Gestão da CGD sugere adiar e cortar prémios de administradores e trabalhadores

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O presidente executivo da CGD disse hoje que irá aconselhar o adiamento e a redução de prémios dos administradores executivos e dos trabalhadores e que os dividendos não serão pagos agora ao Estado, mas que o assunto nao fica fechado.Questionado no parlamento sobre se este ano a CGD pagará prémios aos administradores relativos a 2019, Paulo Macedo disse que não há um valor determinado a pagar a cada administrador e que o que acontece é que a Comissão de Remunerações avalia a prestação de cada um com base em critérios (nomeadamente de cumprimento do plano de reestruturação) e decide o valor a atribuir.

Contudo, afirmou, por sua iniciativa, a comissão executiva irá aconselhar que seja adiada a decisão sobre prémios para os administradores executivos e trabalhadores e que posteriormente também esses prémios sejam reduzidos.

“Iremos aconselhar que seja postecipada [adiada] a decisão, que não haja qualquer atribuição [de prémios] nesta assembleia-geral (…), que possa haver postecipação e redução”, afirmou Paulo Macedo, em audição nas comissões parlamentares de Economia e de Orçamento e Finanças.

Já Paulo Macedo irá abdicar integralmente do seu prémio, esclareceu fonte oficial da CGD, uma vez que as declarações do gestor durante a audição parlamentar deixaram dúvidas.

“A Comissão Executiva irá manifestar a sua intenção de diferir e/ou reduzir o prémio da Comissão Executiva e dos colaboradores. No caso do presidente executivo, o Dr. Paulo Macedo abdicou integralmente do seu prémio”, disse fonte oficial.

Ainda na audição parlamentar, Paulo Macedo recordou que o ano passado a CGD teve lucros de 760 milhoes de euros – “dos maiores de sempre e cumprindo o plano estratégico” – e disse que, apesar da preocupação com os prémios, não vê “preocupação por o ‘chairman’ da Caixa [Rui Vilar] não ter recebido um euro enquanto esteve em função três anos”.

“Há muitas pessoas preocupadas com as questões das manchetes do jornal, e não comparam as grandezas, e quando há tantos bons exemplos no serviço público, como o nosso presidente do Conselho de Administração, não há sequer uma menção. Gostava que se escrutinasse as duas coisas”, acrescentou.

Paulo Macedo afirmou ainda que o ano passado o maior custo da CGD foi com a dotação extraordinária do fundo de pensões dos seus trabalhadores, de cerca de 300 milhões de euros, e que o total gasto com trabalhadores foi de 1,2 mil milhões de euros, para considerar que não há “nenhum valor de prémios ou de aumentos que sequer chegue a 1% ou a 0,1% disto”.

Já sobre os dividendos da CGD, afirmou que o que vai acontecer é que não serão propostos dividendos na próxima assembleia-geral, mas explicou que “o Estado não perde direito aos dividendos” e que a qualquer momento pode decidir que os dividendos são distribuídos.

“O assunto não fica fechado, o acionista pode fazer uma assembleia-geral para este fim único”, afirmou.

Estava previsto que, relativamente a 2019, a CGD entregasse em dividendos cerca de 300 milhões de euros ao Estado.

Macedo foi ainda questionado sobre se a CGD avançará para ‘lay-off’ (redução do período normal de trabalho ou suspensão do contrato de trabalho), referindo que “não prevê qualquer” tal situação no banco público.

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