Regresso à urgência de ensinar a gostar dos Açores

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Ricardo Madruga da Costa
DR/TI

Por: Ricardo Madruga Da Costa

Na edição deste jornal do passado dia 14 de Maio e glosando tema que a propósito do discurso do Presidente da República na sessão comemorativa do 25 de Abril já havia abordado em post no FB de 27 de Abril, sublinhando que teria sido um discurso inspirador quanto à necessidade de “ensinar os jovens a gostar de Portugal”, propus como que uma transposição atlântica desse apelo de modo a ser entendido como uma urgência visando ensinar os jovens cá de casa a gostar dos seus Açores. Naturalmente que é plausível que um qualquer leitor não tenha achado o tema estimulante ou, não menos plausível, que não tenha havido mesmo algum leitor a olhar, nem de soslaio, para o que escrevo. Não fico muito arreliado, mas só pesaroso. Mas este regresso ao assunto vem a propósito de um artigo publicado no Diário Insular de 13 de Maio, da autoria do psicólogo Francisco Simões, tendo por título “Ligar economia e afectividade para que os jovens regressem”. Independentemente do objectivo específico do artigo que se relaciona com um estudo do referido psicólogo, o texto, do meu ponto de vista, aborda questões que interessam ao que me move e que é a necessidade de ensinar os nossos jovens a gostar dos seus Açores. Logo de começo, refere-se que “a vinculação afectiva à comunidade e à ilha é o factor que mais pesa na hora de escolher regressar”. E para melhor se perceber a ideia da relevância de uma “vinculação afectiva”, cito o autor: “Assume importância o envolvimento com a comunidade, dos pontos de vista cultural e social”, e depois de referir o papel das escolas, finaliza deste modo: “Sem um foco mais forte nas geografias emocionais (e como estas moldam os factores estruturais) as políticas públicas continuarão incompletas…”. A este propósito e sem excluir outros aspectos, como os de ordem económica e social, não resisto a repetir esta ideia que exprimi de que não será surpreendente assistir à desertificação das nossas ilhas, exactamente por ausência de um sentido de pertença. Por isso acrescentei que “ser ensinado a gostar de ser açoriano, é uma urgência premente”. Mas a razão que me leva a voltar a este tema, foi também motivada por outra circunstância. Também em edição do Diário Insular dois dias antes, a 11 do mesmo mês, a senhora Secretária Regional da Educação concedeu uma importante entrevista em que ressalta a sua preocupação relativamente aos primeiros anos de ensino e qualifica a educação como “elevador social por excelência”. E tem o cuidado de completar a abordagem afirmando que “é fundamental envolver, formar e motivar os docentes como agentes de mudança, não como meros executores de políticas educativas”. Gosto de ler o que a senhora Secretária diz. Claro que o que está a ser revelado constitui a visão global da governante através da qual podemos ficar com uma ideia da forma como concebe o seu projecto. Tenho a noção clara que não estou a ler um programa detalhado. Mas não deixei de ficar um tanto perturbado ao dar conta de uma ênfase bastante evidente para o que a senhora Secretária entende ser o salto qualitativo. Sei que, e muito naturalmente, está voltada para o século XXI e, como diz, “numa era de rápido e múltiplo progresso no âmbito das tecnologias, da inteligência artificial, da robótica, para que não sejamos ultrapassados por estas”. Não me passa pela cabeça insinuar sequer, que esta perspectivas não seja um imperativo; fico no entanto com algumas dúvidas quando a senhora Secretária faz alusão a um facto, aliás inquestionável: “O Mundo está em rápida mudança e os empregos do futuro exigem competências novas”. Só não sei bem onde ficam esses empregos… Vou ter de regressar ao psicólogo porque certamente alguma coisa me terá escapado.

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