Comemorações dos 40 anos da reserva natural da Caldeira

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O Parque natural da Ilha do Faial dedicou o dia do passado sábado, dia 10 de Março às comemorações dos 40 anos de classificação da reserva natural da Caldeira.

Para celebrar este dia o Parque Natural do Faial organizou um passeio pelo Trilho dos 10 Vulcões com uma vertente competitiva.

Nesta iniciativa participaram cerca de meia centena de “aventureiros”. A concentração teve início pelas 09H00 no Jardim Botânico e a partida foi dada uma hora mais tarde no cimo da Caldeira.

O Trilho dos Dez vulcões é o maior percurso pedestre dos Açores, com 27 quilómetros de extensão e desenvolve-se em caminhos que integram quatro percursos pedestres: os trilhos da Caldeira, das Levadas, de Capelo-Capelinhos e Vulcão dos Capelinhos.

O dia terminou pelas 18h30 com a entrega dos prémios aos participantes no Jardim Botânico do Faial, pelo director regional dos Assuntos do Mar, Frederico Cardigos.

Esta foi uma iniciativa da Secretaria Regional do Ambiente e do Mar, no âmbito das comemorações dos 40 anos de classificação das reservas naturais da Caldeira do Faial e da Montanha do Pico, duas reservas que constituem elementos estruturantes na conservação da biodiversidade e geodiversidade, sendo pontos de referência dos Parques Naturais do Faial e do Pico. Os valores presentes nestas reservas são reconhecidos internacionalmente por diversas classificações, nomeadamente, Rede Natura 2000, RAMSAR, 7 Maravilhas Naturais de Portugal e Prémio EDEN.

Na ocasião, Frederico Cardigos referiu a importância destas reservas naturais chamando a atenção para o facto da sua classificação ter sido feita “no tempo da ditadura, em 1972, numa época onde não havia uma preocupação com as questões ambientais”, daí a necessidade de se continuar a trabalhar para a sua preservação.

Também João Melo, responsável pelo Parque Natural do Faial, que integra a reserva natural da Caldeira, falou do sucesso desta iniciativa não só pela adesão em termos de participantes mas também pelo impacto que teve na medida em que daqui surgiu a hipótese de estender esta prova às competições nacionais de atletismo, tendo em conta que esta iniciativa teve uma parte de competição que contou com a participação de atletas do Clube Independente de Atletismo Ilha Azul e vários atletas independentes.

O Director do Parque Natural do Faial revelou ainda a intenção de fazer a segunda edição desta prova, tendo ficado já no ar algumas sugestões.

Classificações:

Masculinos

1.º José Baptista

2.º Albino

3.º Mário Leal

Femininos

1.º Letícia Melo

2.º Marília Freitas

3.º Carla Pereira/Susana Garcia

Crónica – Jornalista “TT” no Trilho dos Dez Vulcões

08H00, o despertador toca como que a dizer “está na hora de levantar”. O calor da cama convida a ficar, mas temos um compromisso à nossa espera. Um pouco hesitantes lá saímos da cama e dirigimo-nos à janela na esperança de ver um sol radiante. Na verdade o que encontramos é um tempo sombrio e nublado que nos entristece. O primeiro pensamento é voltar para o quentinho dos lençóis, e pensamos “porque que temos estas ideias e não estamos quietos?”, mas os minutos passam e temos de nos preparar se não queremos chegar tarde.

Já com um pouco mais de energia pegamos na mochila preparada de véspera com o necessário para uma caminhada de 27km pelo Trilho dos Dez Vulcões e aguardamos pela boleia.

Lá fora ecoa uma buzina… A minha boleia chegou… é hora da partida. Ainda ensonadas, trocamos uma ou outra palavra e dirigimo-nos para o Jardim Botânico, ponto de encontro para a caminhada com vista celebrar os 40 anos de classificação da reserva natural da Caldeira, organizada pelo Parque Natural do Faial.

A agitação era grande, pois estavam inscritos cerca de 60 participantes. Em vários grupos aguardávamos a chamada da organização e o nosso número. João Melo, director do Parque Natural do Faial, fez uma breve explicação do percurso que tínhamos pela frente e da prova em si. Entrámos no autocarro que nos transportou ao cimo da Caldeira.

