
No dia 9 de Março do ano corrente, faleceu na cidade da Horta onde vivia, José Arlindo Armas Trigueiro, que era casado com Maria Urbela Tavares Armas Trigueiro.
Nasceu em 1936 na Freguesia da Fazenda das Lajes. Filho de José Gomes Trigueiro, lavrador, que se distinguiu na ilha como músico e como regente musical, e de Cecília de Freitas Armas Trigueiro, doméstica.
Com 12 anos completou a instrução primária com distinção. Como na época continuar a estudar era privilégio de uma minoria, nesse mesmo ano começou a trabalhar nas obras de construção da estrada Lajes – Santa Cruz. Até ir para o serviço militar passou por diversos trabalhos, todos eles pesados para a sua idade e, quando chegava a casa, ainda reunia forças para ajudar o pai na lavoura.
Na ânsia de dar novo rumo ao seu futuro e antes de deixar a vida militar, concorreu para a Polícia de Segurança Pública, iniciando funções na PSP da Horta em 1960, depois de um estágio de vários meses na cidade do Porto. Durante os sete meses que esperou para ingressar na Polícia, continuou a trabalhar e matriculou-se nas aulas do Professor Barata, conseguindo nesse curto espaço de tempo preparar-se para fazer o 1.º e o 2.º ano no Liceu Nacional da Horta, obtendo a excelente classificação de 15 valores. Nos dois anos subsequentes, já trabalhando na PSP, concluiu o curso geral dos liceus.
Em 1963 concorreu para aspirante de finanças e foi colocado na Repartição de Finanças da Lourinhã. Desempenhou funções em Santarém, Pico, Flores, Horta e Angra do Heroísmo. Como passou a vida a estudar e a fazer cursos de especialização, fez uma carreira brilhante ao serviço da Direcção Geral das Contribuições e Impostos.
Também dedicou vários anos da sua vida à política, área que abraçou com a força e dedicação que imprimia a tudo o que fazia. Foi fundador do PPD/PSD da Horta. Cumulativa-mente, fez parte do grupo de trabalho designado pela Junta Regional dos Açores que elaborou em 1975/76 o anteprojeto do Estatuto Político-Administrativo da Região Autónoma dos Açores. Em 1976 foi eleito Deputado pelo círculo eleitoral das Flores à primeira Legislatura da Assembleia Regional dos Açores. Em 1979 e 1980 desempenhou as funções de Chefe de Gabinete do Secretário Regional dos Transportes e Turismo Alberto Romão Madruga da Costa.
Reformou-se em 1995 com a categoria de Supervisor Tributário, exercendo as funções de Chefe de Divisão e de Diretor Distrital de Finanças de Angra do Heroísmo.
Após a sua aposentação, dedicou-se à investigação e à escrita. Escreveu cerca de duas dezenas de livros e colaborou em diversos jornais e revistas.
José Arlindo A. Trigueiro foi um florentino apaixonado pela sua ilha e pela sua história, da qual foi um incansável investigador. Deixou um valioso legado à ilha e às suas gentes. Cada livro deste grande Florentino é uma viagem às memórias, é um reacender de saudades dos antepassados que fizeram daquela ilha uma terra de História e de histórias, de gente humilde, de Heróis de Terra e do Mar Alto e daqueles que, não tendo chegado às Califórnias distantes, se quedaram, para construírem com o seu melhor, uma terra linda – outrora de donatários… e de Almas Cativas.
Em 2015 foi agraciado com a medalha de Mérito Cultural pela Câmara Municipal das Lajes das Flores.
Era dotado de um espírito forte e obstinado, com uma enorme vontade de vencer. Trabalhava e lutava para atingir os objetivos a que se propunha, defendendo aguerridamente as causas em que acreditava. Mesmo durante a doença que o vitimou, revelou sempre um espírito indomável e uma imensa vontade de viver. A todos os seus familiares deixa uma enorme saudade e ficará para sempre na memória de todos os que com ele privaram.














