Durante uma entrevista sobre a transição energética da empresa na ilha do Faial, a Eletricidade dos Açores S.A. (EDA) revelou que prevê investir mais de m20 milhões de euros num Sistema de Armazenamento de Energia mem Bateria (BESS), que terá ma capacidade de acumular energia de fontes renováveis. As obras que estão a decorrer na Central Termoelétrica de Santa Bárbara foram também um dos temas em cima da mesa.
Tribuna das Ilhas (TI) – Que obras estão a decorrer neste momento na Central Elétrica do Faial?
Eletricidade dos Açores, S.A. (EDA) – Na Central Termoelétrica de Santa Bárbara estão a decorrer obras para reforço da capacidade da central, através da instalação de dois novos motores que funcionarão a fuelóleo. Uma das principais funções da EDA é a garantia do fornecimento de energia elétrica e, com a tecnologia atual, tal só é possível com estes equipamentos.
TI – Qual o montante do investimento e que melhorias vai trazer ao nível quer da capacidade, do funcionamento, quer ainda da eficiência energética?
EDA – O investimento ascende aos 15M€ e irá substituir dois motores mais antigos e menos eficientes.
TI – Existem mais investimentos programados para a Central e rede elétrica da ilha do Faial?
EDA – Ainda na central, decorre uma empreitada de ampliação da subestação de 15 kV e remodelação do Sistema de Proteções, Comando e Controlo da Central, com conclusão também para 2025, e com um custo de investimento de 750 mil euros.
Nos próximos 5 anos, prevê-se executar ao nível das redes de distribuição em Média Tensão um investimento de cerca de 2 milhões de euros. No que respeita às redes de distribuição em Baixa Tensão e Postos de Transformação, prevê-se igualmente um investimento de cerca de 1,5 milhões de euros.
Encontra-se ainda prevista, para os próximos anos, a construção do sistema de armazenamento por baterias do tipo BESS da ilha do Faial, um investimento cujo valor ascende aos 20 milhões de euros.
TI – Quais foram os principais investimentos realizados na EDA do Faial nos últimos anos?
EDA – Nos últimos anos, destaca-se o investimento, da ordem dos 800 mil euros, ao nível da remodelação da rede de Média Tensão a 15 kV da cidade da Horta, aproveitando as obras do Município da Horta na frente mar desta cidade.
TI – Relativamente à transição da empresa para energias renováveis, o que podem avançar relativamente a essa situação na ilha do Faial?
EDA – Em termos de energias renováveis, a ilha do Faial possui um parque eólico, na freguesia do Salão, e uma central hídrica, no Varadouro. A Central Hidroelétrica do Varadouro iniciou a sua atividade em 1961 mantendo-se ativa desde aí. O Parque Eólico do Salão opera desde 2013.
TI – As energias renováveis existentes no Faial correspondem às necessidades da ilha?
EDA – Na configuração tecnológica atual o parque eólico corresponde às necessidades da ilha para a componente eólica. Para a vertente hídrica, a central do Varadouro utiliza a água disponível, recolhida na zona da periferia da Caldeira, não havendo outros recursos hídricos adicionais. A tecnologia ainda não introduzida em escala industrial na ilha do Faial é a fotovoltaica. O Grupo EDA está a trabalhar no projeto para licenciamento com vista à sua futura instalação.
Com a concretização do projeto da EDA, de introduzir sistemas de estabilização de energia e de resposta rápida por meio de baterias na ilha do Faial, a robustez do sistema elétrico será significativamente melhorada, permitindo a introdução de nova potência eólica no sistema elétrico da ilha sem criar instabilidade na rede. O investimento em sistema de armazenamento, conjugado com o investimento no reforço das renováveis, poderão garantir taxas anuais de produção de renováveis na ordem dos 30% a 35%.
TI – Que montante está destinado à delegação do Faial para esta transição?
EDA – A EDA Renováveis tem em plano investir 4,85 M€ para a ampliação do seu parque eólico e para a construção da central fotovoltaica. Por parte da EDA, para o sistema de armazenamento, o investimento rondará os 20 M€.
TI – Quais são os maiores desafios que a EDA enfrenta na implementação das energias renováveis no Faial e para o futuro no que ao fornecimento de energia diz respeito?
EDA – O maior desafio não é técnico, mas sim económico, para a correta manutenção do equilíbrio económico dos projetos que executa, pois o desejo de descarbonizar a produção de energia elétrica é antagónico a uma necessidade de diminuição dos custos de produção da energia.
TI – Qual tem sido o impacto económico e social dos projetos relacionados com as energias renováveis?
EDA – O impacto económico dos projetos de energias renováveis na EDA e na EDA Renováveis é significativo e até incompreendido, pois os projetos renováveis são projetos de capital intensivo, com elevado valor de investimento inicial e reduzido valor de custos de exploração. É, portanto, necessário que sejam garantidos retornos económicos a esses investimentos e que os clientes percebam que a descarbonização da produção elétrica não se faz sem esforço económico. Por outro lado, a introdução de sistemas de estabilização de energia por baterias é também, e em si própria, uma tecnologia de forte necessidade de capital para a sua instalação, facilitadora, contudo, do aumento de capacidade de introdução de mais energia renovável.
TI – Como vê o futuro das energias renováveis no Faial?
EDA – O futuro é promissor, mas dependente da aceitação do custo que é descarbonizar a produção elétrica. O potencial eólico é elevado e o potencial solar razoável, pelo que uma conjugação de investimentos nestes setores, e na inovação tecnológica em sistema de estabilização da rede elétrica, permitirá manter a ilha do Faial na rota que for escolhida para a Região.
TI – Que medidas tem implementado a EDA no Faial com vista à redução das emissões de carbono?
EDA – A redução das emissões é consequência do investimento em energias renováveis, pois só com a aposta na produção renovável se consegue diminuir as emissões, descarbonizando a produção elétrica.
A emissão de energias renováveis, na ilha do Faial, em 2023, foi de 11,52%.
TI – Neste momento há muitos residentes no Faial a vender a energia que produzem em casa para a EDA?
EDA – Encontram-se registados cerca de 44 clientes que possuem contrato de energia produzida/injetada na rede elétrica da ilha. Com energias renóvaveis nas habitações encontram-se registados cerca de 161 clientes.
TI – A EDA tem por hábito promover iniciativas/ações com vista à educação, consciencialização e sensibilização junto da comunidade com vista à poupança de energia?
EDA – A EDA tem editado brochuras e outras publicações visando a sensibilização para a poupança de energia, especialmente junto das gerações mais novas. Com este propósito, tem ainda participado em eventos subordinados a este tema, bem como promovido iniciativas junto de algumas comunidades escolares.















