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Mind games ou Vitórias de Pirro?

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DR/TI
Dejalme Vargas

Tenho a certeza de que ninguém, de boa fé, duvida que eu e o nosso Grupo continuaremos a defender, afincadamente, mais e melhores acessibilidades aéreas para o Faial e que não aceitamos participar em jogos de fazer de conta. Mas a benevolência em excesso às vezes cansa. E, se é verdade que a SATA Air Azores tem aumentado o número de voos inter ilhas ao longo dos últimos anos, colmatando falhas de horário e o défice de voos com Lisboa, também é verdade que a SATA, por diversas vezes – e num tempo mais recente – tentou obstaculizar as nossas justas pretensões.

Serve de exemplo o almejado voo do Porto-Horta-Porto que, alegadamente, não podia ser realizado porque no nosso aeroporto operam voos de Obrigação de Serviço Público (OSP). Ora, havendo mais de 165 rotas OSP para aeroportos liberalizados de Estados-membro da UE, a justificação não colhe. Aliás, todos os aeroportos e rotas estão liberalizadas, uma vez respeitada a regra de que quem quiser voar para uma rota OSP terá de cumprir os requisitos inscritos no caderno de encargos, designadamente sem o retorno financeiro a que a companhia vencedora do concurso terá direito. Outra “cantiga” com que nos tentam embalar é a história da aeronave que, ano após ano, irá pernoitar no nosso aeroporto, mas que, no horário do ano seguinte, ele não aparece, porque o custo, afinal, dizem ser insuportável. Na Terceira não o é. Ou, ainda, a questão atual da “reviravolta” do décimo voo que, sub-repticiamente, retira da esfera do debate o retorno dos 14 voos. É que, em vez de estarmos a reunir com a SATA para serem repostos os 14 voos semanais entre junho e setembro – e não só em julho e agosto -, andamos a fazer de conta que não há “slots”, como se tivessem sido solicitadas! Para que haja “slots” é necessário requerê-las e fazer horários com antecedência! Já no ano passado, colocaram no horário o décimo voo aos domingos, de manhã. Mas não o colocaram à venda, alegando que ninguém pagaria as OSP! A situação resolveu-se, tardiamente, em resultado da pressão exercida por forças de vários quadrantes. Este ano, a “desculpa” já não foi a falta de pagamento das OSP: foi a “descoberta” repentina da falta de slots! Vem a talhe de foice questionar: Quantos voos perderam São Miguel e Terceira no verão IATA de 2025 por falta de “slots” à partida de Lisboa? Alguém sabe responder?

As “cantigas” de embalo a que nos querem habituar não ocultam uma outra situação que, no mínimo, é caricata, e que se prende com a ausência dos A320NEO na operação Lisboa-Horta-Lisboa. Já falámos com Engenheiros Aeronáuticos e comandantes dos A320 e, até agora, nenhum disse que os ventos laterais que ocorrem no aeroporto da Horta são impeditivos para que os NEO nele operem. Será que os ventos laterais frequentemente registados no aeroporto Cristiano Ronaldo na Madeira são mais fracos dos que ocorrem no Faial? Alguém acredita que a Airbus projecta uma aeronave com mais restrições do que a sua antecessora? Alguém acredita que a SATA compra aeronaves sem ter em atenção a optimização das condições de operacionalidade das rotas que serve?

Não há ninguém que queira averiguar se a aquisição dos A320NEO representou mais um rombo financeiro para a companhia? Não há ninguém que queira saber como vai ser a operação depois dos velhos A320CEO serem devolvidos? Nós queremos!

Grupo Aeroporto da Horta

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