CGD e Novo Banco com maiores perdas aquando na ajuda pública

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A Caixa Geral de Depósitos (CGD) e o Novo Banco são os bancos que mais perdas tinham com créditos de grandes devedores à data em que recorreram à ajuda do Estado, segundo a informação do Banco de Portugal.

Na CGD são divulgados dados para seis operações de recapitalização, entre 2007 e 2017.
Tanto em 2007 como em 2008, o banco público não apresentava perdas com grandes devedores, mas tal muda de figura com o passar dos anos. São três milhões de euros (ME) de perdas efetivas registados em 2009, 95 ME em 2010, 158 ME em 2012 e 1.334 ME em 2017, aquando da última recapitalização (incluindo 2,5 mil ME de injeção direta do Estado).
Também as imparidades (perdas potenciais) têm uma tendência crescente no banco público, de 97 ME em 2009, 191 ME em 2012 e 1.242 ME em 2017.
Além das perdas com grandes devedores, o banco público teve também elevadas perdas com participações em instrumentos de capital: em 2007, 428 ME de perdas e 129 ME de imparidades; em 2008, 568 ME de perdas e 463 ME de imparidades; e em 2009, 650 ME de perdas e 392 ME de imparidades.

Já em 2010 foram registados 546 ME de perdas e 300 ME de imparidades, em 2012 esse valor foi de 609 ME de perdas e 736 ME de imparidades e, por fim, em 2017 o montante foi de 430 ME de perdas e 576 ME de imparidades.Destaca-se aqui o código 012 nas participações em instrumentos de capital, com perdas 427 ME em 2007, 526 ME em 2008, 605 ME em 2009, 369 ME em 2010, 208 ME em 2012 e 101 ME em 2017.
Já no BES/Novo Banco as perdas registadas em cada momento da ajuda pública são, sobretudo, com grandes devedores.
Em final de 2014 são registados para o BES 2 ME de perdas e 1.001 ME de imparidades com grandes clientes incumpridores.
No Novo Banco, à data de junho de 2014, estão registados 212 ME de imparidades.
Seis meses depois, em dezembro de 2014, no Novo Banco são registadas 502 ME de imparidades e 2.948 ME de perdas, das quais 2.941 ME de um só cliente, com o código 130. O Expresso noticiou que se trata do BES Angola.
Por fim, em junho de 2018, o Novo Banco tinha perdas de 3.542 ME com grandes devedores e 2.420 ME em imparidades com grandes devedores. Novamente surge o cliente com código 130 com as mesmas perdas associadas (2.941 ME).
Nas participações, no Novo Banco, são registadas imparidades de 17 ME em junho de 2014 e 522 ME em dezembro de 2014.
Quanto aos outros bancos referidos as perdas são bem menores.
BCP e BPI recorreram a ajuda pública em junho de 2012, perante a necessidade de se recapitalizarem, tendo devolvido na totalidade.
Aquando da ajuda pública o BCP tinha perdas de 871 ME e imparidades de 554 ME com grandes devedores. Já em participações em instrumentos de capital (em que se inclui as participações do banco em operações no estrangeiro, caso como a da Grécia, vendida com perdas) estavam registados 1.152 ME em perdas e 2,0 ME em imparidades.
No BPI, a essa data, os grandes devedores implicavam 508 ME em perdas e 41 ME em imparidades. Estavam ainda registados 49 ME em imparidades para instrumentos de capital.
O BPI disse em comunicado que a “dívida grega” é a culpada por 80% de um total de 508 ME de perdas reportadas.
No BPN, a informação dá conta de que em dezembro de 2012 o banco tinha 11 ME em perdas e 1.492 ME de imparidades para grandes devedores e 404 ME de imparidades em participações.
Por fim, o BPP tinha 11 ME de imparidades para grandes devedores em junho de 2010.
O Banco de Portugal divulgou esta terça-feira as principais perdas dos bancos que recorreram a ajuda pública, à data desse recurso. Em causa estão perdas causadas quer pelos grandes devedores, quer por participações em instrumentos de capital (participação em operações ou títulos de dívida).
As perdas efetivas (registadas nos cinco anos anteriores) são apresentadas para cada devedor. Já as imparidades (perdas potenciais) não são apresentadas por cada devedor, mas o valor agregado de todos os grandes devedores.
As perdas divulgadas pelo Banco de Portugal não são referentes a todas as operações, mas apenas às operações mais significativas.

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