BE defende reabertura dos serviços de urgência permanente em São Roque e nas Lajes do Pico

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DR/BE
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O Bloco de Esquerda defende que as urgências dos centros de saúde de São Roque e das Lajes, na ilha do Pico, devem retomar a sua atividade permanente. “Estamos a falar de distâncias muito longas entre os três concelhos da ilha do Pico”, justificou António Lima, coordenador do BE, após reunião com a administração da Unidade de Saúde da Ilha do Pico.

“Percebemos que esta situação foi necessária para proteger o funcionamento dos serviços de saúde numa altura de grande incerteza, e em que foi necessário reorganizar os serviços de saúde para responder à situação de pandemia, mas agora, numa fase em que sabemos que a covid-19 não vai desaparecer tão cedo quanto seria desejável, é necessário repor a normalidade dos serviços de saúde, reabrindo a urgência 24 horas em São Roque e nas Lajes”, afirmou o líder do BE.

“Não se pode aceitar que estes serviços encerrem durante a noite de forma permanente”, disse António Lima, lembrando que a pandemia não pode ser usada como desculpa para tornar o encerramento destes serviços de urgência numa situação definitiva.

António Lima aponta situações idênticas noutras ilhas para justificar a pertinência de reabrir os serviços de urgência de São Roque e Lajes: em S. Jorge os centros de saúde de Velas e Calheta estão com atendimento permanente, e em S. Miguel, o centro de Saúde da Povoação, devido à distância em relação a Ponta Delgada, mantém o funcionamento em permanência.

“Os acidentes e os problemas de saúde não têm hora para acontecer” e é preciso ter capacidade para “dar resposta”, salienta António Lima.

“Não se pode querer fixar pessoas nos concelhos menos populosos, quando ao mesmo tempo se vão encerrando serviços essenciais como os serviços urgência”, acrescentou.

O BE considera que a Saúde tem que ser uma prioridade, e que, por isso, o investimento em recursos humanos e materiais para o Serviço Regional de Saúde é fundamental. António Lima recorda que o Orçamento Suplementar da Região contempla verbas para essa finalidade. “É preciso agora concretizar este investimento”, concluiu.

No fim de uma visita de dois dias à ilha do Pico, o coordenador do BE assinalou também o incumprimento da Cofaco em construir uma nova fábrica de conservas na ilha: “Quando despediu os seus 160 trabalhadores, a Cofaco prometeu que em janeiro de 2020 muitos estariam a trabalhar numa nova fábrica que a empresa iria construir. Mas estamos em agosto de 2020 e as obras ainda nem começaram”.

A única coisa que se sabe é que houve uma prorrogação de prazo para o levantamento da licença de construção até novembro de 2020 – curiosamente um mês depois das eleições – mas “não vemos sinais de que haja vontade da empresa em construir a fábrica que prometeu quando despediu todos os seus trabalhadores”, recordou o líder regional do BE.

O BE lamenta que o Governo Regional e o PS se tenham assumido como porta-vozes da Cofaco, demonstrando mais preocupação em defender a empresa do que em defender os trabalhadores e a economia do Pico.

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