António Costa prefere ações a declaração conjunta na cimeira UE-Liga Árabe

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O primeiro-ministro, António Costa, desvalorizou hoje a possível ausência de uma declaração conjunta no final da cimeira União Europeia-Liga Árabe, sustentando que o essencial é “a mensagem política” inerente ao primeiro encontro entre os líderes dos dois blocos.

Perante a perspetiva de a histórica cimeira entre a União Europeia (UE) e a Liga Árabe, a primeira entre os líderes dos dois blocos, não ter uma declaração conjunta que traduza os compromissos assumidos durante os dois dias de reunião, António Costa defendeu que “não vale a pena” centrar-se em “questões formais”.

Para António Costa, essencial é “a mensagem política que significa haver esta primeira reunião”.

“E esperemos que deste sinal político haja uma confiança que se construa e uma vontade política séria de podermos avançar. Um dia, mais do que declarações, espero que haja ações conjuntas”, reconheceu.

“Esse é o grande objetivo, que possamos ter de volta um grande espaço económico, que seja gerador de prosperidade para todos, que seja fator de encontro de convívio e de respeito pelas diferenças religiosas, culturais, territoriais, e que seja um grande espaço de paz. Foi isso que o Mediterrâneo foi e, quando o foi, foi um berço de tantas e tão ricas civilizações. Sempre que não foi, foi uma fonte de retrocesso”, recordou.

Costa rejeitou a ideia de que a UE tem estado adormecida na abordagem a estas questões, contrapondo que tem estado até “particularmente atuante”, e considerou que a cimeira que decorre entre hoje e segunda-feira “é um bom primeiro passo” para os dois blocos reencontrarem “aquilo que deve ser um destino comum à volta do Mediterrâneo”, um histórico “espaço de encontro”.

“Ultimamente, pelo contrário, [o Mediterrâneo] tem sido um espaço de barreiras, um cemitério de vidas humanas e um espaço onde os conflitos se acumularam e as oportunidades de desenvolvimento partilhado se perderam. Acho que é isso tudo que temos de recuperar. Esta primeira cimeira entre UE e Liga Árabe é um passo importante e espero que seja o primeiro de muitos passos do caminho que temos de fazer”, elucidou.

Após mais de duas décadas de tentativas frustradas, os chefes de Estado e de Governo da União Europeia e os seus homólogos da Liga Árabe estão reunidos numa primeira cimeira histórica, copresidida pelo presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, e pelo presidente do Egito, Abdel Fattah al-Sisi.

Da vasta agenda da reunião constam temas tão dispares como o aprofundamento da cooperação económica e comercial em setores como a energia, a ciência, a investigação, o turismo, a pesca e a agricultura, o combate às alterações climáticas, o multilateralismo, os desafios regionais causados pela instabilidade na Síria, Líbia e Iémen, e pelo processo de paz no Médio Oriente, a luta contra o terrorismo, e, sobretudo, as migrações.

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