Carlos Neves apela à participação dos Clubes na arbitragem

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Após 15 anos à frente do Conselho de Arbitragem (CA) da Associação de Futebol da Horta (AFH), Carlos Neves bateu com a porta.

O facto remonta a 13 de Agosto, data em que o presidente e os restantes membros do Conselho, Herculano Duarte e Luís Borges entregaram a demissão à AFH e os motivos que levaram a que isso sucedesse estão relacionados, conta Carlos Neves ao Tribuna das Ilhas, com a sua vida pessoal. 

Tribuna das Ilhas entrevistou o presidente demissionário que nos explicou que os motivos que estiveram na base da sua demissão foram pessoais, mas também estiveram relacionados com “a falta de meios humanos com que o CA se depara.”

Neves adianta que, “15 anos num órgão é muito tempo, é desgastante e chegou a hora de dizer basta”, e reconhece que o seu erro foi “não ter tomado esta decisão quando a época passada terminou”.

No momento actual o CA da AFH conta com 12 árbitros pelo Faial, 11 pelo Pico e 4 pelas Flores. De acordo com Carlos Neves, “precisávamos de pelo menos o dobro dos árbitros no activo porque, nos últimos anos, aumentou a prática da modalidade de futebol nos diversos escalões e também houve um incremento substancial da prática de futsal, o que fez com que, na maior parte das vezes os árbitros tivessem que sair de um jogo de futebol a correr para ir apitar futsal.”

Questionado sobre as relações entre o Conselho e a Associação, Carlos Neves refere que “sempre tivemos boas relações com a AFH, independentemente do presidente, não há qualquer situação de índole gravosa que estivesse na origem da minha decisão, é meramente pessoal, conforme já mencionei”.

Dentro do conselho, Neves assegura que não existem quezílias nem mal-estares: “É evidente que volta e meia acontecem situações que têm que ser analisadas e resolvidas de forma mais empolgada mas sempre defendi os árbitros que, aliás, são pessoas muito disciplinadas e, para que se saiba, por exemplo, são quem paga os seus equipamentos, botas, apitos, bandeirolas, cartões, etc. Nunca vim a público comentar arbitragens porque considero que a nossa equipa é boa e, bons e maus momentos temos todos”.

Instando a pronunciar-se sobre que diligências foram operacionalizadas no sentido tentar aumentar o número de árbitros, Carlos Neves diz que “reconheço que mais poderia ter sido feito, sobretudo quando o Hugo Silva e o Nuno Goulart integraram os quadros nacionais da arbitragem. Teria sido um bom momento para canalizar pessoas, porque estávamos no auge da nossa actividade, todavia, não soubemos aproveitar. Também vivemos num momento em que as pessoas não querem arbitrar e limitam-se a ir para o campo e criticar.”

Outro facto associado a este fenómeno prende-se com as idades dos árbitros. Actualmente a média de idades dos árbitros da Horta é alta, porque a maioria dos árbitros são antigos jogadores de futebol, quando na realidade, o ideal é que se ingresse nesta carreira aos 16/17 anos. O facto de abraçar a actividade mais tarde vai acabar por condicionar a progressão na modalidade.

Hoje em dia o CA da Horta já tem uma mulher árbitro, pelo que também o sexo feminino se pode envolver.

Carlos Neves vai mais longe e afirma que “o árbitro não pode ser visto como o elo mais fraco do futebol. A arbitragem não pode ser só um problema do Conselho de Arbitragem, tem que ser um problema também da Associação e dos Clubes. Os clubes têm que ser responsabilizados por tudo o que existe na AFH e têm que ter uma parte activa nas acções se sensibilização e captação de novos elementos para o CA.”

Na época passada as nomeações começaram a ser publicadas no Comunicado Oficial da AFH que sai às quartas-feiras. Quando questionado sobre a hipótese deste desfasamento temporal poder dar azo à possibilidade de subornos, Carlos Neves é peremptório em defender “os seus homens”, “já há muitos anos que é prática recorrente por parte da Federação a publicação das nomeações, pelo que penso que a AFH só se actualizou. Não é uma forma de suborno mas sim se transparência. Nunca fiz alterações de nomeações à última da hora nem sequer me preocupei com isso porque sempre confiei nos árbitros e na sua idoneidade. É uma forma das pessoas também se aperceberem da transparência que existe entre os órgãos do CA, da AFH e Clubes. 

De acordo com o comunicado da AFH já foram marcadas eleições para tentar encontrar solução para esta saída de Carlos Neves, Herculano Duarte e Luís Borges.

O acto eleitoral ficou marcado para dia 8 de Setembro, numa Assembleia-Geral extraordinária, a realizar na sede do Fayal Sport Club, às 15 horas sendo que as listas a sufrágio deverão ser apresentadas até 3 de Setembro às 17h30.

Confrontado com a hipótese de continuar caso não surjam listas, Carlos Neves diz que “isso está fora de hipótese. Não seria a primeira associação a ficar sem CA. Espero que apareça alguém para assumir as funções até porque, pela primeira vez, as listas serão votadas pelos clubes, ou seja, os clubes terão a responsabilidade de eleger os elementos do Conselho de Arbitragem”.

 

 

 

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