Que vergonha! A SATA não pode ser governada em Part-Time

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O período que antecedeu o dia de Natal foi caótico nos aeroportos, sobretudo açorianos. Por causa do mau tempo que se registou no arquipélago ou em resultado da greve dos técnicos de manutenção da SATA Air Açores, assistimos a constantes cancelamentos de ligações aéreas e ao amontoar de passageiros, de famílias inteiras nos aeroportos, desejosas de chegar aos seus destinos para passar esta quadra festiva.
Já se sabia, com alguma antecedência, da ocorrência destes dois fatores. Se em relação ao mau tempo nada se pode fazer, tendo que nos resignar e aguardar que o mesmo melhore para que o avião possa realizar a ligação programada, já no que se refere à greve dos técnicos, a sua convocação temporal demonstrou um total desprezo e desdém não só por quem, nesta altura, pretendia regressar a casa, mas também pela empresa em difícil situação financeira.
É certo que a greve é um direito que lhes assiste, e as suas reivindicações podem ser perfeitamente legítimas, mas agendar um período grevista para um momento tão importante quanto este, causando a enorme turbulência a que assistimos, é destruir toda a confiança que os açorianos ainda têm na sua companhia aérea.
E isto sem esquecer os prejuízos financeiros que, certamente, tal facto pode ter causado nas contas da SATA. Lá para o mês de maio ficaremos a saber qual o seu verdadeiro impacto financeiro.
Mas este caos que nos fomos apercebendo, com bagagens perdidas, com passageiros retidos em aeroportos durante dias, e, em muitos casos, com um total desnorte e falta de informação dos funcionários da empresa, não teve qualquer reação do Governo Regional ou da administração da SATA, apesar de esta se encontrar em gestão corrente. Ninguém apareceu a dar a cara (a Secretária Regional dos Transportes surgiu quando tudo estava solucionado), como que a aguardarem que a “tempestade” passasse.
Que vergonha!!
E, nem a propósito, Vasco Cordeiro aparece sorridente nas nossas televisões, na sua mensagem de Natal, falando aos açorianos em esperança e renovação, como se nada tivesse acontecido.
Sabendo-se que o Natal é período de grande azáfama em termos de tráfego aéreo e deslocação de açorianos, como permitiu o Governo Regional que o novo Presidente da SATA só assumisse funções no início do ano, quase um mês após ser indigitado?
E porque aceitou sujeitar a empresa a um presidente em Part-Time? Não conseguiu encontrar gestores qualificados para assumir a gestão da empresa de imediato?
Todo este caos aéreo é, pois, consequência das levianas e imprudentes decisões tomadas pelo Governo Regional em toda esta matéria e a manifestação evidente que administrar a SATA não se compagina com part-times, quaisquer que eles sejam.
Infelizmente para nós e para a nossa transportadora aérea, ainda há quem comungue da mesma opinião que o Governo Regional. É o caso do deputado socialista Carlos Silva que em entrevista ao Diário Insular vem dizer que se pode gerir bem a SATA a dar aulas à sexta e ao sábado.
Não há palavras para refutar uma tal afirmação. Certamente que aquele se esqueceu da dívida gigantesca que a SATA possui, da situação de falência técnica em que se encontra e dos prejuízos financeiros que a mesma vem acumulando ano após ano.
Todos sabemos que, ao longo dos anos, a empresa tem sido muito mal gerida, mas optar por dar a SATA em part-time a quem quer que seja, por muito bom que pareça o seu currículo, é brincar com cada um de nós, é brincar com o futuro dos Açores.
Não pode nem deve ser este o exemplo que queiramos seguir na gestão dos dinheiros públicos.
Que vergonha!