Inoculados 45,8% dos faialenses até finais de junho

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Desde o arranque da vacinação nos Açores, foram 5.031 os faialenses que receberam uma dose, e 1.302 os que receberam ambas, de uma das vacinas contra a Covid-19.
No Faial, a sessão de vacinação em massa do passado fim de semana permite esperar que, até final de junho, quase metade dos locais estejam inoculados. A manter-se o ritmo, a imunidade de grupo pode ser atingida em setembro, diz Teresa Ribeiro.

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Quando, a 31 de dezembro, arrancou a primeira fase de vacinação contra a Covid-19 nos Açores, a ansiedade pairava entre os crentes e os descrentes com a chegada de 9.750 doses. Uns olhavam para este período como o de resolução de todos os problemas, outros como de surgimento doutras situações preocupantes. O processo avançou a diferentes ritmos, conforme a disponibilidade de recursos humanos, meios do Serviços Regional de Saúde e grupos de risco.
Passando aos números, a 29 de abril, no Faial, 10,34% (1.302) dos sinalizados para vacinação haviam tomado duas doses de vacina contra o novo Coronavírus, e 29,95% (3.771) tinham recebido uma dose.
Após a vacinação em massa, que decorreu de 30 de abril a 2 de maio no Pavilhão da Horta, e onde aproximadamente 1.300 faialenses receberam a primeira dose da Pfizer, cerca de 5.031 (39,96%) estão a meio caminho da inoculação. Foram contactados cerca de 1.600, no entanto, por estarem pouco recetivos, por falta de comparência ou por impossibilidade constatada aquando do preenchimento do inquérito prévio à toma, o número dos efetivamente vacinados foi inferior.
A ação de vacinação foi dirigida a pessoas entre os 50 e os 60 anos, sem patologias associadas, e seguiu o estipulado no Plano de Vacinação da Di-reção Regional da Saúde (DRS). Foi tido em conta o número de vacinas disponíveis na ilha, bem como o número de já vacinados de faixas etárias superiores, tendo os critérios sido validados pela DRS.
As contas avançadas pela presidente do Conselho de Administração da Unidade de Saúde da Ilha do Faial (USIF) consideram “as pessoas que já tomaram a primeira dose, incluindo aquelas que a fizeram no passado fim de semana”, acrescendo-se as 525 pessoas que irão receber a segunda dose da AstraZeneca até dia 30 de junho. Ou seja, aos 3.771 que surgiam nos dados oficiais da DRS de 29 de abril – que agregam números da USIF e do Hospital da Horta (HH) – como tendo recebido uma dose, há que juntar os vacinados no passado fim de semana e os que receberam até agora uma dose da AstraZeneca para se chegar aos 5.771 residentes com duas doses recebidas até finais de junho. Serão assim 45,8% dos 12.591 sinalizados no Faial, segundo o total apresentado pelo Governo Regional dos Açores a 30 de março.
As estimativas apresentadas por Teresa Ribeiro têm em conta os vacinados por profissionais de saúde da instituição, e não os do Hospital da Horta (HH). A recém-nomeada presidente esclarece que, da parte do HH, também há vacinas a ser administradas, essencialmente a forças de segurança, como a Polícia de Segurança Pública, Guarda Nacional Republi-cana, Serviços de Estrangei-ros e Fronteiras, Polícia Marítima e a profissionais de saúde do próprio hospital. No entanto, os números apresentados pela direção regional de Saúde já contemplam os dados agregados.
Ações de vacinação como a ocorrida no primeiro fim de semana de maio, uma parceria entre a USIF e o HH, apenas são possíveis pois a preparação e administração da vacina “funciona muito bem”. Funcionamento que vem da prática conquistada no manuseamento da Pfizer, “que exige preparação prévia e é mais sensível”. Além destes eventos, que serão para repetir, de segunda a sábado funciona o Centro de Vacinação, desde 27 de março, no edifício que será casa da USIF quando as obras terminarem, e que administra uma média de 110 vacinas por dia.
Só na USIF há capacidade instalada para, até final de maio, administrar 3.400 doses, 88% da Pfizer e 12% da AstraZeneca.

