Em primeiro lugar está: a defesa da saúde pública e Rui Martins às nacionais

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1. Na semana passada a saúde pública esteve em causa na ilha do Faial devido ao facto de se terem detetado micro-organismos na areia da Praia de Porto Pim, mais concretamente, a presença de contaminação bacteriológica em algumas zonas do areal.
Imediatamente após essa deteção, a Delegada de Saúde de ilha, em estreita coordenação com a Direção Regional dos Assuntos do Mar, procedeu à interdição preventiva da praia, o que, para além de impedir a prática de banhos, impediu também o acesso à mesma.
A Delegada de Saúde tomou, assim, a posição que se impunha neste caso, defendendo a saúde dos cidadãos. Tratou-se de uma posição necessária, mas corajosa, por parte desta, atendendo, por um lado, à época do ano em que tal acontece, com a população faialense desejosa de ir a banhos naquela sua praia citadina, mas também, essencialmente, por aquilo que a Praia de Porto Pim representa em termos de cartaz turístico da ilha.
É, sem dúvida, um dos nossos principais postais turísticos que está em causa. Daí ser fundamental apurar as causas e os seus eventuais responsáveis. Para além dos faialenses, o que dirão os turistas que ali chegam e vêm que não podem caminhar no areal ou tomar banho naquelas águas azul-turquesa? Que imagens levam da nossa ilha?
Tal facto, vem evidenciar que não é suficiente olharmos para a nossa natureza, é fundamental defender e preservar as nossas praias e o nosso mar, pois estes funcionam também como um importante fator de atratividade turística de uma determinada franja da população.
É certo que não somos um destino de sol e praia, mas se pudermos conjugar o nosso destino de natureza com a beleza, qualidade e segurança das nossas praias e mares, então todos ficaremos a ganhar.
Todavia, quem realmente ganhou com esta interdição foi a praia da Praia do Almoxarife que, desde essa altura, tem assistido a uma grande presença humana no areal como há muito se não via.
Ainda sem vestígios da tão propalada requalificação das zonas balneares que o Município fez pompa e circunstância há uns dias atrás, é por demais patente a urgência na requalificação de toda a zona que circunda a praia e cuja incumbência pertence ao Município e à Junta de Freguesia.

2. Nessa mesma semana, a Câmara Municipal da Horta alertou a população da freguesia das Angústias para a proibição do consumo de água doméstica numa extensa zona da freguesia.
Como não podia deixar de ser, essa nota foi divulgada no seu website, mas também na sua página da rede social Facebook. Mas é evidente que tal não foi nem é suficiente quando se trata de defender a saúde das populações.
Quando perguntei a um familiar que reside na freguesia se tinha conhecimento que era desaconselhado consumir água da torneira, ele respondeu que não sabia, o que não estranhei. Dificilmente, a população acede ao website ou Facebook do Município de minuto a minuto para ver as novidades, sobretudo, quem tenha mais idade.
Penso que o Município, nestes e em outros casos, deverá encontrar novas formas de divulgar a informação junto dos cidadãos – nomeadamente, como fez esta semana em que publicou um edital de meia página apenas e somente no jornal Incentivo – e aí a comunicação social da ilha, quer escrita, quer digital, poderá assumir um papel primordial.

3. Em primeiro lugar também se encontra, o faialense de coração, Rui Martins, do CDS/Açores, que conseguiu no último fim-de-semana um feito que me lembre mais ninguém da ilha tinha conseguido até aquela data – ser cabeça de lista por um partido nos Açores às próximas eleições legislativas nacionais.
À frente dos candidatos das ilhas de São Miguel e Terceira, a sua missão para ser eleito é extremamente difícil, não só pelo momento preocupante que o partido e a direita vivem a nível nacional, acicatado também pelas sondagens pouco favoráveis, mas sobretudo tendo em conta o histórico dos resultados eleitorais obtidos pelo partido na Região neste tipo de eleições.

1 COMENTÁRIO

  1. Que se passa na nossa terra?
    Este problema de contaminação bacteriológica da praia de Porto-Pim, com riscos para a saúde pública, tem certamente origem na falta de saneamento.
    Mas enquanto isso, as autoridades estão é a apresentar “planos de proteção costeira da baía de Porto Pim” com objectivos de atracção turística?
    E que se passa com a comunicação social local que não fala nisto? (Só pode ser para não assustar os turistas). Ainda bem que o Tribuna publicou este editorial.
    Mas gostava de ter confirmação se há ou não saneamento e em que condições, na Horta e em particular em Porto-Pim? É que há anos ouvi falar que a Horta era das poucas cidades do País que não tinha saneamento público e que a CMH desistiu, também há anos, de contratar a construção de uma ETAR e nunca mais se ouviu falar no assunto.
    Não é de agora que vemos a baía de Porto-Pim poluída por resíduos domésticos (não estou a falar das águas-vivas) e vemos as baratas a passear por todo o lado. Agora temos a praia interdita e a notícia (meio às escondidas) de que até a água pública não está em condições.
    Isto é gravíssimo, exigem-se esclarecimentos pelas autoridades e medidas para resolver este problema de forma efectiva.
    O primeiro dever das autoridades tem de ser a Saúde Pública e a Segurança. É para isso que os cidadãos pagam para ter Autarquias e Governos.

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