“Nada é permanente, exceto a mudança”

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Li, num jornal diário, que a Terra se afasta progressivamente da lua 3,82 centímetros por ano, de acordo com um estudo em que se declara que os dias vão ficando progressivamente mais longos, e que há 1,4 mil milhões de anos um dia era apenas de 18 horas.
Como é que se sabe? Os espelhos apontados na direção da Terra, refletores, deixados na lua pelos Estados Unidos nas missões Appollo 11, 12 e 13, e pela União Soviética, nas missões Luna 17 e 21, permitem medir, com a ajuda de raios laser, com grande precisão, a distância da Terra à Lua – cerca de 385 000 quilómetros. É dessa forma que os cientistas justificam hoje que a lua se está a afastar, devagarinho, e em cada ano que passa, está mais longe de nós. Qual a causa deste afastamento? Deve-se à dissipação de energia causada pelas marés. À medida que a Terra se vai afastando da Lua, gira mais devagar sobre o seu eixo e os dias ficam mais longos dois milésimos de segundo em cada século.
É um facto que a nossa perceção nos cria a ilusão da imobilidade. No séc. XVII, a demonstração de que o planeta Terra andava a girar pelo espaço, quase levou Galileu à fogueira. Após a abjuração resultante do processo inquisitorial, consta que o cientista afirmou: “E, no entanto, ela move-se”. Hoje sabemos que tudo é em movimento; que o universo se expande; que as galáxias se afastam; que quanto mais distante está uma galáxia, mais rápido ela se afasta; que a Lua já se encontrou muito mais perto de nós. Todas estas evidências da ciência sobre a profunda dinamicidade do universo e da vida são extraordinárias. Mas, um filósofo da Grécia antiga, Heráclito, de Éfeso, (540 ac.), foi o primeiro a intuir a contínua transitoriedade das coisas. O que chegou até nós é hermético e enigmático. Historicamente foi designado de “o obscuro”, o que indicia que terá sido pouco compreendido. Afastou-se dos outros homens. Justifica-se: “os homens não sabem ouvir nem falar, assemelham-se a surdos”. Porque seria? A sua doutrina do mobilismo universal enunciava uma ordem absolutamente contrária ao senso comum: “tudo flui, nada permanece”; “nada é permanente, exceto a mudança”; “não nos banhamos duas vezes nas águas do mesmo rio”, porque tudo é em permanente devir. Intuiu a impermanência; o ritmo eterno do movimento do universo. Observou o rio e o fluxo incessante das águas; intui o devir universal, com sóis continuamente novos; propôs a teoria do eterno retorno universal, um domínio ainda hoje pouco claro sobre a vida mesma do universo.
A ciência, hoje, confirma: a realidade é impermanência e mutabilidade. Assim é a existência: impermanente e mutável. Penso: analisadas à luz da contínua transitoriedade universal, como são insignificantes e sem sentido as quezílias humanas. 

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