica, de divergências sociais, económicas e ambientais e de sistemáticas tentativas de desvalorização do sistema multilateral”.

Para a vice-presidente do GPPS, que interpelava, durante a reunião plenária, o Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, esta reaproximação, resultante do diálogo entre a UE e a nova administração norte-americana, visa aprofundar a parceria entre ambas as partes, mas também contribuir para a construção de uma liderança global conjunta, “na luta contra a pandemia, na recuperação e na mitigação das alterações climáticas, promovendo e garantindo os valores democráticos”.

Mencionando as recentes sanções anunciadas, quer pelos EUA como pela Europa, à violação de direitos humanos na Rússia, a parlamentar reforçou a necessidade de se proteger a democracia, defendendo, nessa medida, a necessidade de se obter uma relação transatlântica “forte, resiliente, que promova a paz e a segurança mundial, que defenda os direitos humanos e a ordem internacional, promovendo o multilateralismo como caminho para encontrar soluções para os problemas mundiais”, realidade evidenciada pela pandemia da COVID-19 que demonstrou a importância de se obter uma resposta concertada a crises, ameaças e desafios que são globais.

“Aos desafios mundiais emergentes, desde o reforço do multilateralismo, às alterações climáticas, à globalização, à evolução tecnológica e ascensão da China, acresce ainda o novo paradigma provocado pela pandemia”, afirmou a deputada, reforçando a importância de se tirar o máximo partido da política comercial, de apoio à recuperação da pandemia e à transformação ecológica e digital da economia europeia, para se criar uma Europa mais forte e mais resiliente no mundo.

Nesse sentido, e referindo a postura “aberta, de união e de partilha de objetivos estratégicos comuns” dos EUA, Lara Martinho questionou o Ministro sobre o que pode representar esta posição para o reforço do multilateralismo.

Já ao nível da nova política comercial europeia, e após a reunião informal do Conselho de Negócios Estrangeiros da União Europeia, na vertente do Comércio, a socialista questionou quanto às conclusões deste encontro, bem como sobre a forma como Portugal poderá beneficiar da sua concretização, perguntando ainda, no âmbito do Programa Internacionalizar 2030, que contributo pode dar para o crescimento das exportações portuguesas.

Também na área da transformação digital, a socialista perguntou sobre o papel que a Presidência portuguesa tem desempenhado na afirmação da soberania estratégica e digital da União Europeia, bem como de que forma a aposta na conectividade internacional, através de novas rotas de cabos submarinos, poderá beneficiar a União, constituindo-se, simultaneamente, “como fonte de investimento e de criação de emprego qualificado e de desenvolvimento da nossa economia digital à escala europeia e mundial”, questionou Lara Martinho.

Em resposta, o Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros concordou com as afirmações da deputada socialista a respeito da importância da relação transatlântica, destacando “o papel de Portugal nesta relação e o papel das Regiões Autónomas, e naturalmente também dos Açores”, como sendo absolutamente essencial.

Já em relação à revisão da politica comercial, Augusto Santos Silva assegurou que: “quando falamos da cimeira entre Biden e os líderes europeus, que esperamos que se realize este semestre, da próxima cimeira da NATO, da participação com os americanos na Cimeira das Democracias e no olhar em conjunto para as grandes regiões do mundo, para o muito que temos de fazer na cooperação com Árica, na ligação com a América Latina, na atenção equilibrada à Ásia Pacífica, falamos em concretizações muito específicas, muito reais e que podem ser muito valorosas desta nossa ligação matricial”.

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