O Tribuna das Ilhas participou no IV Encontro de Diretores de Órgãos de Comunicação Social dos Açores e da Diáspora, promovido pela Secretaria Regional dos Assuntos Parlamentares e Comunidades, na Califórnia.
Desde 2022, estes encontros têm permitido sair das redações, partilhar experiências e perceber que, apesar da distância, muitos problemas são comuns nos dois lados do Atlântico.
Os órgãos de comunicação estão a desaparecer, faltam recursos humanos, os jornalistas acumulam funções e os salários são baixos. Com recursos tão limitados, como podem os pequenos OCS acompanhar as mudanças nos hábitos dos leitores?
Hoje, uma autarquia, instituição, empresa ou associação comunica diretamente com o público através das suas redes sociais.
Não podemos, nem queremos, competir com a velocidade do online. O nosso desafio é dar ao leitor aquilo que não encontra nas redes sociais, explicar, contextualizar, ouvir pessoas, cruzar versões, fazer perguntas e registar o que acontece na comunidade.
Mas nem sempre é fácil. O acesso à informação continua a ser uma dificuldade. É-nos exigida mais investigação, mas muitas vezes as respostas das entidades e instituições demoram, chegam em forma de comunicado ou não chegam.
Jornalismo não é reproduzir aquilo que uma instituição quer comunicar. Sem fontes, respostas e possibilidade de confirmar a informação, não há notícia.
Também somos questionados pelo que publicamos ou não publicamos e, há quem entende que pode condicionar o acesso a assuntos que o jornal pretende publicar.
Não somos assessores nem porta-vozes de instituições, autarquias ou governos. Somos jornalistas e a nossa responsabilidade é informar com rigor e independência.
Outro tema incontornável é a sustentabilidade. Reconhecemos o esforço do Governo Regional, que este ano promoveu a aquisição de assinaturas de jornais e anunciou a subscrição de publicidade institucional até final do ano. É uma medida positiva, mas importa também garantir regularidade no pagamento dos apoios, que continua a registar atrasos.
No entanto, a sustentabilidade não é apenas responsabilidade das entidades públicas. É também da sociedade.
Subscrevemos plataformas para ver televisão, filmes ou ouvir música. Mas, quando se trata de informação, muitas vezes ficamos pelo que nos chega através das redes sociais: um título, um post ou uma informação resumida. Esquecemos que informar com rigor exige tempo, trabalho e jornalistas que têm de ser remunerados.
Importa registar que a informação nas redes sociais é passageira enquanto no jornal fica o registo do trabalho de uma associação, da atividade de um clube, de quem dedicou anos a uma instituição ou das decisões políticas que marcaram uma época.
Um jornal não é apenas papel. É informação, memória e história de uma comunidade. Quando um jornal fecha, não desaparece apenas uma empresa. Perde-se uma voz, um arquivo e parte da memória coletiva.Apoiar um jornal é apoiar a capacidade de uma comunidade se conhecer, se questionar e guardar a sua própria história. Por isso, importa pensar no que podemos perder se o Faial deixar de ter um jornal.
Da nossa parte, fica a vontade de continuar a manter o Tribuna das Ilhas, fazendo jornalismo de proximidade, dando voz às pessoas, fazendo perguntas e incomodando quando for preciso.Sobretudo, continuar a contar a história de uma ilha, de uma comunidade e das suas gentes.
Para tal, esperamos continuar a contar com os nossos assinantes e leitores.













