Associação de Turismo Sustentável do Faial

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Dia 27 de Setembro assinala-se o Dia Mundial do Turismo. Numa região onde o turismo tem crescido a grande ritmo, devemos aproveitar estas efemérides como um momento não só de comemoração e valorização, mas também de reflexão. Observemos então alguns números do antes e depois de 2015, o ponto de viragem do Turismo nos Açores.
Segundo o SREA, em 2014 tivemos nos Açores 1,2 milhões de dormidas (um número que era constante, sem evolução, desde 2004), crescendo para um total de 2,6 milhões em 2018. Na ilha do Faial os números eram de 111.000 dormidas em 2001, 105.000 dormidas em 2014 e actualmente 178.000 dormidas em 2018. A ilha que maior peso tem no turismo regional é São Miguel, que passou de 803.000 dormidas em 2014 para 1,7 milhões em 2018, captando 65% do total das estadias em toda a região.
Olhando para projecções, o POTRAA (Plano de Ordenamento do Turismo da RAA) estima um ritmo de crescimento semelhante ao actual até 2022, havendo posteriormente um crescimento a ritmo mais reduzido, que corresponde à consolidação do destino. Nas estimativas do POTRAA teremos, até 2028, um número de dormidas na Região entre os 3 e os 5,3 milhões de dormidas anuais. Na ilha do Faial, em específico, os valores estão entre as 285.000 e as 295.000 dormidas anuais. Estamos, portanto, a falar practicamente de uma triplicação das dormidas no Faial face a 2014.
Se por um lado surgem aqui muitas oportunidades económicas, há por outro lado que pensar e agir de forma estratégica se quisermos progredir com qualidade e atingir este crescimento sem muitas mazelas e sem colocar em causa a capacidade de vivermos numa sociedade sã e equilibrada. O turismo é uma actividade capaz de trazer grandes benefícios, mas é também uma indústria com grande capacidade de transformação e descaracterização dos locais onde se desenvolve. Por todo o mundo os exemplos de turismo massificado e mal orientado multiplicam-se.
Se formos capazes de receber com autenticidade e profissionalismo, defendermos os nossos recursos naturais, utilizando-os com regras e limites, protegermos o nosso património cultural e apoiarmos ideias e projectos inovadores, então poderemos transformar o turismo num trunfo a favor do desenvolvimento local e do bem-estar da população.
Se por outro lado nos focarmos apenas nos números, sem um cuidado com aquilo que é a nossa oferta, sem respeito pelo meio ambiente, sem ideias novas, apenas imitando e repetindo o que está ao nosso lado, sem ter o cuidado de acrescentar valor, então iremos apenas conseguir replicar o pior que se vê no turismo, sofrendo a médio prazo as consequências da transformação sem que isso traga mais valias para a economia local.
Um destino de qualidade é um destino duradouro. Ao invés, um destino que não se preocupa com a sua identidade está condenado a descaracterizar-se e perder o seu valor.
Claro que nos podemos limitar a dizer que tudo isto provavelmente nunca vai acontecer por causa da SATA ou da pista do aeroporto mas, para nós, isso seria pouco, seria abdicarmos de exercer o direito a reflectir e a intervir no nosso espaço e do dever de planear o futuro.
Não podemos continuar a agir em reacção. Temos que ter novas ideias e soluções para que o Faial e os Açores sejam um destino de qualidade e realmente sustentável. É importante que a nossa sociedade canalize energias para dar resposta aos desafios qualitativos que estamos a enfrentar pois, no fundo, o tipo de turismo que criarmos e defendermos ditará o futuro do sítio onde vivemos.

A Direcção da ATSF – Associação de Turismo Sustentável do Faial

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