Foram centenas os doentes que acompanhou ao longo de uma vida dedicada à Medicina e aos outros, enfrentando diariamente a angústia da impotência face à doença ou a alegria da vitória sobre a enfermidade. Médica de família, gestora de saúde, mãe, esposa, avó, a Dra. Fátima Porto, quando se aposentou, deixou órfãos muitos dos seus pacientes.
Hoje, nas Histórias de Vida, recorda a Horta da sua infância, a liberdade das brincadeiras numa Praça da República cheia de crianças, a comunidade de vizinhos de que fazia parte, os filmes que a marcaram e as leituras que a preenchiam numa cidade “cheia de crianças, desporto, oferta de cinema e teatro e também cultura literária.”
Estudou como externa no Colégio de Santo António, onde conheceu um ensino exigente, mas de proximidade. Para os estudos superiores hesitou entre Medicina, Serviço Social e
Educadora de Infância, mas acabou por seguir Medicina Geral e Familiar. Na Universidade apanhou a revolução do 25 de abril e no primeiro dia de maio de 1974 participou na sua primeira manifestação e garante que “nunca tinha visto tanta gente na Avenida da Liberdade!”
A família trá-la de volta ao Faial para “cuidar das famílias desde que nascem até à morte”. Algumas delas acompanhou cinco gerações. Exerceu responsabilidades de gestão no Centro de Saúde da Horta, mas sempre com a noção de que “os cargos são deveres de cidadania e transitórios” e de que a medicina é que era a sua missão.
O Tribuna das Ilhas conversou com Maria de Fátima Machado Soares Porto, uma faialense que faz de “Viver o agora com gratidão” um dos seus lemas de vida.
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