Faialenses recetivos à vacinação
Quanto ao número de faialenses que se recusaram receber a vacina, Teresa Ribeiro diz que ainda não é possível saber com exatidão, sendo, no entanto, certo que se trata de “uma clara minoria”. Um motivo de ânimo é, “agora que se está a entrar num processo de normalização”, existir “muita gente” que num primeiro contacto “se recusou e está agora a contactar porque, entretanto, falaram com alguém e mudaram de ideias”.
Aos receosos a presidente da USIF pede para confiarem na ciência e nos profissionais de saúde, até porque “os efeitos secundários são muito menores do que a doença”. “Temos todas as condições de segurança para, em caso de efeitos secundários, acudir. Até agora o que nos tem chegado é que os efeitos secundários não têm sido nada que não se esteja à espera”, reforça, lembrando a existência dos questionários, a presença de médicos e a proximidade do Centro de Vaci-nação com o HH como reforço de confiança.
Já no que respeita à imunidade de grupo na ilha, há uma série de variáveis a ter em conta. Uma delas é a incerteza, como por exemplo a possível necessidade de haver uma 3.ª dose da Pfizer. “Enquanto não existirem certezas, há dificuldade” em assumir quando se atingirá os 70% ou 80% que conferem a dita imunidade. A repetirem-se eventos como o do fim de semana passado, em colaboração com a Câmara Municipal da Horta, Dele-gação de Desportos, PSP, Bombeiros Voluntário e Câ-mara do Comércio e Indústria da Horta, até ao final do verão as probabilidades de se verificar o desejo são maiores.
“Se as regras não se alterarem durante algum tempo, mas receio que aconteça, a manter-se o ritmo e a termos vacinas disponíveis, julgo que em setembro possamos atingir essa imunidade. Tudo depende de conseguirmos fazer mais eventos de vacinação em massa. Se for com a Pfizer, será mais rápido ainda, porque são só três semanas entre doses”, explica Teresa Ribeiro. Outro fator a ter em conta é o da vacinação de pessoas com 75 ou mais anos, sendo que os que faltam são “números residuais” e principalmente de “pessoas acamadas”. De momento as indicações seriam para tomarem a vacina da AstraZeneca, mas, “se tivermos a Pfizer disponível tomarão esta pois não é contraindicada para maiores de 60 anos e queremos ter todas as pessoas inoculadas o mais rapidamente possível”, assume a presidente da USIF.

Testes à chegada não põem em causa capacidade de resposta

Com o fim do Estado de Emergência volta a possibilidade de se fazerem testes à chegada. Para Teresa Ribeiro, isso não afetará o atual funcionamento dos serviços da USIF porque “o teste à chegada sempre foi disponibilizado” e desta forma continuarão a ter pessoal no aeroporto.
Com o previsível aumento de colheitas à chegada na infraestrutura, com um Centro de Colheitas na Marina e com o Centro de Vacinação à responsabilidade da unidade de saúde, sentir-se-á “um impacto no funcionamento porque não conseguimos ter enfermeiros em dois ou mais sítios ao mesmo tempo”.
“Estamos a exigir muito do pessoal de enfermagem, mé-dico e administrativo. Têm de ficar lá até ao último avião chegar. É um acumular de horas, não tiram folgas, não podem tirar férias. Tem um impacto nos serviços? Sim, os médicos ficam mais sobrecarregados porque não temos pessoal para as consultas de enfermagem, mas não temos nenhuma reclamação. Tem sido feito um esforço para que os cuidados se mantenham à população como até aqui”, assegura.

Governo Regional anseia ter todos vacinados até final de junho
Uma das principais figuras da discórdia que envolve o número de vacinas que tem chegado à Região, e por consequência leva a percentagens de vacinados abaixo do esperado, tem sido Artur Lima. O vice-presidente do Governo Regio-nal dos Açores (GRA) chegou, a 12 de março em declarações à TVI, a afirmar que, caso a União Europeia (UE) falhasse em conseguir vacinar todos os açorianos num curto espaço de tempo, iria recorrer aos Esta-dos Unidos da América (EUA), à Rússia ou mesmo à China. A primeira opção seria negociar com os americanos “ao abrigo do acordo de Cooperação e Defesa” via Ministério dos Ne-gócios Estrangeiros. Caso não fosse dada luz verde por esta via, sublinhou, “faremos os acordos que forem possíveis com quem quer que seja”. Isto aquando do surgimento dos primeiros casos da variante inglesa em São Miguel.
Poucos dias depois, a 19 de março, o próprio José Manuel Bolieiro reiterou a necessidade de se criar “lobby” junto das instituições europeias para aumentar a atribuição de vacinas a países com regiões ultraperiféricas, como Portu-gal e como o caso dos Açores. De acordo com o presidente do GRA este pedido não era “egoísta”, mas sim “para assegurar que as ilhas que não têm hospital possam ser imunizadas através de uma vacinação integral na comunidade”. O exemplo utilizado foi o da ilha do Corvo.
Ao contrário do seu vice-presidente, Bolieiro salientou o “compromisso” com a UE. “As nossas diligências são no quadro da comunidade europeia e, portanto, a primeira instituição a que nos dirigimos foi à Comissão Europeia”, salientou.
Ora, a 22 de março, seguiu uma carta a Augusto Santos Silva, ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, a solicitar serem acionados “os instrumentos previstos no Acor-do de Cooperação e Defesa entre Portugal e os EUA, com o objetivo de pedir a cooperação dos EUA na imunização dos açorianos contra a Covid-19”, dadas as limitações do Sistema Regional de Saúde.

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