OE2020: BE quer fim do corte de sustentabilidade nas pensões para “repor injustiças do passado”

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A coordenadora do Bloco de Esquerda disse hoje que “o país precisa de reparar injustiças do passado”, exigindo o fim do corte de sustentabilidade e a criação de um complemento de pensão no valor desse corte.

“O BE propõe, para fazer justiça a quem trabalhou toda uma vida, o fim do corte de sustentabilidade e a criação de um complemento de pensão no valor do corte de sustentabilidade para pessoas que se reformaram com as outras regras”, sintetizou Catarina Martins que falava aos jornalistas à entrada para uma escola de Valongo, no distrito do Porto.

Agora que o debate sobre o Orçamento do Estado (OE) para 2020 passou à especialidade, Catarina Martins destacou, de um conjunto de dezenas de medidas que o BE quer ver introduzidas no documento, o que diz respeito aos pensionistas, sublinhando que “o corte que está a ser feito é injusto”.

“Em alguns casos há injustiça relativa de pessoas que se reformassem hoje, com as regras de hoje, não tinham esse corte, mas como se reformaram antes tiveram esse corte e ainda há os casos de pessoas que trabalharam toda a vida e mesmo reformando-se hoje têm esse corte. Há que fazer justiça a quem começou a trabalhar criança, teve longas carreiras contributivas ou tem profissões de desgaste rápido que tiveram esse corte que hoje não teriam”, descreveu.

Catarina Martins referiu que “conseguir corrigir essa injustiça é também fazer justiça às gerações mais novas no acesso ao emprego e ao salário”, frisando que “o país precisa de reparar as injustiças do passado”.

Questionada sobre se a introdução destas medidas será determinante para que o Bloco de Esquerda aprove o OE 2020 na votação final global, a coordenadora referiu que “são medidas determinantes e muito importantes para o país”, sem avançar se estas ou outras poderão determinar o voto dos bloquistas.

Já à pergunta sobre o BE vai entregar mais medidas para o OE 2020, Catarina Martins respondeu “seguramente”, apontando que “o debate do orçamento na especialidade será determinante para o que acontecerá nesta legislatura”.

“Temos regimes de privilégio que achamos que não se justificam e têm de terminar e ao mesmo tempo temos quem trabalha e vive do seu salário ou da sua pensão e tem uma enorme carga fiscal. Acabar com a isenção do IMI aos partidos seria um bom princípio para acabar com o sistema de privilégio”, acrescentou a líder do BE quando convidada a dar mais exemplos de medidas que quer ver implementadas.

Catarina Martins, que na Escola Secundária de Valongo está a falar aos alunos sobre temas como violência doméstica ou violência no namoro, entre outros, lembrou que “o Governo entregou a proposta de OE sem negociar”, razão pela qual o BE “não pôde acompanhar a proposta”.

“Dissemos que era preciso algum caminho negocial. E o caminho negocial que foi determinante para viabilizarmos a passagem do OE à especialidade foram os avanços nas medidas no Serviço Nacional de Saúde. Foram essas garantias que permitiram ao BE viabilizar o OE”. O serviço público é fundamental. É suficiente? Não. Agora vamos para a especialidade”, concluiu.

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