Minutos depois chegávamos à linha de partida. A porta do autocarro abriu e com ela entra um vento gélido que nos deixa com vontade de voltar para trás… Olhámos uma para a outra e saímos. Cá fora, alguns faziam exercícios de aquecimento, outros alinhavam-se para a partida. Os primeiros a partir eram os atletas que iriam realizar a prova a correr e de seguida avançámos nós, os amadores.

João Melo deu o tiro da partida. E avançámos para o primeiro percurso da prova, o perímetro da Caldeira, que percorríamos pela primeira vez. O tempo estava sombrio e muito frio. Entrámos no trilho e o chão estava lamacento, o que não nos espantou, pois tinha chovido bastante nessa noite. Passo a passo fomos avançando pelo lamaçal, mas tal era quase impossível, e pensámos: “já sabíamos que ia ser assim, por isso agora é seguir em frente.”

Um pouco adiante seguiam os líderes do pelotão, que rapidamente desapareceram de vista. A dada altura perdi a minha colega de equipa e seguia isolada, com uma participante que acabava de conhecer. Apesar de estarmos acompanhados pelo nevoeiro e algum vento que por vezes soprava tão forte que quase nos empurrava para fora do trilho, era possível desfrutar da paisagem. À nossa esquerda tínhamos a Caldeira e à nossa direita era possível avistar o lado norte da Ilha: Ribeirinha, Salão, mais à frente Cedros e Ribeira Funda. Já não tínhamos frio e os nossos pés estavam completamente encharcados e cheios de lama, mas estávamos a adorar a experiência…

Ao fim de cerca de 40 minutos chegávamos ao fim da primeira etapa. Esperámos pela nossa colega de equipa e avançámos para o próximo percurso. As Levadas, um trajecto antigo com cerca de 4,5 km. Uma paisagem que deslumbra o espírito. Apesar de já termos feito por diversas vezes, é sempre como se fosse a primeira vez. Ouvir a água que percorre o canal, observar o verde das árvores, escutar o chilrear de algumas aves é sempre algo magnífico. A meio do percurso até o sol nos veio cumprimentar. Estávamos maravilhadas. Foi então que completámos mais uma etapa da prova.

As Levadas estavam terminadas faltava-nos apenas a última parte: a Zona do Cabeço Verde/Vulcão dos Capelinhos e mal sabíamos nós o que nos esperava…

Até aqui a prova estava a correr muito bem. Estávamos bem fisicamente. Iniciámos a descida pelo asfalto até ao parque Florestal do Capelo onde concluiríamos metade do percurso.

Capelo/Capelinhos/Vulcão dos Capelinhos constitua o último percurso do Trilho dos Dez Vulcões e era para lá que caminhávamos. Iniciámos a subida pelo asfalto. Como diz o povo, “a descer todos os santos ajudam”, mas não era o caso: nós estávamos a subir, e que subida… Já começávamos a apresentar alguns sinais de cansaço, quando avistámos o trilho “Caldeirão/Furna do Ruim”, com uma paisagem verde e deslumbrante, e a descer, o que nos fez recuperar um pouco as forças. Não conhecíamos este trilho, ficámos fascinadas, aproveitámos para tirar algumas fotografias. Nesta altura já tínhamos cerca de três horas de caminhada.

O pior ainda estava por vir: o “Canto do Cabeço”, um trilho com mais uma paisagem fenomenal, com um vegetação densa e verde, que nos permitia avistar o Vulcão dos Capelinhos, composta por uma subida íngreme, que nos deixa exaustas. Quase vencidas pelo cansaço alcançámos o topo e iniciámos então a nossa descida rumo à meta, o Vulcão dos Capelinhos. Nesta altura confesso que da cintura para baixo era quase como se não existisse.

Ao fim de 04h20 concluíamos os 27kms do Trilho dos Dez Vulcões, com a chegada ao Centro de Interpretação do Vulcão dos Capelinhos, onde nos esperava um lanche oferecido pela organização que nos ajudou a recuperar as forças e onde ainda tivemos a oportunidade de fazer uma visita pelo centro.

Em suma, uma aventura única de contacto directo com a natureza; de paisagens magnífica; de conjugação entre desporto e lazer que recomendo a quem queira experimentar.

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