O caos dos transportes regionais… ..na ilha do Faial

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Assiste-se por estes dias a um completo caos e desnorte na gestão, programação e definição da política de transportes públicos da Região, com um foco muito bem localizado: a ilha do Faial.
É no mar. É no ar e é em terra.
A obra do Porto Comercial da Horta continua envolta num impasse. Discute-se, emitem-se comunicados e promovem-se reuniões públicas acerca do novo projeto, mas não se vislumbram argumentos capazes de demover os responsáveis da Portos dos Açores do avanço da obra.
Mas, enquanto aqui nos deparamos com esses avanços e recuos, na maior ilha dos Açores aproveita-se essa indefinição, recebendo regatas internacionais e atraindo iatistas, com um mais que visível resultado prático: o aumento significativo de iates atracados na marina de Ponta Delgada.
Tal facto, recente, mostra-nos que, aos poucos, a marina da Horta tem vindo a diminuir a influência estratégica que sempre teve na cativação desse nicho de mercado. E não nos admiremos que, com o início das obras, muito desse turismo náutico se decida em desviar-se definitivamente para a ilha de São Miguel.
Como se não bastassem as dúvidas que persistem em torno desta obra, deparamo-nos agora com mais um revés para o turismo e economia das ilhas do Faial e do Pico.
O navio Gilberto Mariano que realiza o transporte marítimo de passageiros nas ilhas do Canal sofreu uma avaria grave e vai estar parado, pelo menos, até ao final do mês de junho. O que exige que se utilizem os velhinhos Cruzeiros. É um retrocesso, um transtorno enorme para os passageiros que circulam no Canal diariamente, uma redução substancial na mobilidade inter-ilhas e prejuízos significativos para os nossos empresários ligados essencialmente ao setor do turismo.
Se a esta avaria, porventura relacionada com uma sobrecarga de viagens que a administração da Atlânticoline escalou para este navio, somarmos o atraso, inadmissível, de mais de um mês na chegada aos Açores do segundo navio para o transporte marítimos de passageiros, então é por demais notório um mau planeamento na preparação da operação de verão da Atlânticoline.
São factos concretos, indesmentíveis, cuja responsabilidade deverá ser assacada aos gestores que se encontram à frente desta empresa.
E se nos transportes marítimos é esta desgraça, o que dizer do que se passa nas acessibilidades aéreas à ilha do Faial. Não é o caos, é muito mais do que isso. É uma absoluta asfixia, um completo estrangulamento económico-financeiro que a SATA está a provocar na ilha.
Os sucessivos cancelamentos da ligação aérea Lisboa-Horta com que nos deparámos nos últimos dias, evidenciam a insignificância e o esvaziamento a que a SATA e a administração da empresa têm votado a ilha do Faial.
Não acredito na adoção de uma postura concertada para prejudicar os nossos empresários do turismo, do comércio ou da restauração, que anseiam por esta época para recuperar parte dos investimentos realizados, pois existem naturalmente outras condicionantes, mas esta prática, usual, pode legitimamente levar-nos a pensar dessa maneira.
Todos sabemos que este falhanço na política regional de transportes, aéreos e marítimos, persiste há anos e é da responsabilidade do Governo Regional e do partido que o sustenta, no entanto, os faialenses, mesmo sofrendo essas agruras, quando chega a hora de decidir, continuam coniventes com quem põe em causa o progresso, o desenvolvimento económico e a criação de riqueza na ilha.
Hoje, já não bastam manifestações, abaixo-assinados, ou dúbios comunicados. A resposta exige-se muito mais pragmática. A resposta terá que ser dada por cada um dos faialenses “in situ” demonstrando o seu descontentamento (ou contentamento) para com quem os governa, pois há uma urgente necessidade na inversão neste tipo de políticas, sob pena deste caos presente comprometer definitivamente o futuro do Faial e de todos nós.

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