Página Mensal da Delegação Regional da Ordem dos Psicólogos Portugueses

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Nota de Abertura – Os avós

Avó, avô. A língua inglesa transmite melhor com as palavras GRANDmother e GRANDfather o significado afetivo destas figuras familiares de suporte que a maioria de nós teve o privilégio de ter, em quadruplicado.
Quem não ama ou recorda os seus avós?
Avós, representam um amor incondicional, frequentemente sem tensões, pleno de afetos, com uma disponibilidade inigualável. Num mundo desafiador, com múltiplas solicitações, ter um avô/avó transforma-se numa preciosidade humana, numa espécie de oásis num mundo frequentemente caótico e desprovido da autenticidade dos afetos.
Múltiplas são as recordações que guardamos dos nossos avós, as histórias que nos liam e/ou nos contavam e que faziam crescer a nossa imaginação; as nossas comidas preferidas, que comíamos vezes sem conta, sem proibições; os cheiros das suas casas; as atividades diferentes que nos proporcionavam; os seus abraços e beijos e muito mais que nos acompanharão como um porto seguro até ao final da nossa vida.
O vazio que se cria em volta do núcleo familiar sem avós pode provocar solidão e tristeza. Num mundo em que se vive cada vez mais apressado porque não “adoptar” um avô/avó dum lar de idosos, onde nada parece acontecer?

M Luz Melo

 

O Presente, as Ações e o Futuro das Crianças

“Vivemos dias difíceis…”; “Ele(a) já sabe que…Já não tenho mão nele(a)…”; “Tenho de lhe dar o telemóvel para estar entretido(a)…” …São tantas as frases que ouvimos no nosso singular quotidiano que expressam frustrações ou crenças de que algo não está bem com as próprias crianças, adolescentes, jovens e inevitavelmente com o funcionamento da família. Sejam como pai, mãe ou educador todas as crianças e os adolescentes são uma fonte de preocupação – com o presente e com o seu futuro.
Desde o nascimento as crianças passam por diversos estádios de desenvolvimento, sendo que a construção do seu EU é influenciada, não somente pela genética, mas também pelas experiências de relação que a criança vai tendo ao longo do seu percurso de vida. A par do desenvolvimento físico, a personalidade da criança vai sendo construída ao longo do tempo. É frequente, no percurso por alguns destes estádios, a criança apresentar mais dificuldade em resolver e ultrapassar algumas etapas, podendo demonstrar alguma desorganização interior. Esta pode ser visível através de perturbações de comportamento, de dificuldades de aprendizagem, ou questões fisiológicas, ou ser menos percetível, através de inibições e dificuldades no relacionamento com os outros.
É muito importante que os pais e/ou cuidadores das crianças sejam observadores atentos e olhem para estes sinais com olhos de amor, reconhecendo que não são mais do que pedidos de ajuda emanados pelas crianças. Quando ignorados, ou não percecionados, estes sinais vão-se tornando cada vez mais desadequados e se não forem atendidos, decorrem, em situações de negligência e/ou maltrato/abuso. Estas situações contribuem para vivências nas quais as figuras significativas, ou seja, aquelas em que a criança mais confia e se “aninha” afetivamente e que devem desempenhar um papel cuidador e protetor, de alguma forma, não estão a sê-lo. A família deve funcionar como fator protetor fundamental. Quando tal não acontece a família pode constituir-se, desde logo, como um fator de risco, potenciando desta forma situações que podem induzir perigo e levar a decisões legais que implicam enorme sofrimento para a criança.
E neste contexto, o trabalho do Psicólogo reveste-se de particular importância dado que a criança pode estar a viver uma situação de risco e/ou perigo, comprometendo assim o seu desenvolvimento harmonioso. O exercício da Psicologia atua não só ao nível da prevenção e da intervenção precoce, como também está presente nas situações que emanam latente perigo. Implica um domínio de processos e metodologias de avaliação e intervenção psicológica, dirigidas às crianças/jovens e suas famílias num contexto pautado pela multidisciplinariedade. A função do Psicólogo é transversal e sempre não invasivo, começando por tentar perceber, junto da criança, se as suas necessidades de desenvolvimento (saúde, educação, desenvolvimento emocional e comportamental, identidade, relacionamento familiar e social, apresentação social e capacidade de autonomia) estão a ser satisfeitas, junto da família ao nível das competências parentais (cuidados básicos, segurança, afetividade, estimulação, estabelecimento de regras e limites, estabilidade) para além de, num sistema de articulação interprofissional e complementaridade técnica, olhar aos fatores familiares e ecológicos (história e funcionamento familiar, a existência e significado relacional da família alargada, se as condições habitacionais são adequadas ou não às necessidades da criança, a situação profissional e rendimento familiar dos elementos do agregado familiar, bem como a integração social da família e a existência/acesso aos recursos comunitários). A intervenção psicológica tem um papel fulcral pelo impacto que assume no bem-estar emocional que decorre da vivência de experiências que configuram risco/perigo.
Hoje, presente, devemos atuar permanentemente em prol das crianças pelo seu superior interesse. Porque Elas são o Futuro.

Maria Cecília Vale Raposo
Perfil

Maria Cecília Vale Raposo é licenciada em Psicologia do Desenvolvimento pela Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Coimbra desde 1996. Iniciou a sua atividade profissional em 1997 na área da psicologia da educação. Desde 2006, desempenha funções na Santa Casa da Misericórdia de Santa Cruz da Graciosa na área da proteção de crianças e jovens em risco. Integra o Pólo Local de Prevenção e Combate à Violência Doméstica e é, desde 2013, reforço técnico da CPCJSCG.

 

Aconteceu
Participação da DRA na II Conferência Compromisso para o Sucesso Educativo

No passado dia 15, a DRA marcou presença na II Conferência Compromisso para o Sucesso Educativo, que decorreu na NONAGON. A conferência contou ainda com o contributo da Vice-Presidente da OPP, Sofia Ramalho, com o tema “Psicologia e Educação: Novas lideranças colaborativas para a integração de políticas e páticas educativas.

Proximidade com o Poder Local

A 17 e a 22 de julho, a DRA esteve reunida com a Secretaria Regional da Saúde e a Direção Regional do Desporto, respetivamente. As reuniões aconteceram no âmbito do OPP Açores II Congresso Regional. Nas audiências foram debatidos outros assuntos, como a relevância da intervenção psicológica nestes contextos de atuação.

Exposição “A Depressão na Objetiva de Um Fotógrafo”

A exposição itinerante chegou ao Pico. A mostra, que procura sensibilizar o público para o valor da saúde mental e combater o estigma associado à depressão, esteve na Câmara Municipal da Madalena e segue, agora, para a Unidade de Saúde da Ilha do Pico.

 

Acontecerá
OPP Açores II Congresso Regional

Se ainda não se inscreveu no evento do ano da DRA, não perca a oportunidade de o fazer. O OPP Açores II Congresso Regional, que decorrerá de 24 a 26 de outubro, dirige-se aos membros OPP, estudantes universitários, outros profissionais e ao público em geral. Inscrições disponíveis em www.eventos.ordemdospsicologos.pt.

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