Livres e Iguais – Projeto promove o interculturalismo

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O projeto “Livres e Iguais”, desenvolvido pela empresa Betweien em colaboração com o músico Carlão, promove o interculturalismo e luta contra o racismo, a discriminação étnica e a xenofobia.
Numa parceira com a Câmara Municipal da Horta, serão distribuídos pelas bibliotecas e escolas do concelho exemplares dos livros para que os alunos reflitam deste cedo sobre a aceitação das diferenças dos outros.

A Escola Secundária Manuel de Arriaga recebeu, no passado dia 23 de maio, a sessão de apresentação do projeto “Livres e Iguais”, no âmbito das comemorações do Dia Mundial da Diversidade Cultural para o Diálogo e para o Desenvolvimento, que se celebra no dia 21 de maio. Um projeto pedagógico de promoção do interculturalismo desenvolvido pela empresa Betweien em parceria com o músico Carlão.
Esta sessão de apresentação contou com quatro momentos: uma conversa informal com o artista Carlão, uma pequena viagem pelo livro e pelas três histórias que o compõem, uma atuação teatral de uma das histórias do livro, e, por fim, os alunos poderam autografar o seu livro e tirar uma fotografia com o Carlão.
Na ocasião, Pedro Medeiros, Presidente do Conselho Executivo da escola, relembrou os alunos de que é importante no dia-a-dia escolar aprendermos a nos relacionarmos com os outros, respeitando a diferença e aceitando-a como uma vantagem.
Por sua vez, o presidente da Câmara Municipal da Horta (CMH) afirmou que o Município se associou às comemorações deste dia para cultivar a compreensão e o respeito pela diferença, pelos vários países e culturas e pelas religiões.
Desde modo, “a CMH vai oferecer este livro às bibliotecas e a todas as escolas do primeiro ciclo para que os professores comecem a introduzir esta temática”, revelou José Leonardo.
O edil avançou ainda que a CMH propôs em Reunião de Câmara instituir o Dia Municipal do Emi-grante e do Diálogo Intercultural no dia 21 de maio, de forma a integrar a comunidade emigrante que vive no Faial.
Numa pequena apresentação do livro, Helena Cunha, representante da empresa Betweien, revelou que para além das três histórias escritas por Helena Costa, a letra das três músicas compostas pelo Carlão, uma cada uma das histórias, o livro contém dados informativos e dinâmicas de reflexão sobre a postura do indivíduo na sociedade, bem como folhas em branco onde o leitor poderá tirar anotações e refletir sobre aquilo que possa sentir que precisam de melhorar no seu dia-a-dia enquanto cidadão e sobre o interculturalismo e do respeito pelo outro.
Durante a conversa informal, Carlão explicou aos alunos e professores presentes que a ideia deste projeto surgiu da empresa Betweien que ao longo do tempo “se tem especializado na edição de livros com cariz educacional ou lúdico, sendo que o alvo é sempre as primeiras fases da educação, seja o ensino básico, seja secundário”, acrescentando que estes livros juntam muitas vezes músicos “com assuntos de extrema importância”. Neste caso, o racismo, a discriminação étnica e a xenofobia.
Para o artista, “a música foi importante para descobrir e entrar em contacto com realidades que ou não eram as minhas ou então que eram minhas, mas estavam ali ao lado e eu de outra forma nem chegava a elas”.
Por isso, decidiu participar neste projeto com a esperança que a sua música ajude os jovens de hoje a enfrentar as dificuldades que possam sentir durante a adolescência, uma parte da vida em que não “rejeitam quase tudo aquilo que é dito pelas autoridades” como os pais ou professores.
O músico passou então a explicar cada uma das músicas que acompanham os temas das histórias do livro. A primeira música, “Clara”, baseia-se numa rapariga negra que tem o sonho de um dia poder apresentar um programa de grande entrevista na televisão generalista. Esta é uma rapariga trabalhadora estudiosa, de uma família carenciada que apesar de ter boas notas e se esforçar vai perceber que isso não é o suficiente para alcançar o seu sonho. Alcançar o seu sonho não vai ser assim tão simples porque “há coisas que são aparentemente inofensivas e que não deviam valer nada como a cor da sua pele que são um entrave e que barram o caminho”, disse.
O segundo tema, “Pediram-me uma música”, sobre a etnia cigana foi para o cantor o mais difícil de criar pois deparou-se com algum preconceito. Ao tentar escrever este tema Carlão sentiu certa dificuldade e apercebeu-se que sentia algum preconceito em relação à etnia cigana. “Olhei para mim e descobri que com 40 anos de idade pensando que era a pessoa mais aberta a estes assuntos e por razões diversas, óbvias e indiretas percebi que eu próprio tinha alguns assuntos por resolver”, admitiu.
Por isso, “agarrou o boi pelos cornos” e refletiu sobre o porquê do seu desconforto em falar da etnia cigana, apercebendo-se que não conhecia nada da cultura cigana, das suas aspirações e das suas vivências.
Por fim, a terceira música, “Fado do Acossado”, fala de um refugiado que teve de fugir com a sua família do seu país devido à guerra, gastando todo o seu dinheiro para comprar um bilhete e fazer uma travessia, à qual não sabe se vai sobreviver, até a um país estranho que não está preparado para o receber, nem em termos de estruturas, nem em termos de mentalidade.
A Betwien trouxe este projeto ao Faial por iniciativa da CMH, em parceira com a CPCJ, CDIJ da APADIF e Direção Regional das Comunidades.

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