JÚLIO XAVIER SERPA (1909-1990) Carpinteiro, mecânico, electricista e “faz-tudo”

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Nasceu na freguesia do Lajedo, concelho de Lajes das Flores, em 26 de Novembro de 1909, filho de António Rodrigues Serpa e de Maria Xavier de Mendonça, ele carpinteiro e ela doméstica. Era neto paterno de José Rodrigues Serpa e de Isabel Leonor Serpa e materno de Ana Vitória e de avô incógnito. Foram padrinhos do baptismo Francisco Rodrigues Serpa e Maria Pimentel Coelho, ambos solteiros.

 O pai, que faleceu prematuramente com a idade de 38 anos, ter-lhe-á transmitido o saber, e, sobretudo, o gosto pela arte mecânica e de toda a ciência de improvisação electro-mecânica. Terá, porventura, recebido alguns ensinamentos dos irmãos mais velhos e, nomeadamente, das leituras que terá feito mas, quase tudo o que sabia, não o ficou a dever a ninguém.

Contudo, a sua instrução era pouca, quando muito, limitada ao Ensino Primário. Mas gostava de ler. Foi casado com a professora D. Maria Luísa Serpa, também natural do Lajedo.

Inicialmente trabalhou no Lajedo de carpinteiro, com incursões de marceneiro, fazendo também muita coisa de serralheiro. Assim, fez nesse tempo bastantes móveis e  construiu o altar do Sagrado Coração de Jesus da igreja do Lajedo. Fez também alguns barcos de pesca do tipo dos que se usavam por ali.

Acompanhando a esposa para as localidades onde a mesma ia leccionar, passou por diversas localidades da ilha e, mesmo assim, sempre encontrava formas de realizar com arte a sua profissão de autodidacta extremamente imaginativo.

O casal, depois de deixar o Lajedo, passou pela freguesia da Fazenda, onde ela esteve a leccionar durante os anos de 1944 e de 1945. Aí ele trabalhou de carpinteiro e de reparador de máquinas, sobretudo de costura. Depois fixou residência em Santa Cruz das Flores para onde ela foi leccionar até ao seu prematuro falecimento, o qual ocorreu em 14 de Dezembro de 1951.

Quando apareceram os motores e a electricidade tornou-se um técnico em ambos os sectores. Era considerado na ilha como um artista ou um “engenheiro”.

Aí, como António Caetano de Serpa — empresário com várias embarcações e viaturas — o descobriu, foi um dos seus maiores empregadores já que ele lhe prestava diversos serviços, quer nas oficinas, quer nas embarcações da empresa. Mas outras entidades dessa Vila precisaram também dos seus prestimosos serviços.

 Entretanto, em segundas núpcias casou em 1957, na vila de Santa Cruz das Flores, com Laudalina Lopes Serpa, natural dessa Vila.

Trabalhou também para as Obras Públicas e outras entidades empreendedoras da construção de estradas, evidenciando-se na condução de cilindros mecânicos e nas suas reparações mecânicas. Trabalhou também nas máquinas produtoras de electricidade da Câmara Municipal de Santa Cruz. Realizava esses trabalhos como os melhores engenheiros que por lá apareciam. Chegou a ser chamado para consertar avarias que eles não haviam conseguido.

Tendo trabalhado praticamente toda a sua vida, faleceu aos 80 anos em Santa Cruz das Flores, em 18 de Agosto de 1990, na rua de Santa Catarina, onde vivia com a esposa.

Era simples, prestável, amigo e respeitador de todos os que o conheciam, levando a vida com uma calma impressionante, sempre sem queixumes, críticas ou lamentos como se nota na grande maioria dos seres humanos.

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  Fontes: Elementos fornecidos pelo Monsenhor Dr. Caetano Tomás, arquivados nos meus documentos em 30-11-2008; Elementos recolhidos junto de Serviços Públicos das Flores, telefonicamente, em 28-11-2008; 

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