Dia Internacional para a Eliminação da Violência Contra as Mulheres assinalado com testemunhos

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A Direção Regional para a Promoção da Igualdade e Inclusão Social, em parceria com o NIPCVD-SCMPV, assinala o Dia Internacional para a Eliminação da Violência Contra as Mulheres que se comemora no dia 25 de novembro. Esta iniciativa pretende dar voz às pessoas vítimas de violência doméstica, através da divulgação em jornais da Região Autónoma dos Açores, dos seus testemunhos de superação, passando assim a importante mensagem a quem é vítima de que pode ultrapassar a situação e que esta pode acabar bem. Apresenta-mos abaixo um destes testemunhos.

1) Lembra-se do motivo que levou ao seu acompanhamento pela Rede ou Pólo de Prevenção e Combate à Violência Doméstica? Quer partilhar connosco o que aconteceu?

Comecei a ter acompanhamento na Rede em 2020 depois de ter sido vítima de violência doméstica por parte do meu companheiro. Decidi terminar a relação e estava a organizar-me para sair de casa. Ele não aceitou, então trancou-me em casa, fiquei sem acesso ao meu telemóvel, fui violada, apertou-me o pescoço e ameaçou-me de morte. Vivi na pele um verdadeiro filme de terror.

2) De que forma a Rede ou o Pólo de Prevenção e Combate à Violência Doméstica o/a ajudou a lidar com este acontecimento da sua vida?

Tem sido com o acompanhamento da Rede que eu tenho conseguido lidar com tudo o que se passou. Claro que também recebi apoio de outras pessoas que me conhecem, mas sem o apoio dos técnicos da Associação tinha sido muito mais difícil.

3) O processo de violência doméstica é, por si só, um processo complicado. Que dificuldades sentiu ao longo do mesmo? Como as ultrapassou?

A primeira dificuldade é sair de casa. Quando consegui não trouxe os meus pertences e isso é muito complicado. Depois fui pedir alguns apoios ao abrigo do estatuto de vítima e, ao contrário do que eu esperava, não tiveram qualquer efeito como, por exemplo, para ter uma casa, pois tenho o meu trabalho e consigo pagar uma renda. Felizmente tenho a ajuda de amigos e pessoas que me conhecem. É necessário aprendermos a aceitar esta ajuda e a lidar com o que nos acontece.

4) Sente que se tornou uma pessoa diferente ao longo deste processo? Que conquistas alcançou?

Totalmente. Posso dizer que foi um recomeço. Consegui ter o meu espaço e as minhas rotinas.

5) Que objetivos tem para o seu futuro?

Tentar sempre ter uma vida melhor. Quem sabe uma nova relação, saudável.

6) A violência doméstica continua a ser uma realidade que afeta muitas pessoas. Que conselho daria a quem esteja a vivenciar uma situação destas?

Denunciem. É muito importante porque estamos a lutar pela justiça no nosso caso, mas também por todos os que não chegam ao tribunal. Se não denunciarmos, por muito difícil que seja, não estamos a ajudar ninguém. Ao lutarmos pelos nossos direitos estamos a lutar pelos direitos de todas as outras vítimas que não tiveram oportunidade de o fazer.
Caso tenho conhecimento de alguma situação de violência doméstica contacte a Linha Regional Contra a Violência Doméstica (800 27 28 29).

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